O que te fez ser são-paulino?
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Tenho certeza que fazer esse questionamento é um convite a flexão do tempo. Cada qual entre-cruzaria um tempo histórico com um uniforme tri-faixado e uma falsa imagem de si. Uma bela e inexperiente visão de mundo, uma boa quantidade de desejos e distorções oníricas.
Se perguntasse a um parente próximo, com certeza re-escutaria àquela mesma anedota sobre um chute de perna canhota de um certo “Canhoteiro”, já hoje tão esquecido, e como foi tão potente que atravessou todas as barreiras insolentes, as nossas refeições de domingo, e morreu no fundo da goleira. Devia realmente ser um chute muito forte. Coitado de quem estivesse em sua frente.
Outros diriam sobre a tendência mourisca tricolor, outros falam sobre como o São Paulo é São Paulo, tal dupla, tal personalidade, tal gol de Raí…
Esse período de Copa do Mundo é muito especial. São quatros anos esperando para ver a camisa amarela ameaçando ser mais chamativa do que qualquer celebridade buscada pelas lentes de TV, do qualquer ciência futebolística ou figura política de turno. Nascemos acreditando que a camisa amarela, cada vez mais desbotada e maltrapilha, irá contra-argumentar qualquer estado de coisas. A bola vai passar pela barreira, qual seja.
Para nós especialmente trata-se de um período em coma em que sonhamos com bom futebol.
O São Paulo, tão distante das razões que nos trouxeram a ele, se recusa a ser interessante em termos futebolísticos – sequer o guarany Bobadilla vencendo os alemães é alento. Parece que somos estudantes de ADM ou quiça microeconomistas. Tentamos controlar o orçamento familiar e ainda pensamos em como fechar as contas do clube social e suas intrigas à Macbeth.
Continuístas ou reformistas? Temos dívida de um bi ou apenas 900 mi? Género dramatúrgico: tragédia.
Claro que há comédia. Como não poderia? O remelexo no carnaval fora de época no Equador; há quem queira renovar contrato sem fazer gols desde de 2024… Nosso melhor jogador é alérgico ao gramado. Temos um levantador na goleira, serve muito bem os ponteiros, cabe até convocação. E Júlio Cesar Casares, um Imperador romano! e seus charutos, “caímos no seu papinho”. Muito adorável.
E como peça de teatro que se preze, temos epílogo! Coitado de Crespo e de quem tem Massis como chefe.
Quando por vezes saio do coma me lembro:
Dia 19 de novembro de 2006. São Paulo empata contra Athlético Paranaense em casa, mas leva. O céu é cinza e com brechas de sol, passada uma chuva efémera que apenas potencializa o calor da selva de concreto, que sobe em vapor e tortura quem fica com sol retornado. O Morumbi ruge, São Paulo terremoteia.
Pela primeira vez o São Paulo Futebol Clube comemora um título brasileiro em casa. Da floresta ao Trocadero, nos 30; ao aniversário da cidade de São Paulo, em 1935; passando pelo Tricolor de Aço, nos 40; Cícero e Laudo, nos 50; Gutman e Leônidas, 57; Benê e Roberto Dias Branco, 60, enquanto nascia Muriçy; a máquina setentista; os Menudos do Cilinho, em 80; e a maior aproximação de Telê Santana da Silva à perfeição nos nossos 90… A memoria coletiva são-paulina encontrava-se finalmente uma festa em sua casa após um título nacional.
Muricy Ramalho é festejado pela torcida, reverenciado pelos jogadores e assediado pelos jornalistas. Em meio ao frenesi natural de ser campeão, de ouvir na altura adequada os trechos iniciais do hino do Tenente Porfírio da Paz e canto de Telê Telê, Telê, nunca esquecido pelos infinitos arcos da arquibancada, nada disso o interessa. Ele é todo lágrimas e esforço em conseguir realizar uma ligação. Seu pequeno celular, que já data nossa velhice, conecta: Muricy Ramalho apenas precisa dizer que conseguiu para quem ama.
Em meios aos tricolores, nesse momento eu me decidi. Sou são-paulino.
Não há tragédia que me afeste desse clube. Não há ridículo que não se converta em comédia. Não peço retorno porque o tempo não me ouviria. Torço, por outro lado, que novos são-paulinos tenham uma história para contar quando questionados do porque torcem para esse clube.
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Dorival está tão encantado, tão encantado com Gustavo Santana que este será reserva do Su-20 no jogo desta tarde pelo Paulista da categoria.
Gustavo Santana não tem mais idade para o Sub20. Tem algo errado.
Está na escalação… pode ser o Miranda e erraram na lista
É o Miranda… corrigido .
Ryan titular.
Dorival se encantou tanto com Gustavo Santana que hoje ele é reserva do Sub-20 pelo Paulista da categoria.
Esse clube é uma piada.
Hoje em dia só vira são paulino quem tem parente torcedor e quer te ver sofrer por um time de futebol, porque alegrias não haverá.
Minha filha tem 12 e mei filho tem 10. Nenhum dos dois virou tricolor e, sinceramente, não fiz questão…
Esse sofrimento eu não vou deixar pra eles
Se bobiar ainda vem uns veiaco aqui te acusar de frouxidão. Espero que não.
Sim, a culpa é sempre da torcida mesmo 🤣
Eu também não faria questão. Como não faria questão de dar nada que eles pedissem como consequência hu3hu3
Quer torcer pra outro time vai vender limonada no semáforo pra comprar a camisa porque do meu bolso não vai sair.
Um texto do colega bem bacana e motivador pra gente buscar um empate hoje.
O que me fez saopaulino foi uma burrice gentílica: aos 6 anos em Pernambuco, notavam meu sotaque e perguntavam: “Você é de São Paulo?” – De pronto respondia: ” Sim, sou saopaulino”.
Quando descobri o tamanho da minha burrice, era mais fácil sustentar ser saopaulino a um ignorante fundamental.
Obs: acho que seria curinthianu por conta do meu pai se não fosse tão inepto.
bichin arretado.
Num se avexe, Sir.
Eu me tornei são-paulino por obra do meu pai, um são-paulino raíz e tricolor até a medula.
Ele era um fanático apaixonado.
Fez com que eu e meus irmãos nos tornássemos TODOS Tricolores…
E até alguns amigos da minha infância ele influenciou.
Tenho um super brother que é médico e mora hoje em Ribeirão Preto. Órfão de pai desde tenra idade, ele sempre dizia: “Cara, eu sou são-paulino por causa do MEU pai, mas me tornei fanático por causa do SEU pai….”
Até minha mãe, que era santista, virou a casaca. Kkkkkkk….
Meu pai falava do SP com orgulho e com uma paixão indescritível….
Convenceu um monte de gente.
O véinho era um sarro….