Ícone espanhol e Barcelona conversou com o São Paulo para ser técnico diz ex dirigente

GRUPO DE WHATSAPP: https://shortlink.uk/1rQK8  

https://www.youtube.com/@spfcsaopauloblog

Técnico de futebol em campo, usando um casaco escuro e fazendo gestos estratégicos.

Uma revelação de bastidores feita por Muricy Ramalho trouxe à tona um capítulo pouco conhecido da busca do São Paulo por um novo técnico: o clube chegou a tentar, de fato, trazer Xavi Hernández para o comando da equipe. A informação veio à tona durante uma conversa em que o ex-treinador e ex-coordenador técnico são-paulino comentava o início do espanhol no futebol holandês, à frente da Seleção da Holanda.

Como foi a tentativa de trazer Xavi

Segundo Muricy, a aproximação aconteceu durante o período em que ele atuou como coordenador técnico do clube, por meio de contato com o empresário do próprio Xavi: “A gente tentou, sabe, trazer ele pro São Paulo. Tentou assim, uma, por um empresário dele, tudo pra, uma consulta, né, cara? Pra ele treinar o São Paulo.”

O ex-treinador reforçou a admiração pelo trabalho do espanhol, destacando tanto a qualidade do futebol praticado por ele no comando do Barcelona quanto sua trajetória como um dos melhores volantes do mundo durante a carreira de jogador. Apesar do interesse concreto do São Paulo, a resposta de Xavi não foi positiva: “A gente não teve chance, porque ele tinha, o foco dele sempre foi a Europa e tudo, nos agradeceu e tudo, mas o pensamento era de trazer ele, porque era um cara que cabia bem, acho que, no São Paulo.”

O olhar dos grandes treinadores sobre o futebol brasileiro

A conversa também avançou para uma reflexão mais ampla sobre como técnicos de destaque internacional enxergam hoje o futebol brasileiro. Segundo Muricy, a percepção mudou — mas de forma específica, direcionada aos clubes, não à seleção nacional. Ele atribuiu esse interesse crescente diretamente ao fator financeiro: os salários pagos a treinadores no Brasil atualmente estariam em patamar historicamente elevado, o que tem feito até treinadores convidados para deixar seus clubes nacionais optarem por permanecer.

Projetos longos x cultura de demissões

Questionado sobre se a cultura de demissões recorrentes nos clubes brasileiros poderia afastar treinadores acostumados a projetos de longo prazo, Muricy reconheceu a impaciência como um fenômeno mundial, mas com intensidade particular no Brasil — onde, segundo ele, a exigência por resultados imediatos praticamente não deixa margem para os treinadores: a lógica, resumiu, é “ganhar, ganhar ou ganhar”, sem espaço para outra alternativa.

A reflexão pessoal de Muricy sobre sua própria passagem

Nesse contexto, Muricy fez um relato bastante pessoal sobre sua própria experiência à frente do São Paulo, onde permaneceu por quatro anos seguidos — um prazo de estabilidade raro no futebol brasileiro. Segundo ele, a permanência longeva não teve relação com uma relação fácil com a diretoria, pelo contrário: reconheceu ter tido dificuldade de relacionamento com dirigentes ao longo da carreira, e atribuiu sua continuidade no cargo exclusivamente aos resultados conquistados, mesmo em momentos de pressão interna para sua saída — incluindo, segundo ele, uma fase em que teria perdido uma final de Libertadores justamente para um time que ele próprio havia preparado anteriormente, no Internacional.

Para Muricy, essa pressão constante funcionou como combustível, não como obstáculo: ele relatou ter evitado deliberadamente qualquer proximidade social com dirigentes — recusando almoços, jantares e qualquer tipo de aproximação informal —, canalizando toda a energia para apresentar resultados, já que essa era, em sua visão, a única garantia real de continuidade no cargo.

A comparação com Abel Ferreira

Ao refletir sobre o perfil de treinador capaz de lidar bem com pressão, Muricy citou o técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, como exemplo atual de um comandante que responde justamente nos momentos de maior cobrança — characterística que, segundo ele, define o que considera um “bom técnico”: aquele que, pressionado, consegue entregar resposta dentro de campo, mantendo-se no cargo mais tempo do que a média do futebol brasileiro justamente por sustentar resultados consistentes mesmo sob questionamento constante.


Descubra mais sobre Blog do São Paulo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.