Ex zagueiro do São Paulo pode gerar rombo inacreditável de R$ 14 milhões

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Zagueiro afirma que atuou com lesão no joelho, teve cirurgia adiada e que o clube não contratou seguro obrigatório; São Paulo nega negligência e diz ter oferecido acompanhamento médico contínuo

O São Paulo é alvo de uma ação trabalhista movida pelo zagueiro Ruan Tressoldi, que cobra aproximadamente R$ 13,7 milhões do clube por valores trabalhistas, indenizações e alegadas irregularidades relacionadas ao tratamento de uma lesão sofrida durante sua passagem pelo Tricolor, entre janeiro e junho de 2025.

No processo, o jogador acusa o São Paulo de negligência médica, afirma que foi colocado em campo mesmo apresentando dores e questiona a ausência de um seguro obrigatório para atletas profissionais.

O clube contesta as acusações e sustenta que Ruan recebeu acompanhamento médico, exames, tratamento fisioterápico e avaliações especializadas durante todo o período.

Ruan afirma que jogou com lesão no joelho

Segundo a ação apresentada à Justiça, Ruan Tressoldi começou a sentir fortes dores no joelho direito durante o confronto contra o Palmeiras, em 11 de maio de 2025.

O zagueiro afirma que comunicou o problema ao São Paulo, mas teria sido orientado a permanecer em campo.

Três dias depois, em 14 de maio, ele teria sido escalado contra o Libertad, pela Libertadores, sem a realização de exames antes da partida, segundo a versão apresentada no processo.

No dia seguinte, uma ressonância magnética teria identificado:

  • lesão no menisco;
  • edema;
  • tendinopatia no tendão patelar.

Mesmo depois do diagnóstico, Ruan afirma que voltou a ser utilizado. Segundo o processo, ele foi escalado para enfrentar o Náutico no dia 20 de maio.

A alegação é um dos principais pontos utilizados pelo jogador para sustentar a acusação de negligência.

Cirurgia teria sido adiada por conflito entre São Paulo e Sassuolo

Depois da evolução do quadro, a necessidade de cirurgia teria sido definida.

Ruan, porém, afirma que o procedimento acabou sendo adiado em meio a discussões entre São Paulo e Sassuolo, clube italiano que detinha seus direitos.

De acordo com a ação, os dois clubes teriam divergido sobre quem deveria assumir os custos do procedimento.

O zagueiro afirma que chegou a pedir ao São Paulo que acionasse um seguro de atleta para que pudesse realizar a cirurgia por conta própria.

Segundo Ruan, foi informado de que o seguro não havia sido contratado.

O empréstimo do jogador terminou em 30 de junho de 2025, e ele deixou o São Paulo sem ter passado pela cirurgia.

O procedimento acabou sendo realizado em 8 de julho, depois do encerramento do vínculo, e teria sido pago pelo próprio atleta em quatro parcelas no cartão de crédito.

São Paulo nega negligência médica

Na defesa apresentada à Justiça, o São Paulo nega que tenha negligenciado o jogador.

O clube afirma que Ruan teve acesso a acompanhamento médico profissional durante sua passagem pelo Tricolor, incluindo exames, tratamento fisioterápico e avaliações de especialistas.

O São Paulo também sustenta que não houve abandono ou agravamento deliberado da condição clínica do atleta.

Em relação aos pagamentos, o clube afirma que cumpriu suas obrigações e que as verbas rescisórias foram quitadas de acordo com a legislação.

A defesa também contesta a versão de que o jogador ficou sem assistência médica adequada.

Zagueiro cobra R$ 13,7 milhões do São Paulo

A ação apresentada por Ruan Tressoldi totaliza aproximadamente R$ 13,7 milhões.

Os valores cobrados incluem diferentes pedidos:

PedidoValor aproximado
Direitos de imagem atrasadosR$ 540 mil
Verbas rescisóriasR$ 420 mil
Ressarcimento de despesas médicasR$ 26,4 mil
Danos moraisR$ 4,5 milhões
MultasR$ 450 mil
Indenização pela ausência de seguro de atletaR$ 6 milhões
Honorários advocatíciosR$ 1,8 milhão
Outros valoresA calcular
TotalR$ 13,7 milhões

O jogador afirma ainda que ficou com três meses de direitos de imagem em atraso durante o período.

Segundo o processo, Ruan recebeu aproximadamente R$ 444 mil do São Paulo referentes à rescisão contratual.

O clube, entretanto, afirma que os valores rescisórios foram pagos corretamente.

Seguro de atleta é um dos principais pontos da ação

Um dos pedidos de maior impacto financeiro está relacionado justamente ao seguro.

Ruan cobra aproximadamente R$ 6 milhões como indenização pela suposta ausência da contratação do seguro obrigatório para atletas.

O jogador sustenta que, caso a apólice tivesse sido contratada, poderia ter utilizado a cobertura para realizar o procedimento cirúrgico.

O São Paulo contesta a acusação e afirma que o atleta tinha acesso a assistência médica e plano de saúde durante sua passagem pelo clube.

A questão deverá ser analisada pela Justiça dentro do conjunto de provas apresentado pelas duas partes.

Caso acontece após temporada marcada por lesões

A ação de Ruan Tressoldi ganha ainda mais repercussão porque ocorre após uma temporada em que o departamento médico do São Paulo foi alvo de críticas.

Em 2025, o clube enfrentou uma quantidade elevada de problemas físicos no elenco. Ao longo da temporada, 65 jogadores passaram pelo departamento médico, segundo o levantamento citado no caso.

O período também foi marcado por turbulências políticas e mudanças na estrutura interna do futebol.

Houve ainda divergências sobre métodos e filosofias de trabalho dentro do departamento médico, especialmente durante o segundo semestre.

Isso fez com que o setor se tornasse um dos pontos mais sensíveis da temporada.

Ruan Tressoldi passou poucos meses pelo São Paulo

Ruan chegou ao São Paulo por empréstimo do Sassuolo para a temporada de 2025.

A passagem pelo clube, porém, acabou marcada pelo problema físico e pela ausência de sequência.

A disputa judicial agora coloca em lados opostos o jogador e o São Paulo em relação à condução do tratamento, aos pagamentos e à responsabilidade pelos custos da cirurgia.

Até o momento, não há decisão definitiva da Justiça reconhecendo as acusações feitas pelo atleta. O São Paulo nega as irregularidades apontadas na ação.

O processo deverá avaliar documentos médicos, contratos, comprovantes de pagamentos, registros de atendimento e demais provas para determinar se houve ou não responsabilidade do clube.

O que está em disputa

O caso envolve três frentes principais:

1. Tratamento médico: Ruan afirma que foi utilizado mesmo com dores e diagnóstico de lesão. O São Paulo diz que forneceu acompanhamento adequado.

2. Seguro do atleta: o jogador afirma que o clube não contratou a cobertura obrigatória e pede R$ 6 milhões por isso. O São Paulo contesta a acusação.

3. Valores trabalhistas: Ruan cobra direitos de imagem, verbas rescisórias, multas e outros valores. O clube afirma que cumpriu as obrigações previstas em lei.

O processo, portanto, pode representar um novo impacto financeiro potencial para o São Paulo em um momento no qual o clube busca reduzir despesas, aumentar receitas e reorganizar suas finanças.

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