São Paulo afunda e torcedores fazem pergunta incômoda: por que jogadores são cobrados e presidente, conselheiros não?

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Organizadas foram ao CT da Barra Funda cobrar jogadores, diretor e técnico, mas não houve protestos no Morumbi contra presidente, dirigentes e conselheiros

O São Paulo atravessa um dos momentos mais delicados de sua temporada, mas uma pergunta começa a ganhar força entre os torcedores: por que a cobrança está concentrada no futebol, enquanto presidente, dirigentes e conselheiros não são alvo de protestos presenciais no Morumbi?

Depois da derrota para a Chapecoense, as torcidas organizadas Independente, Dragões da Real e Falange Tricolor foram ao CT da Barra Funda e conversaram com jogadores, diretor e técnico. A cobrança aconteceu em um momento no qual o elenco também enfrenta, segundo manifestação das próprias organizadas, problemas relacionados a salários atrasados.

Mas há um contraste que chama atenção.

Enquanto jogadores e comissão técnica são diretamente cobrados, o clube social, o presidente e os conselheiros permanecem longe de manifestações semelhantes no entorno do Morumbi.

Cobrança chega ao CT, mas não às alamedas do Morumbi

A movimentação das organizadas na Barra Funda deixou claro que existe insatisfação com o desempenho do time.

O problema é que parte significativa da crise do São Paulo não está necessariamente restrita ao gramado.

As próprias torcidas, em nota conjunta divulgada recentemente, fizeram críticas duras à administração do clube e afirmaram que pretendem cobrar conselheiros e grupos políticos.

Na prática, porém, a cobrança presencial mais visível continua concentrada no departamento de futebol.

O contraste é evidente: o jogador pode ser cobrado no CT, enquanto quem toma decisões administrativas e políticas no clube não enfrenta o mesmo tipo de pressão pública.

Salários atrasados também entram na discussão

Um dos argumentos apresentados pelas organizadas é justamente a situação financeira do elenco.

Segundo a nota conjunta, os jogadores estão novamente com salários atrasados, com o débito chegando, segundo as torcidas, a aproximadamente 90 dias.

Ainda conforme o manifesto, os atletas teriam optado por não levar publicamente a situação à imprensa para evitar um agravamento ainda maior do ambiente.

Se essa informação for confirmada pelo clube, trata-se de uma questão que ultrapassa o desempenho esportivo.

A pergunta passa a ser: até que ponto é razoável responsabilizar exclusivamente os jogadores por uma crise na qual eles próprios também seriam afetados por problemas administrativos?

E quem cobra presidente e conselheiros?

É justamente nesse ponto que surge a principal crítica.

Se existe insatisfação com o São Paulo, por que a pressão presencial não alcança também quem administra o clube?

A estrutura política do São Paulo envolve presidente, diretoria, Conselho Deliberativo, Conselho de Administração e diferentes grupos políticos.

São essas instâncias que participam de decisões estratégicas relacionadas a orçamento, contratos, gestão, futebol e futuro institucional.

Ainda assim, não há o mesmo tipo de mobilização pública direcionada a esses setores.

O torcedor pode questionar, portanto, se existe uma espécie de desequilíbrio na distribuição da cobrança.

As sedes das organizadas estão praticamente ao lado do Morumbi

O questionamento ganha ainda mais força por uma questão geográfica.

As principais torcidas organizadas possuem sedes na região do Morumbi, próximas ao estádio e às estruturas administrativas do São Paulo.

Ou seja, não existe uma barreira física significativa para que uma manifestação seja realizada também nas proximidades do clube social e dos locais onde estão os dirigentes e conselheiros.

Se a cobrança aos jogadores pode acontecer diretamente no CT da Barra Funda, por que uma mobilização semelhante não ocorre diante da administração do clube?

Essa é uma pergunta que começa a circular entre torcedores.

Não se trata de defender os jogadores de críticas

É importante separar as coisas.

O São Paulo tem apresentado resultados ruins no Campeonato Brasileiro e a comissão técnica e os jogadores precisam, evidentemente, responder pelo desempenho dentro de campo.

A torcida tem todo o direito de cobrar empenho, resultados, postura e futebol.

Mas existe uma diferença entre cobrar o rendimento esportivo e transformar jogadores e treinador nos principais responsáveis por todos os problemas do clube.

Quando existem questionamentos relacionados a salários atrasados, decisões administrativas, contratos e gestão financeira, a responsabilidade precisa ser discutida também fora das quatro linhas.

O São Paulo precisa de cobrança em todas as áreas

O momento atual exige uma discussão mais ampla sobre responsabilidade.

Se o time está mal, os jogadores precisam ser cobrados.

Se o treinador erra, o treinador precisa ser cobrado.

Se o diretor de futebol toma decisões equivocadas, o diretor precisa responder por elas.

Mas se existem problemas administrativos, financeiros e políticos, presidente, diretoria e conselheiros também precisam prestar contas.

Não parece coerente exigir responsabilidade apenas de quem entra em campo enquanto os responsáveis pelas decisões estruturais permanecem distantes da pressão popular.

“15 jogos que valem 96 anos”

A própria nota conjunta das organizadas adotou o lema “15 jogos que valem 96 anos”, em referência à história do São Paulo e à necessidade de evitar o primeiro rebaixamento do clube no Campeonato Brasileiro.

As torcidas anunciaram união para apoiar o time durante os jogos restantes.

Essa postura pode ser importante para o elenco.

Mas apoiar o São Paulo dentro do estádio não significa necessariamente deixar de cobrar quem administra o clube.

É possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

A torcida pode empurrar o time durante os 90 minutos e, fora deles, exigir transparência de quem ocupa cargos de poder.

A pergunta que fica para a torcida

O São Paulo não chegou a esta situação apenas por causa de uma derrota para a Chapecoense.

O resultado é consequência de uma sequência de problemas esportivos e administrativos que precisam ser analisados em conjunto.

Por isso, a discussão que começa a ganhar espaço entre os torcedores é simples:

por que a cobrança é tão forte contra jogadores e treinador, mas não existe a mesma pressão sobre presidente, dirigentes e conselheiros?

Se o objetivo é realmente salvar o São Paulo, talvez seja necessário cobrar todos os responsáveis, em suas respectivas áreas.

Porque o clube não é apenas o time que entra em campo.

O São Paulo é também a instituição, sua administração, seu conselho e todas as pessoas que tomam decisões em seu nome.

E, quando a crise chega a esse nível, a cobrança seletiva deixa de ser suficiente.



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