Após processo de ex Presidente, Justiça coloca São Paulo na parede e exige resposta em 15 dias
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Ex-presidente tenta reverter na Justiça a acusação de gestão temerária e anular sua expulsão do quadro associativo do São Paulo; clube terá prazo para apresentar contestação
A disputa envolvendo Julio Casares e o São Paulo ganhou um novo capítulo na Justiça. O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o clube seja citado e apresentou prazo de 15 dias para que o Tricolor responda à ação movida pelo ex-presidente, que tenta reverter judicialmente a acusação de gestão temerária e, como consequência, anular sua expulsão do quadro associativo.
A decisão foi publicada na quarta-feira (30) pelo juiz Valdir da Silva Queiroz Jr., da 9ª Vara Cível do TJ-SP. O magistrado determinou o prosseguimento do processo e dispensou, neste momento, a realização de uma audiência de conciliação.
Com isso, o próximo movimento formal será a apresentação da contestação do São Paulo.
A ação havia sido protocolada por Casares na segunda-feira (28), poucas semanas depois de o Conselho Deliberativo do clube aprovar sua expulsão.
O que Julio Casares pede à Justiça
Na ação, segundo a documentação obtida pela ESPN, a defesa de Casares sustenta que sua administração foi regular e conduzida de boa-fé, contestando a acusação de gestão temerária.
O ex-presidente também afirma que não houve apropriação de recursos ou desvio de finalidade e argumenta que as acusações surgiram em meio à disputa política interna do São Paulo.
A defesa pede que a Justiça reconheça a inexistência de gestão temerária durante sua administração e também contesta os fundamentos utilizados pelo clube para justificar sua expulsão.
Entre os argumentos apresentados está a afirmação de que Casares contava com profissionais especializados nas áreas financeira, contábil, jurídica e de compliance.
A petição também destaca que o clube possuía mecanismos de governança e auditoria independente durante sua gestão.
Casares cita títulos e aprovação das contas
Outro ponto utilizado pela defesa para sustentar a tese de regularidade da administração é o histórico de resultados esportivos e institucionais durante o período em que Casares esteve à frente do São Paulo.
A defesa cita as eleições presidenciais de 2020 e 2023 e destaca conquistas como a Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa do Brasil de 2024.
Também são mencionados o Campeonato Paulista de 2021 e a Copinha de 2025, além do vice-campeonato da Sul-Americana de 2022.
No campo administrativo, a defesa cita ainda avanços comerciais e financeiros atribuídos à gestão, entre eles o acordo de naming rights do Morumbi, que passou a utilizar a marca MorumBIS, além de contratos de patrocínio e iniciativas de reestruturação financeira.
Outro argumento apresentado é relacionado às contas do clube.
Segundo a defesa, as contas dos exercícios de 2021, 2022, 2023 e 2024 foram aprovadas pelos órgãos estatutários, com pareceres favoráveis da auditoria independente, do Conselho Fiscal e do Conselho de Administração.
A tese apresentada pelos advogados é de que essas aprovações teriam produzido o chamado quitus, termo utilizado para se referir à quitação e exoneração de responsabilidade pelos atos de gestão daqueles exercícios.
Contas de 2025 estão no centro da disputa
A situação envolvendo o exercício de 2025 é tratada de maneira diferente na petição.
As contas daquele ano foram reprovadas pelo Conselho Deliberativo do São Paulo. A defesa de Casares, entretanto, argumenta que elas haviam sido aprovadas pelos Conselhos Fiscal e de Administração e que a auditoria independente teria feito apenas ressalvas e solicitado esclarecimentos.
A defesa também cita um superávit de aproximadamente R$ 56 milhões e uma redução da dívida de R$ 110 milhões no exercício.
A partir desses argumentos, os advogados sustentam que a reprovação das contas teria ocorrido por razões políticas, e não técnicas.
Essa é, entretanto, uma alegação apresentada pela defesa de Casares e será objeto de contestação no processo.
Saques em dinheiro vivo também são questionados
Um dos principais pontos discutidos na ação envolve os saques em dinheiro vivo realizados durante a gestão de Casares.
A defesa aborda aproximadamente R$ 11 milhões sacados em espécie entre 2021 e 2025 e argumenta que o montante representaria uma parcela pequena diante do volume financeiro movimentado pelo clube.
Segundo a versão apresentada pelos advogados, os recursos eram destinados a premiações, os chamados “bichos”, além de serviços operacionais e despesas promocionais.
A defesa também afirma que a prática de pagamento de premiações em dinheiro já existia antes da gestão Casares e continuou depois de sua saída.
Para sustentar esse argumento, a petição cita declaração atribuída a Rafinha, atual executivo de futebol do São Paulo, sobre o chamado “bicho molhado”.
Casares também sustenta que não existe prova documental de que os valores sacados tenham sido recebidos ou apropriados pessoalmente por ele.
