Mais duas cabeças rolam na disputa interna do São Paulo

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Bandeirinha do São Paulo FC em um estádio iluminado à noite, com gramado verde e arquibancadas vazias.

O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, destituiu dois integrantes da Comissão de Ética do clube. José Edgard Galvão e Fabio Cezar de Souza Azambuja foram afastados na última segunda-feira, em meio à análise de representações que investigam a conduta do dirigente.

Os dois ex-membros protocolaram uma nova representação contra Olten Ayres. Eles acusam o presidente do Conselho de promover manobras na Comissão de Ética para benefício próprio. A informação foi divulgada inicialmente pelo uol.

Processos envolvem Olten

As destituições ocorreram enquanto a Comissão de Ética analisava dois casos relacionados a Olten Ayres.

Um dos procedimentos trata da suspeita de uma “funcionária fantasma” ligada ao presidente do Conselho. O outro envolve a suposta falsificação de um documento relacionado ao processo de reforma estatutária do São Paulo.

Caso as denúncias sejam acolhidas, Olten pode ser punido com a expulsão do quadro associativo do clube.

Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que as destituições ocorreram depois do vazamento de possíveis votos contrários ao dirigente. José Edgard Galvão era relator do processo envolvendo a suposta funcionária fantasma e teria intenção de votar contra Olten.

Fabio Azambuja, por sua vez, havia participado da representação sobre a funcionária e se declarou impedido de julgar esse caso. Pouco antes de ser destituído, porém, teria manifestado a intenção de recomendar a expulsão de Olten no processo sobre o documento da reforma estatutária.

Olten nega interferência

Em nota, Olten Ayres afirmou que não teve conhecimento de qualquer intenção de voto dos dois integrantes da Comissão de Ética.

O presidente do Conselho também negou que as substituições tenham relação com possíveis decisões contra ele.

“Qualquer associação entre as substituições e alguma intenção de voto antecipada não procede”, afirmou Olten.

Segundo o dirigente, as mudanças foram realizadas dentro das atribuições da Presidência do Conselho Deliberativo.

Olten declarou ainda que seu objetivo foi preservar a credibilidade da Comissão de Ética e garantir o respeito ao Estatuto do clube, ao contraditório, à ampla defesa e à independência dos integrantes.

Quatro destituições desde julho

Com as novas mudanças, Olten Ayres já afastou quatro integrantes da Comissão de Ética do São Paulo desde julho.

Antes de José Edgard Galvão e Fabio Azambuja, o presidente do Conselho havia destituído Antonio Maria Patiño Zorz e Marcelo Felipe Nelli Soares.

Na ocasião, Olten justificou as medidas com a existência de “fatos que comprometem a confiança necessária para o exercício das funções”.

As novas destituições, entretanto, ampliaram a crise política no clube e provocaram a apresentação de uma representação contra o próprio presidente do Conselho.

Caso da suposta funcionária fantasma

A investigação sobre a possível “funcionária fantasma” começou em maio. A mulher era contratada pelo São Paulo desde 2021, trabalhava remotamente e, segundo a denúncia, não frequentava o MorumBIS nem o CT da Barra Funda.

Também foram identificados registros mensais de ponto com horários idênticos. A funcionária utilizava ainda um endereço de e-mail com o domínio do escritório de advocacia de Olten Ayres.

À época, o presidente do Conselho negou irregularidades. Ele afirmou que a funcionária exercia atividades relacionadas ao órgão e que o trabalho remoto havia sido combinado desde a contratação.

O caso segue em apuração interna na Comissão de Ética.

Documento da reforma estatutária

O segundo procedimento envolve uma proposta de reforma do Estatuto Social do São Paulo.

Em dezembro de 2025, Julio Casares iniciou uma discussão sobre duas mudanças:

  • Redução do quórum necessário para aprovar a criação de uma SAF.
  • Separação do futebol em relação ao clube social.

Segundo um relatório da Comissão de Ética, baseado em denúncia apresentada por Harry Massis, Olten teria encaminhado a proposta ao Conselho Consultivo no mesmo dia em que o documento foi elaborado.

O órgão emitiu parecer favorável às mudanças em 17 de dezembro. A tramitação levantou dúvidas sobre a regularidade do processo.

O inquérito que apurava o caso foi arquivado pelo Ministério Público por falta de provas suficientes para uma denúncia criminal. O arquivamento, porém, não impede necessariamente a análise de uma possível infração administrativa dentro do São Paulo.

Olten continua no cargo

Olten Ayres chegou a se afastar temporariamente da Presidência do Conselho Deliberativo, mas retornou ao cargo em junho.

Na ocasião, o Conselho votou pela permanência do dirigente por mais 120 dias. A justificativa foi a necessidade de aprofundar as investigações antes de uma decisão definitiva sobre eventual afastamento.

Além dos processos na Comissão de Ética, Olten também responde a uma denúncia por gestão temerária apresentada por Harry Massis em abril.

O desfecho das apurações poderá determinar se o dirigente continuará no quadro associativo do São Paulo e se permanecerá à frente do Conselho.

Crise política no clube

A disputa envolvendo Olten ocorre em um momento de forte instabilidade institucional no São Paulo. O clube enfrenta dificuldades financeiras, atraso em direitos de imagem e conflitos entre diferentes grupos políticos.

A possibilidade de adoção de uma SAF e as discussões sobre mudanças no Estatuto aumentaram a tensão entre conselheiros e dirigentes.

As novas destituições devem provocar mais questionamentos sobre a independência da Comissão de Ética e sobre os limites dos poderes da Presidência do Conselho Deliberativo.

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