Meio Bilhão recusado pelo São Paulo em concorrência levanta questionamentos

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A escolha do São Paulo pela Ticketmaster como nova gestora de ingressos do Morumbis não foi consenso fácil dentro do clube — e a decisão de recusar a proposta concorrente, da empresa NewC, que chegou a mencionar a possibilidade de movimentar até R$ 500 milhões, gerou questionamentos. Em nota divulgada nesta quarta-feira, o presidente Harry Massis detalhou os motivos que levaram a diretoria a optar pelo acordo com a Ticketmaster.

A crítica à criação da comissão

Massis criticou publicamente a decisão de Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, de montar uma comissão para reexaminar o contrato com a Ticketmaster — acordo que já havia sido aprovado, por unanimidade, pelo Conselho de Administração do clube. Segundo o dirigente, a urgência da situação financeira do São Paulo não comporta esse tipo de atraso: em áudio vazado na última terça-feira, o próprio presidente já havia afirmado que o clube não terá como pagar suas contas até o fim do ano caso o contrato não seja aprovado.

O que a NewC ofereceu, afinal

A primeira proposta enviada pela NewC ao São Paulo previa a captação de R$ 90 milhões via Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), pagamento de R$ 13 milhões pelo camarote 29A, contrato de cinco anos com custo de até CDI mais 5,5% e participação de 10% nos resultados de operações fora dos dias de jogo, entre outros pontos.

Posteriormente, segundo o São Paulo, a empresa apresentou apenas uma “apresentação comercial” — não uma nova proposta formal —, que incluía a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) ainda dependente de captação, estruturação de dívida para liquidar o passivo bancário do clube e previsão de captação de até R$ 500 milhões, condicionada à adesão de investidores. Como garantia, essa apresentação vinculava o direito de superfície do Morumbis e receitas de publicidade do estádio, incluindo naming rights, locações, camarotes e concessões.

Por que o São Paulo recusou

Na avaliação do clube, essa apresentação da NewC não se enquadrava nos limites do edital de concorrência — o próprio São Paulo admite tê-la ouvido fora do processo formal, entendendo-a mais como uma proposta de reestruturação financeira ampla do que como uma simples gestão de ingressos.

O principal ponto de resistência foi o uso do Morumbis como garantia: o clube avalia que se comprometer dessa forma representaria um risco alto por pelo menos dez anos, ou até a recuperação total do investimento — cenário considerado incompatível com a situação financeira atual do São Paulo, com risco de perda de poderes sobre o próprio estádio. Outro ponto que pesou contra a proposta foi o risco identificado para uma eventual transformação do clube em SAF no futuro: nesse cenário, investidores vinculados ao fundo da NewC não teriam mais direito às receitas de exploração do Morumbis, diferentemente do que ocorre no acordo firmado com a Ticketmaster, que preserva o estádio fora de garantias contratuais mesmo em uma possível SAF.

Também pesou contra a proposta o fato de que, até a liquidação da operação, todas as receitas do Morumbis deixariam de ser administradas pelo próprio clube, sendo direcionadas como garantia ao fundo.

O papel da Lu Arenas na polêmica

Harry Massis também citou nominalmente, em sua nota, a participação da empresa Lu Arenas, presidida por Bruno Balsimelli, como intermediária do possível acordo com a NewC — um dos fatores que, segundo o dirigente, pesou contra a continuidade das negociações. Massis afirmou que representantes ligados à empresa optaram por pressionar o clube e promover a circulação de informações que, segundo ele, não correspondem aos fatos, em vez de conduzir o tema pelos canais institucionais.

O presidente do São Paulo também citou, em sua nota, um histórico da Lu Arenas: segundo ele, a empresa teve a concessão da Arena Independência extinta pelo Governo de Minas Gerais, que declarou a caducidade do contrato por descumprimento de obrigações da concessionária, com valores não repassados ao poder público, desde 2015, que somariam cerca de R$ 36 milhões, segundo comunicado do próprio governo estadual citado por Massis. A participação da empresa, segundo o dirigente, também foi apontada pela área de Compliance do clube como um obstáculo à continuidade das negociações.

Os termos da proposta vencedora

A proposta aceita pelo São Paulo prevê a antecipação de R$ 110 milhões em até 45 dias após a assinatura, na forma de empréstimo a ser devolvido em cinco anos, com juros de CDI mais 1,99%. A gestão do camarote 29A também passa para a Ticketmaster por cinco anos, mediante pagamento de R$ 30 milhões logo após a assinatura. O acordo inclui ainda R$ 6 milhões para a reforma do Museu do São Paulo e a transferência da gestão do sócio-torcedorhoje administrado pela empresa Feng — para a própria Ticketmaster, com a expectativa de redução de custos operacionais ao concentrar os dois serviços em um só fornecedor. Como taxa de administração, a empresa cobrará até 10% por ingresso (8% em entradas físicas) e 8% por associado do sócio-torcedor.


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