São Paulo quer R$ 9 milhões de ex patrocinadores na justiça

São Paulo cobra R$ 9 milhões na Justiça de ex-patrocinadores e tenta recuperar dinheiro de contratos rompidos
Tricolor move duas ações judiciais contra Vitória Cup e Blue Saúde por valores não recebidos. Uma das empresas reconhece pendências, enquanto a outra contesta a cobrança e tenta impedir a penhora de bens.
O São Paulo decidiu recorrer à Justiça para tentar recuperar aproximadamente R$ 9 milhões referentes a dois contratos de patrocínio encerrados e que, segundo o clube, deixaram valores pendentes. As cobranças envolvem a Vitória Cup e a Integra Assistência Médica, responsável pela marca Blue Saúde.
As duas disputas apresentam características diferentes, mas têm um ponto em comum: o Tricolor entende que não recebeu tudo o que estava previsto nos acordos comerciais e busca recuperar os recursos por meio de medidas judiciais.
As informações foram divulgadas pelo Terra, em reportagem de Henrique Machado, licenciado de Gávea News.
Vitória Cup: São Paulo cobra R$ 1,34 milhão
O primeiro processo envolve a Vitória Cup, que assinou contrato com o São Paulo em novembro de 2025 para estampar sua marca no calção do uniforme tricolor. O acordo previa pagamentos de R$ 3 milhões até o encerramento de 2026.
Entretanto, segundo a cobrança apresentada pelo clube, os repasses foram interrompidos depois da segunda parcela, de R$ 500 mil.
Em janeiro, o São Paulo suspendeu a exposição da marca. A organização alegou dificuldades financeiras relacionadas ao adiamento de partidas e, em maio, as partes chegaram a um entendimento para encerrar o contrato.
Na negociação, foi estabelecido um pagamento de R$ 500 mil, dividido em dez parcelas. O problema é que, segundo o Tricolor, nenhuma delas foi quitada.
Diante do descumprimento do acordo, o clube passou a cobrar judicialmente R$ 1,34 milhão, considerando os valores reivindicados, correção monetária e multa.
Até o momento, a Justiça determinou a citação dos devedores, mas a empresa ainda não apresentou defesa no processo.
Blue Saúde: cobrança chega a R$ 7,7 milhões
A segunda disputa envolve valores ainda maiores.
A Blue Saúde ocupava a parte traseira da camisa do São Paulo em um contrato firmado em 2024, com valor total de R$ 17,4 milhões.
De acordo com os números apresentados na ação, a empresa havia desembolsado R$ 9,2 milhões até abril de 2025. O Tricolor reivindica cinco parcelas pendentes, além de multa pelo rompimento contratual, custas processuais e honorários.
A cobrança total chega a aproximadamente R$ 7,7 milhões.
Entretanto, diferentemente do caso da Vitória Cup, a Blue Saúde contesta a versão apresentada pelo São Paulo.
A defesa da empresa sustenta que o clube também teria descumprido obrigações contratuais ao retirar a marca do uniforme apenas um dia depois de receber a notificação, sem respeitar o prazo de 14 dias previsto para regularização dos pagamentos.
Essa divergência está no centro da discussão judicial e será considerada na análise do processo.
São Paulo tenta garantir recebimento com penhora de bens
Na tentativa de assegurar o recebimento dos valores, o São Paulo identificou três aplicações financeiras da empresa, que somariam aproximadamente R$ 114 mil, além de dois veículos.
O clube busca medidas para garantir que existam recursos disponíveis caso a cobrança seja reconhecida judicialmente.
A Blue Saúde, por sua vez, tenta impedir a penhora das aplicações financeiras. A empresa argumenta que os valores representam reservas obrigatórias exigidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e, por isso, não poderiam ser utilizados para satisfazer a cobrança.
Os pedidos relacionados à constrição dos bens ainda aguardam decisão judicial.
Mais um capítulo da pressão financeira no São Paulo
As duas ações mostram que a recuperação de receitas comerciais também passa a fazer parte da estratégia financeira do São Paulo.
Em um cenário de compromissos elevados, dificuldades de fluxo de caixa e necessidade de reorganização das contas, recuperar valores de antigos contratos pode representar um reforço importante para o clube.
É importante destacar, porém, que os aproximadamente R$ 9 milhões representam valores reivindicados judicialmente, e não dinheiro já recuperado ou garantido ao Tricolor.
Os processos ainda dependem de decisões da Justiça, especialmente no caso da Blue Saúde, em que existe contestação sobre a responsabilidade pelo encerramento do contrato.
Para a atual administração, o desafio é transformar créditos comerciais em recursos efetivamente recebidos, sem depender exclusivamente de novas receitas ou antecipações de contratos.
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