O impacto financeiro da proibição das BETS nos cofres do São Paulo
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O governo pode assinar essa semana a Medida Provisória que endurece as regras das casas de apostas, e o texto ainda não é público. Por isso, este artigo trabalha com cenários. Não se sabe qual versão sairá do Planalto. O que dá para medir é quanto o São Paulo tem hoje amarrado ao dinheiro das bets, direta e indiretamente, e o que acontece com o endividamento se esse dinheiro sumir.
O que está em discussão
A MP foi anunciada, mas o conteúdo mudou de versão para versão. Em 16 de setembro, o UOL informou que o governo discutia uma medida ampla, com proibição de jogos online e fortes restrições às apostas esportivas. No dia seguinte, a Reuters informou que uma das versões proibiria cassinos online, mas manteria as apostas esportivas e os patrocínios. A versão “branda” também tem efeito relevante: grande parte das empresas atua ao mesmo tempo em apostas esportivas e em cassinos online, e o cassino online é a atividade que representa a maior parte do lucro dessas empresas.
O tom político não sugere recuo. Na abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula disse que o Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio, e o tema seria discutido em reunião do governo nesta quarta-feira (23). Do outro lado, clubes e federações articulam uma audiência com o presidente para tentar barrar a MP. O São Paulo assinou o manifesto.
De onde vem o dinheiro do São Paulo
Antes de falar da Superbet, é preciso olhar a composição da receita. Em 2025, o São Paulo faturou mais de R$ 1 bilhão e as receitas do negócio FUTEBOL foi de R$ 836 milhões, assim distribuídos:

A venda de jogadores é a maior linha, e é justamente a que não se repete com previsibilidade. Tirando a negociação de atletas, a receita recorrente foi de R$ 552 milhões. É sobre essa base que o risco das bets precisa ser medido, porque é ela que paga a folha mês a mês. Portanto, publicidade e patrocínios representaram mais de 21% da receita recorrente do futebol do clube em 2025.
Isso sem falar no impacto que a saída das Bets irá causar de forma indireta em outras linhas da receita do clube como Direitos de TV e Premiações, tendo em vista que elas patrocinam todo o ecossistema do futebol atualmente.
A exposição direta: o contrato com a Superbet
O contrato máster é a maior receita comercial isolada do clube. Na renovação de 2025, o valor anual inicial ficaria em R$ 78 milhões no primeiro ano, com reajustes progressivos até 2030, conforme divulgado na mídia. Pelo detalhamento do Sport Insider, o fixo total é de R$ 680 milhões, outros R$ 388 milhões dependem de desempenho, e o valor fixo projetado para 2027 é de R$ 105 milhões.
Esses valores poderiam ser maiores, tendo em vista o possível gatilho de valorização com aumentos nos patrocínios master de Flamengo, Palmeiras e Corinthians.
Quanto isso representa no faturamento. Com os números de 2025, os R$ 78 milhões da Superbet equivalem a:
- 64% da linha de publicidade e patrocínios (R$ 121 mi);
- 9,3% da receita total do FUTEBOL (R$ 836 mi);
- 14,1% da receita recorrente do FUTEBOL (R$ 552 mi).
Com o fixo de 2027 (R$ 105 mi) sobre a mesma base recorrente, a Superbet passaria a responder por 19% de tudo que o São Paulo arrecada de forma previsível no FUTEBOL. Quase um em cada cinco reais.
A série histórica mostra o tamanho da dependência
A linha de publicidade e patrocínios conta a história melhor que qualquer discurso:

De 2020 para 2025, a linha cresceu quase seis vezes. Só entre 2024 e 2025, o salto foi de R$ 46 milhões (+61%), e a maior parte disso veio da renovação com a Superbet, que subiu o fixo de R$ 52 milhões para R$ 78 milhões.
O exercício que eu faço é simples: tire a Superbet de 2025. Sobram cerca de R$ 43 milhões em patrocínios, o mesmo patamar de 2021 e abaixo do que o clube faturava em 2016. Em outras palavras, todo o crescimento comercial dos últimos anos está pendurado em um único contrato, de um único setor, que hoje é alvo direto do governo.
Um detalhe do contrato piora o cenário. O São Paulo comemorou a cláusula “radar”, que atrela o valor ao que recebem Flamengo, Palmeiras e Corinthians, conforme citamos acima. Só que, segundo o próprio diretor de marketing, se houver variação no mercado, para cima ou para baixo, o contrato se ajusta automaticamente. Se a MP derrubar o valor dos patrocínios dos rivais, o do São Paulo pode ser puxado para baixo junto, mesmo sem rescisão.
