São Paulo: o fracasso de um sistema

GRUPO DE WHATSAPP: https://shortlink.uk/1rQK8  

https://www.youtube.com/@spfcsaopauloblog

crespo time treino

O grande erro do São Paulo foi ter interrompido, no início do ano, um trabalho que funcionava. Crespo havia deixado uma equipe organizada, competitiva e taticamente estruturada. Em vez de preservar esse projeto, o clube mudou o comando e, a partir daí, passou a construir o time cada vez mais em função de determinados jogadores e das hierarquias internas.

O problema atual não é apenas técnico. É estrutural.

O São Paulo criou um sistema arcaico, fracassado e desastroso, no qual jogadores como Luciano, Calleri, Pablo Maia, André e Ferreirinha e outros passaram a desfrutar de uma condição de segurança que reduz a competição por posições. O problema não é esses jogadores serem importantes; é quando a importância se transforma em cadeira cativa.

Quando o titular sabe que dificilmente perderá a posição, mesmo tendo atuações ruins, a cobrança diminui. Quando o reserva sabe que, por melhor que treine ou jogue, dificilmente terá oportunidade, a motivação desaparece. E quando o jogador da base percebe que seu desempenho não será suficiente para fazê-lo chegar ao time principal, o clube destrói justamente aquilo que deveria ser uma de suas maiores forças: a formação de talentos.

O resultado é um ambiente sem meritocracia.

O jogador não disputa apenas contra o adversário; precisa disputar contra uma hierarquia previamente estabelecida. E, quando essa hierarquia determina antecipadamente quem joga, quem fica no banco e quem sequer terá oportunidade, o elenco perde competitividade, confiança e motivação.

Foi exatamente por isso que a demissão de Crespo foi tão prejudicial: o clube não apenas trocou de treinador, rompeu uma estrutura que funcionava e abriu espaço para um modelo que passou a privilegiar indivíduos em detrimento do coletivo.

Hoje, o São Paulo precisa recuperar um princípio básico: ninguém pode estar acima do clube.

Nome, salário, experiência ou influência não podem garantir titularidade. O treinador precisa ter liberdade para escalar quem estiver melhor. A base precisa enxergar um caminho real para chegar ao profissional. O reserva precisa acreditar que pode conquistar sua posição. E o titular precisa saber que pode perdê-la.

Enquanto isso não acontecer, trocar treinador será apenas trocar o responsável pelo problema.

O sistema atual é arcaico, fracassado e profundamente prejudicial ao futebol do São Paulo. E, se além disso existirem práticas de corrupção ou favorecimento na administração, elas precisam ser investigadas e responsabilizadas pelos mecanismos competentes.

Porque um clube que coloca interesses individuais acima do projeto esportivo destrói a competição interna, desvaloriza a base, desmotiva os reservas e perde sua própria identidade. São Paulo precisa voltar a ser maior do que qualquer jogador, qualquer grupo e qualquer hierarquia.

Caso contrário, a Série B deixa de ser apenas um risco esportivo e passa a ser a consequência natural de um sistema que se recusa a mudar.

Autor: Desconhecido


Descubra mais sobre Blog do São Paulo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.