São Paulo vence ação milionária contra ex parceiro na Justiça

São Paulo vence nova batalha judicial contra a Feng e mantém contrato milionário com a Ticketmaster
Justiça nega pedido da antiga parceira para suspender nova parceria; clube receberá R$ 140 milhões até o fim do ano, enquanto processo seguirá em tramitação
O São Paulo conquistou mais uma vitória na disputa judicial com a Feng, empresa responsável pela gestão do programa Sócio Torcedor desde 2021. Na última sexta-feira, a Justiça voltou a negar um pedido da companhia para anular o contrato firmado pelo clube com a Ticketmaster, que assumirá a operação do programa de associados e a gestão de ingressos do MorumBIS a partir de 2027.
A decisão mantém, neste momento, os termos da nova parceria e impede que a Feng consiga suspender o acordo por meio de uma medida liminar. A empresa questiona a forma como o São Paulo conduziu o encerramento do vínculo e sustenta que teria direito de preferência para igualar uma eventual proposta concorrente.
O clube, por sua vez, argumenta que o contrato permite a rescisão unilateral, desde que respeitado o aviso prévio de 180 dias e o pagamento de uma compensação equivalente a 15% da receita bruta mensal. Na interpretação defendida pelo São Paulo, não existiria obrigação de oferecer à Feng a possibilidade de cobrir a proposta apresentada por outra empresa.
A Justiça voltou a acolher esse entendimento e rejeitou também o pedido para que os valores previstos no contrato com a Ticketmaster fossem depositados em juízo. Com isso, o São Paulo poderá receber os recursos estabelecidos no acordo, estimados em R$ 140 milhões até o fim de 2026.
São Paulo receberá R$ 140 milhões da Ticketmaster
A parceria com a Ticketmaster envolve duas operações financeiras distintas. A empresa pagará R$ 30 milhões pelo direito de utilização do camarote 29A do MorumBIS. Os outros R$ 110 milhões correspondem a uma antecipação de recursos, estruturada como empréstimo ao clube.
O São Paulo deverá devolver os R$ 110 milhões utilizando receitas futuras provenientes dos jogos realizados no estádio, com limite de pagamento de R$ 1,8 milhão por mês.
Além da operação financeira, a Ticketmaster ficará responsável pela gestão da venda de ingressos e pelo programa de sócio-torcedor. O acordo foi aprovado pelo Conselho Deliberativo e representa uma mudança relevante na estrutura comercial do clube.
A entrada dos recursos também tem peso no planejamento financeiro tricolor, especialmente diante da necessidade de reforçar o caixa e cumprir compromissos orçamentários.
Feng apresenta números e contesta encerramento da parceria
Após a nova decisão desfavorável, a Feng divulgou um posicionamento no qual defende o trabalho realizado desde 2021 e questiona a interrupção antecipada do contrato.
Segundo a empresa, durante sua gestão, a receita anual do programa de sócio-torcedor passou de R$ 7 milhões para mais de R$ 50 milhões. O ticket médio teria subido de R$ 31 para R$ 93,13, enquanto a base de associados cresceu de aproximadamente 12 mil para 44,6 mil integrantes.
A companhia afirma que sua atuação não se limitou ao fornecimento de tecnologia. Entre os projetos mencionados estão a reformulação dos planos, a implantação de um sistema de pontuação e experiências, a criação de critérios de prioridade para compra de ingressos e o desenvolvimento de ferramentas de inteligência sobre o comportamento dos torcedores.
A Feng também declarou ter estruturado, ao longo de 2026, um plano de evolução para 2027, que incluiria um aplicativo próprio do Sócio Torcedor, novos planos e ampliação dos benefícios. Outro projeto destacado foi o Data Lake do São Paulo, plataforma que, segundo a empresa, já reúne informações de mais de 1 milhão de torcedores e integra dados de associados, ingressos e comércio eletrônico.
A empresa afirma que a linha geral desse planejamento havia sido aprovada e que recebeu com surpresa a intenção de encerramento antecipado de uma parceria que, segundo seu comunicado, havia sido renovada aproximadamente um ano antes.
Disputa judicial ainda terá julgamento definitivo
Apesar das decisões favoráveis ao São Paulo, a disputa não está encerrada. A negativa da liminar significa que a Feng não conseguiu, neste momento, uma medida urgente para suspender o contrato com a Ticketmaster. O processo principal continuará tramitando até que haja julgamento definitivo.
A empresa também declarou que considera inadequada a divulgação de informações contratuais que classifica como sigilosas e afirmou estar adotando as medidas cabíveis nos foros competentes.
O caso coloca em lados opostos duas narrativas: de um lado, o São Paulo sustenta que exerceu uma prerrogativa prevista no contrato para encerrar a relação; de outro, a Feng defende que construiu resultados relevantes, preparava uma nova etapa do programa e não teve oportunidade adequada de apresentar alternativas.
Para o torcedor, a mudança vai além de uma disputa empresarial. A expectativa é que a nova operação consiga melhorar a experiência de compra de ingressos, o acesso ao MorumBIS, os benefícios oferecidos aos associados e a integração dos serviços do clube.
A vitória judicial mantém o caminho aberto para a chegada da Ticketmaster, mas o resultado definitivo da disputa com a Feng ainda dependerá do andamento do processo.
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