O impacto indireto: campeonatos, TV e premiações
A dependência não termina na camisa. A Superbet dá nome à Supercopa, e a Betano ao Brasileirão e à Copa do Brasil, mas a CBF não divulga quanto arrecada com essas operações. O que se sabe é que parte desse dinheiro volta aos clubes em premiação.
Na televisão, o efeito é mais lento, mas potencialmente maior. O setor de apostas teria investido mais de R$ 1,44 bilhão em TV aberta, TV paga e rádio em 2025. Quem paga pelos direitos de transmissão faz a conta com base na publicidade que consegue vender. Se o maior anunciante do futebol sai, as cotas perdem valor, e isso aparece na próxima rodada de negociação dos direitos.
Para o São Paulo, essa é a linha mais exposta de todas: R$ 245 milhões em direitos de TV em 2025, 44% da receita recorrente do futebol. Os contratos de transmissão vigentes são de longo prazo, então o impacto não chega no dia seguinte à MP. Ele chega na renegociação, e chega sobre a maior fonte de receita previsível do clube.
O efeito no endividamento
O clube fechou 2025 com dívida de R$ 858 milhões, contra R$ 968 milhões em 2024. A melhora durou pouco. No primeiro trimestre de 2026, o endividamento chegou a R$ 936,2 milhões, alta de cerca de R$ 78 milhões no período.
Vale notar o contexto: a redução de 2025 aconteceu num ano com R$ 284 milhões em venda de atletas, 34% de toda a receita. Sem esse volume extraordinário, não haveria superávit. A dívida líquida caiu porque o clube vendeu jogadores, não porque a operação recorrente passou a se pagar.
A estrutura da dívida torna o golpe mais perigoso. Os empréstimos bancários somavam cerca de R$ 277,6 milhões, com 70% da dívida bancária concentrada no curto prazo. Além disso, o FIDC lançado em 2024 exigia superávit. Uma receita recorrente que desaparece no meio da temporada não só aumenta a necessidade de crédito, como pode pressionar os covenants das operações que já existem.
A conta é direta: com a mesma estrutura de custos, cada real que a Superbet deixa de pagar vira um real a mais de dívida, e esse real passa a pagar juros. Em quatro anos, sem corte de despesas e sem vendas extraordinárias para tapar o buraco, a dívida que hoje está em torno de R$ 1 bilhão poderia caminhar para algo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,6 bilhão até 2030.
O indicador que eu mais olharia é a relação entre folha e receita recorrente. Folha mais direitos de imagem somaram R$ 405 milhões em 2025. Sobre a receita recorrente de R$ 552 milhões, isso já dá 73%. Tirando só a Superbet no valor de 2027, a relação sobe para 91%. No cenário B completo, a folha passa a ser maior do que toda a receita recorrente. Nesse ponto, o São Paulo precisaria vender jogador todo ano apenas para pagar salário, que é exatamente o modelo que empurrou a dívida para cima na última década.
Conclusão
No cenário mais provável, que é a proibição do cassino online com manutenção das apostas esportivas, o São Paulo não perde a Superbet de imediato, mas perde poder de negociação: a patrocinadora terá menos lucro, e a cláusula radar trabalha nos dois sentidos.
Sem a Superbet, a linha de patrocínios do São Paulo volta ao tamanho de 2021. Em qualquer dos cenários, a conclusão é a mesma: o clube não tem margem para absorver choque de receita. E isso diz mais sobre a gestão dos últimos anos do que sobre a MP.
Texto de Filipe Cunha – Finanças Tricolor
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Jogo é UMA MERDA e outro detalhe é que essa bolha vai estourar e aí…
Essa conversa ai não chega a novembro….. Nem vou perder tempo!
Se o clube tiver que fechar as portas com proibição das bets, que feche!!! Sem choro nenhum. Depois refunda de novo e tenta reconstruir direito dessa vez.
Melhor que continuar se arrastando pelos campeonatos como está, como um morto vivo, com esse dinheiro de origem suja e antiética das bets
Só de sair o dinheiro maldito, já melhora!
Como o SPFC chegou ao ponto de estar tão dependente deste patrocínio. Parabéns aos envolvidos
Mas isso vai afetar praticamente todos os clubes!
Então não é somente o SP que vai ter problemas financeiros.
Só defende bets quem não teve um amigo ou parente que se destruiu com vício nessa porcaria é tão maléfico quanto drogas e álcool
Não defendo bet, só acho que estão fazendo tudo isso de maneira extremamente oportunista. Tiveram 4 anos para fazer um estudo, análise de tudo que implica esse tipo de jogo.