Cartão corporativo entra novamente na discussão
Outro capítulo da ação envolve o cartão corporativo utilizado durante a gestão de Casares.
O ex-presidente afirma que não existiam regras suficientemente claras para utilização do cartão em administrações anteriores e sustenta que novas normas internas de controle foram criadas em 2025.
A defesa também destaca que Casares devolveu ao São Paulo R$ 560.401,74, valor corrigido monetariamente, com o argumento de evitar questionamentos futuros.
O episódio é apresentado na petição como parte da argumentação de que não houve intenção de causar prejuízo ao clube.
A defesa também utiliza o termo lawfare para sustentar a existência de perseguição política interna contra o ex-presidente. Trata-se, novamente, de uma tese apresentada pelos advogados de Casares na ação, e não de uma conclusão estabelecida pela decisão judicial que determinou a citação do São Paulo.
Justiça dispensa audiência de conciliação neste momento
Na decisão publicada na quarta-feira, o juiz Valdir da Silva Queiroz Jr. dispensou a audiência de conciliação.
O fundamento apresentado foi a ausência de estrutura material para a realização do ato e a necessidade de observar o princípio da duração razoável do processo.
Isso não impede, contudo, que São Paulo e Casares busquem uma solução extrajudicial.
A própria decisão ressalta que as partes podem tentar um acordo fora da Justiça ou solicitar posteriormente uma audiência caso exista uma possibilidade concreta de conciliação.
Por enquanto, portanto, o processo segue para a próxima etapa: a contestação do São Paulo.
Expulsão de Casares foi aprovada por 223 votos a 5
A ação judicial acontece depois de uma decisão contundente do Conselho Deliberativo do São Paulo.
Em 10 de setembro, os conselheiros aprovaram a expulsão de Julio Casares do quadro associativo por 223 votos a cinco.
O ex-presidente era alvo de um procedimento conduzido pela Comissão de Ética do clube, que recomendou sua expulsão por gestão temerária ou irregular.
Segundo a documentação citada na reportagem-base, a Comissão de Ética apontou possíveis irregularidades relacionadas à administração do clube entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026.
O caso também é objeto de investigação pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
Relatório apontou problemas na documentação de saques
Entre os elementos apresentados no processo disciplinar interno está a existência de aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do São Paulo cuja documentação, segundo o relatório do relator Luiz Braga, não permitia comprovar adequadamente a origem, a finalidade e o destino dos valores.
A Comissão de Ética também citou despesas realizadas por meio do cartão corporativo em diferentes estabelecimentos.
Segundo a documentação mencionada na reportagem, foram identificados gastos em restaurantes, charutarias, salões de beleza, despesas médicas, medicamentos e pet shops.
O caso ganhou repercussão pública em julho, quando foram divulgadas informações sobre aproximadamente R$ 1 milhão em despesas no cartão durante a gestão de Casares.
O ex-presidente, por sua vez, devolveu ao clube R$ 560.401,74 em novembro do ano passado.
São Paulo ainda não apresentou sua defesa
O próximo capítulo da disputa dependerá agora da manifestação do clube.
A Justiça determinou que o São Paulo seja citado e tenha 15 dias para apresentar contestação. Até a publicação da reportagem-base, o clube não havia se manifestado sobre a ação.
A partir da contestação, o processo poderá avançar para novas manifestações e eventual produção de provas, de acordo com as decisões que forem tomadas no curso da ação.
Portanto, a decisão desta semana não anulou a expulsão de Julio Casares e também não reconheceu como procedentes os argumentos apresentados pelo ex-presidente.
O que houve foi o recebimento da ação e a determinação para que o São Paulo seja formalmente chamado ao processo e apresente sua defesa.
A disputa, agora, deixa de estar restrita aos órgãos internos do clube e passa a ter também uma frente judicial aberta no Tribunal de Justiça de São Paulo.
O que aconteceu com Julio Casares?
Julio Casares foi expulso do quadro associativo do São Paulo em 10 de setembro, após votação do Conselho Deliberativo por 223 votos a cinco. O ex-presidente entrou posteriormente com uma ação judicial para contestar os fundamentos da decisão.
O que Casares pede na Justiça?
A defesa pede que seja reconhecida a inexistência de gestão temerária em sua administração, além de questionar a validade dos fundamentos utilizados para sua expulsão. Também solicita análise contábil e acesso a documentação financeira relacionada aos fatos discutidos.
Qual é o prazo do São Paulo?
O clube recebeu prazo de 15 dias para apresentar sua contestação, conforme a decisão da 9ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo.
A Justiça já decidiu quem tem razão?
Não. A decisão citada apenas determinou a citação do São Paulo e o prosseguimento do processo. Os argumentos apresentados por Casares ainda serão submetidos ao contraditório.
A expulsão de Casares foi anulada?
Não. A ação está em andamento e a decisão que determinou a manifestação do São Paulo não anulou a expulsão aprovada pelo Conselho Deliberativo.
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Que título ridículo.