Empresário sinaliza desistência de projeto de SAF com o São Paulo e critica falta de resposta

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Homem de terno preto e gravata amarela sentado em um sofá, falando, com uma camisa do São Paulo Futebol Clube ao fundo.

O empresário Diego Fernandes indicou que pode desistir de prosseguir com o projeto de estudo para uma possível Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no São Paulo.

Em um longo desabafo publicado nas redes sociais, Fernandes afirmou que encaminhou formalmente uma proposta ao clube após uma reunião, mas nunca recebeu resposta da diretoria.

Segundo o empresário, a situação se agravou depois que o presidente do São Paulo teria declarado a uma mídia especializada que ele nunca havia apresentado qualquer proposta.

“Depois da reunião que tivemos, encaminhamos formalmente ao São Paulo Futebol Clube uma proposta por e-mail. O clube nunca nos deu uma resposta”, afirmou.

Fernandes disse que publicou o e-mail enviado para comprovar a existência do contato. De acordo com seu relato, o documento continha a data, o conteúdo da proposta e o endereço eletrônico do presidente entre os destinatários.

Empresário acusa falta de diálogo

Diego Fernandes afirmou que, depois da troca de mensagens, o São Paulo não retomou as conversas.

Ele também contou que convidou o presidente do clube para acompanhá-lo em dois jogos da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo, em um camarote ao lado de investidores e empresários estrangeiros. Segundo Fernandes, o convite não foi aceito e não houve nova tentativa de diálogo.

“Eu tentei fazer algo pelo clube. Expus-me, coloquei minha reputação e meus relacionamentos à disposição, não pedi cargo, não pedi remuneração”, escreveu.

O empresário afirmou que se sentiu criticado por torcedores, conselheiros e pessoas ligadas ao próprio São Paulo, apesar de, segundo ele, ter tentado contribuir sem pedir contrapartida financeira ou posição na estrutura do clube.

Crítica à cultura do São Paulo

Na avaliação de Fernandes, o principal problema do São Paulo não é apenas financeiro. Ele apontou questões relacionadas à cultura institucional, à governança e à resistência a mudanças.

“É uma questão de cultura, governança, egos, vaidades e incapacidade de reconhecer a dimensão da situação em que o clube se encontra”, declarou.

Em tom duro, o empresário comparou a gestão do clube a uma versão trágica de “Os Trapalhões”. A frase foi utilizada para criticar o que considera falta de articulação e de capacidade de execução nos bastidores.

Fernandes também afirmou que o São Paulo perdeu parte da capacidade de mobilizar pessoas influentes e investidores em torno de um projeto de longo prazo.

Comparação com famílias tradicionais

O empresário comparou o São Paulo a famílias tradicionais que preservam o orgulho do sobrenome mesmo depois de perder patrimônio e influência.

História é motivo de orgulho, mas não substitui competência, gestão, capital, relacionamento e capacidade de execução”, afirmou.

Para Fernandes, a história vitoriosa do São Paulo não será suficiente para garantir a recuperação do clube caso a instituição não consiga modernizar sua gestão.

Ele defendeu uma mudança de mentalidade e afirmou não enxergar um futuro promissor se o modelo atual continuar.

Projeto de SAF não avançou

Até o momento, não há indicação pública de que o São Paulo tenha aprovado um projeto de transformação em SAF ou iniciado formalmente um processo de venda de participação do futebol.

O relato de Fernandes aponta para uma fase preliminar de estudos e apresentação de proposta. Como o clube não teria respondido ao material enviado, o projeto não avançou para etapas formais de análise, negociação ou votação.

Uma eventual SAF dependeria de estudos financeiros e jurídicos, aprovação dos órgãos internos e definição sobre o modelo de controle, os investimentos e o tratamento das dívidas. Não existe, com base no relato apresentado, acordo definitivo assinado.

Porta continua aberta

Apesar das críticas, Fernandes afirmou que continua torcendo pelo São Paulo e que estaria disposto a conversar novamente no futuro.

“Eu sou e continuarei sendo são-paulino. Se o São Paulo estiver disputando a Libertadores ou a Série D, continuará sendo o meu time de coração”, escreveu.

O empresário concluiu dizendo que, caso o clube volte a procurá-lo de forma séria e disposto a discutir mudanças estruturais, ele ainda poderá ouvir a proposta.

“Porque as pessoas passam. O São Paulo fica.”

São Paulo ainda não se manifesta

Até o momento, não há manifestação pública do São Paulo sobre as declarações de Diego Fernandes, a proposta mencionada ou o suposto projeto de estudo para uma SAF.

Também não está claro se a diretoria pretende retomar o diálogo ou se considera encerradas as conversas.

O episódio aumenta a pressão sobre a administração tricolor, que enfrenta dificuldades financeiras, atrasos com jogadores e divergências políticas internas. A eventual entrada de capital externo continua sendo discutida nos bastidores, mas não há confirmação de um projeto concreto em andamento.

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