São Paulo e a intangível meta milionária de R$ 180 milhões
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O fechamento das principais janelas de transferências do futebol europeu, na última terça-feira, deixou o São Paulo em situação delicada no planejamento financeiro da temporada. Sem conseguir vender nenhum jogador para os grandes centros europeus, o clube vê se distanciar a meta orçamentária de arrecadar R$ 180,6 milhões com negociações de atletas até o fim do ano.
O caso Bobadilla
A principal esperança de venda para essa janela era o volante Bobadilla, convocado pela seleção paraguaia para a Copa do Mundo nos Estados Unidos. O jogador disputou quatro partidas no torneio, mas retornou ao São Paulo sem qualquer proposta concreta. O cenário piorou depois: Bobadilla lida com dores no joelho e entrou em campo apenas três vezes desde julho, o que reduz ainda mais o interesse de outros clubes por sua contratação.
Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Itália e outras ligas europeias de destaque encerraram suas janelas na última noite sem qualquer movimentação envolvendo o volante ou outros nomes do elenco tricolor.
Ainda há esperança em outros mercados
Nem tudo está perdido para o São Paulo neste quesito. Seguem abertas as janelas de Holanda, Bélgica, Turquia, Portugal, Arábia Saudita, Rússia e México, entre outros centros de menor expressão, que ainda podem se interessar por Bobadilla ou outros atletas do elenco nos próximos dias.
Por que a meta é tão alta
A projeção de R$ 180,6 milhões em vendas foi construída com base no desempenho do clube em 2025, quando o São Paulo arrecadou R$ 283 milhões com negociações de direitos econômicos — um salto expressivo em relação aos R$ 93 milhões obtidos em 2024. O problema é que, até agora, 2026 está muito longe de repetir esse patamar.
As maiores arrecadações da temporada seguem sendo as vendas de Rodriguinho, ao Red Bull Bragantino, por US$ 3 milhões (cerca de R$ 15,6 milhões na cotação da época), e de Ferraresi, ao Botafogo, por 3 milhões de euros (aproximadamente R$ 19 milhões). Segundo o balancete do segundo trimestre, o clube tinha, até 31 de maio, R$ 18,74 milhões arrecadados com negociações de atletas em 2026 — valor que ainda não reflete negociações fechadas depois da divulgação do relatório, como a própria venda de Ferraresi.
Saídas que não geraram caixa imediato
Além das vendas propriamente ditas, o São Paulo movimentou uma série de jogadores por empréstimo ou liberação gratuita nesta janela — casos que não ajudam diretamente na meta de arrecadação. Entre eles estão Alan Franco (emprestado ao Tigres, do México, por US$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões), Alisson (ao Fluminense), Negrucci (ao Athletic-MG), Moreira (liberado ao Al-Nasr), Gonzalo Tapia (ao Columbus Crew), Paulinho (ao União Torreense) e Dória (liberado).
O plano B financeiro
Com a arrecadação com vendas patinando, o clube já sinalizou onde busca alívio imediato de caixa: a aprovação do contrato com a Ticketmaster, que prevê a antecipação de R$ 140 milhões em receitas ligadas à gestão de ingressos do Morumbis. O acordo ainda depende de aval do Conselho Deliberativo — e, segundo apurações recentes, a própria diretoria do clube tem pressionado internamente para que a votação aconteça o quanto antes, já que o dinheiro é visto como essencial para colocar em dia compromissos como os direitos de imagem atrasados do elenco.
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Enquanto isso, renovações milionárias com jogadores sem potencial de revenda, contratações de jogadores comuns com salários de craques, pagamentos de multas para demissões de técnicos sem conexão com a realidade.