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Nas últimas semanas, muito se tem discutido sobre as mudanças no elenco do São Paulo Futebol Clube. O volume de saídas de jogadores tem sido consideravelmente maior do que o de chegadas, com uma diferença superior a seis vezes. Soma-se a isso o fato de que o calendário do futebol brasileiro é extenso e exigente. Tudo isso é verdade, mas alguém que gere um clube, especialmente com dificuldades financeiras, precisa olhar muito além dos números imediatos.

Vamos aos fatos: no futebol brasileiro, existem dois períodos para contratações de jogadores, um no início do ano e outro no meio do ano. Historicamente, a janela de início de temporada sempre foi considerada a mais importante, pois era o momento de montar o time que disputaria os principais campeonatos. Isso fazia ainda mais sentido quando competições como a Libertadores e a Copa do Brasil eram decididas até o meio do ano. Assim, o time precisava iniciar a temporada já “voando”.

No entanto, o cenário mudou. As competições agora se estendem ao longo de todo o calendário, especialmente as fases decisivas, que ocorrem no segundo semestre. Isso altera completamente a dinâmica de montagem e gestão de elenco.

Pensemos em 2024: o São Paulo disputou 68 jogos no total, sendo 35 até 30 de junho. Isso pode parecer impressionante – mais da metade da temporada! – mas é importante observar a natureza desses jogos. Desses 35, 13 foram pelo Campeonato Paulista, 6 pela fase de grupos da Libertadores, 2 contra adversários modestos na Copa do Brasil, 1 pela Supercopa do Brasil e 13 pelo Campeonato Brasileiro.

Perceba que, apesar do número elevado de partidas, os desafios do primeiro semestre são mais equilibrados. Há uma boa intercalação entre clássicos regionais e jogos contra times de menor expressão. Mesmo na Libertadores, a fase de grupos apresenta adversários mais acessíveis. O verdadeiro problema do calendário brasileiro surge em agosto e setembro, meses em que as fases eliminatórias da Copa do Brasil e da Libertadores se intensificam, junto com a sequência desgastante do Brasileirão.

E é exatamente aí que entra o ponto central: para um clube em reestruturação financeira e com limitações para contratações, faz sentido iniciar a temporada com um elenco mais enxuto. Este é o momento ideal para testar jovens talentos das categorias de base, experimentar formações táticas e avaliar o desempenho do grupo. Essa estratégia permite que, no meio do ano, com uma visão mais clara, o clube tome decisões mais assertivas.

Os garotos da base são suficientes? Onde estão as principais carências? O time progrediu nas competições? Quais são as reais ambições para a temporada? Essas perguntas devem guiar os reforços da janela de meio de ano, garantindo que as contratações atendam aos objetivos estratégicos do clube.

O propósito deste texto é tranquilizar os são-paulinos, que, como eu, adoram ver novos jogadores chegando ao clube. Sim, é emocionante quando contratamos craques. Sim, é ótimo ter três opções por posição. Mas, se não é possível ter tudo isso, aproveitemos para valorizar e testar os talentos que já temos. Quem sabe um novo ídolo não surge da base, como tantos outros que já fizeram história com a camisa tricolor?

A paciência é uma virtude, e o planejamento bem feito é uma ponte para o sucesso. Confiemos no trabalho e sigamos apoiando o São Paulo Futebol Clube. Afinal, como diz o lema: “Aqui é trabalho!” Por: Daniel Menezes


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