Quer mudança?
Então rastreiem todas as pessoas que estão cadastradas nessas casas, cruzem informações através de seus CPFs e bloqueiem qualquer movimentação financeira e acesso aos sites e internet.
Uma pessoa viciada procurará outros meios de continuar o seu vício se não for tratada.
Diminuam as propagandas e veiculação em qualquer mídia. Para não haver um impacto negativo severo aos clubes, terão que fazer a diminuição e proibição de propaganda de forma gradual sempre reforçando o mal do vício em jogos como ocorreu com a indústria de cigarros.
Lembrando que o fim das propagandas não acabaram com o vício e consumo de cigarro no Brasil pois a venda continua. Igualmente as bebidas alcoólicas.
O que mata ou vicia não está ligada ao objeto ou a prática e sim a tendencia de cada indivíduo. Infelizmente o ser humano não está preparado para qualquer tipo de jogo que evolva dinheiro pois há uma tendência em sermos gananciosos ou na melhor das hipóteses ambiciosos demais.
Muito blá blá blá e pouca ação vivem reclamando. Aí quando tem ação por ruptura vem esse papo furado. Tem que acabar sim! Já estavam colocando agência de cafetinagem nas camisas. Imoralidade a nível máximo.
Moralidade é princípio individual. Vc não tem que julgar o cara só porque ele vai no puteiro ou gosta de jogatina.
Principalmente se vc alguma vez na vida atravessou a rua fora da faixa de pedestre, furou sinal, baixou mp3 ou pirateou Windows.
Os caras pregam moralidade, civilidade e ficam por aí cagando regra, e o que vemos no nosso país?
Só merda acontecendo.
O pior de tudo Alex-san, é que seu discurso partiu do pressuposto que as coisas funcionam certinho sem mutreta. Sem manipulação, sem mutreta… tudo bonitinho.
Quem é apostador compulsivo se fode não só por causa da doença. Se fode porque a mutreta com certeza vai garfar o dinheiro dele.
Minha posição de acabar com a publicidade e transformar em fonte de arrecadação é circunstancial. Mas o ideal mesmo era proibir tudo, inclusive loteria do governo federal.
Se é pra proibir, que se proíba qualquer tipo de jogo, aposta e loteria.
Quero ver.
Vamos proibir agora que deu merda, muita gente ganhou dinheiro e muita gente se deu mal.
Tô até vendo uns times aí com patrocínio estatal.
Verdade, mas no Brasil é assim só acontecem as coisas em período eleitoral, mas se não for aproveitar pra acabar agora vão jogar mais 4 anos pra mamada continuar.
Que bom que vai acabar. Clubes como nosso SPFC não falta dinheiro mas gestão. Olha esse cara de pau do Cedric e seu empresário. Vejam o tal Buta. Que se virem.
Maluco esquece também que jogador entra À RODO em lance de bet: Bruno Henrique e Paquetá, alguém… ? Eram pra ter pego suspensão DE VÁRIOS ANOS (tipo gancho de anti-dopping mesmo), mas tão os dois aí, jogando no time da mídia, como se nada tivesse acontecido… Forçam cartões, e por aí vai.
Acho que não precisa nem entrar no mérito de árbitros e “operadores de VAR” envolvido com bet… Não vamos esquecer que o infame Edílson Pereira de Carvalho rodou (em 2005!!), por causa de aposta.
Eleitoreiro? Faz-me rir. Pergunta pro André Mendonça (o “terrivelmente evangélico”) do 7 de setembro.
Ufa ! Ainda bem que o governo sabe o que é melhor pra mim, nem preciso me preocupar !
Obrigado, governo !!!!
O papai governo sabe o que é bom pra vc meu fio!
Eu fico até emocionado, craque
É então.. onde já se viu? Bom mesmo é um governo (presidente) que fala pra você fazer cocô dia sim, dia não… diz aí?
Bom mesmo é um governo que não se meta na minha vida e em como eu deveria gastar meu dinheiro, mas isso está além da sua compreensão, pelo que vi, você ainda tá na guerrinha partidária
O papai Estado vai cuidar bem de você, ele só quer o seu bem
Fé !
Só acho que vai chover ações judiciais cobrando da União o prejuízo, se não for feito de forma progressiva. Aliás, no meio singelo entendimento, não cabe MP, teria que ser projeto de lei, o que seria melhor e com discussão nas comissões, mas os 2 lados estão usando isso como propaganda eleitoral.
Porra de corretor que não conhece plural: vão