
Carlos Belmonte, diretor de futebol do São Paulo, vem promovendo o conceito de Moneyball como uma abordagem inovadora para contratações no clube. Baseada em dados estatísticos para identificar jogadores subvalorizados, a estratégia já foi revolucionária no beisebol, mas apresenta sérias limitações no futebol brasileiro atual, especialmente quando analisada sob uma lente crítica e contextual.
Beisebol e Futebol: Esportes Muito Diferentes
O Moneyball foi concebido no beisebol, onde o impacto de um jogador é amplamente mensurável por estatísticas individuais, como home runs ou bases conquistadas. Isso contrasta com o futebol, que é essencialmente coletivo. A performance de um jogador depende de um sistema tático, de colegas bem posicionados e de variáveis intangíveis, como adaptação e moral da equipe.
Ignorar essas diferenças ao tentar importar o modelo do beisebol para o futebol é desconsiderar a essência do esporte, que depende muito mais de sinergia coletiva do que de talentos isolados.
Artilheiros de Equipes Rebaixadas
A busca por jogadores de equipes rebaixadas como “oportunidades de mercado” também precisa ser analisada com cuidado. Casos como Dill, artilheiro do Brasileirão de 2000 pelo Goiás, e Dimba, líder em 2003 pelo mesmo clube, ilustram como o contexto pode enganar. Ambos brilhavam em cenários específicos, mas enfrentaram dificuldades ao tentar replicar o desempenho em times de maior expressão, como São Paulo e Flamengo.
Isso reforça que boas estatísticas individuais não garantem sucesso em situações diferentes, por exemplo, jogar em um time que controla o jogo exige uma série de requisitos e jogar em um time que contraataca exige outros atributos totalmente diferentes.
Um Conceito Datado
Quando Billy Beane revolucionou o beisebol com o Moneyball, ele estava à frente de seu tempo. Usar dados e métricas avançadas para encontrar talentos era algo inovador. Contudo, o cenário esportivo mudou drasticamente nas últimas duas décadas. Hoje, praticamente todos os clubes, sejam de futebol ou de outros esportes, contam com departamentos de scout altamente capacitados e sistemas avançados de análise de dados.
Portanto, o que era uma inovação em 2002 pode ser apenas o básico em 2024. Adotar o Moneyball agora, sem levar em conta o contexto atual, pode ser comparado a implementar uma estratégia já amplamente conhecida e usada pelos concorrentes, mas sem nenhuma garantia de sucesso.
Um Discurso para Justificar Restrições
Mais do que uma estratégia inovadora, o Moneyball tem se tornado uma narrativa conveniente para justificar limitações financeiras. Clubes com orçamentos reduzidos usam o discurso de eficiência para explicar contratações de jogadores mais baratos ou vindos de clubes menores. Essa abordagem pode funcionar em curto prazo, mas dificilmente sustenta resultados consistentes sem um plano de longo prazo que inclua investimentos em estrutura e no coletivo.
Um Modelo Sem Garantias
Mesmo no beisebol, o Moneyball não foi sinônimo de títulos. O Oakland Athletics, protagonista da história, se destacou pela competitividade, mas nunca conquistou o campeonato. No futebol, um esporte ainda mais imprevisível e dependente de fatores externos, o risco de insucesso ao aplicar essa estratégia pode ser ainda maior.
Conclusão
O Moneyball pode ter sido revolucionário em seu tempo, mas sua aplicação no futebol brasileiro atual parece mais um discurso reciclado do que uma solução real para os desafios do esporte. Com um cenário cada vez mais competitivo, é preciso ir além de discursos prontos e adotar abordagens que considerem a complexidade do futebol, seu caráter coletivo e as especificidades de cada contexto.
Texto: Daniel Menezes enviado no Blog do São Paulo
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eu acho que o problema nem é esse, mas nao ter pessoas capacitadas para escolher quem contratar, alem de nao ter dinheiro e gastar tudo contratando so reservas de qualidade duvidosa por valores estratosfericos!
Tbm acho. Tem que usar as estatísticas, mas sempre procurando jogadores que combinem ao estilo de time proposto pelo técnico. O James Rodrigues é um ótimo jogador de passe e construção, mas ruim para demais taticamente e na defesa. Se quiserem um jogador mais equilibrado, só ver nas estáticas. Quer um jogador construtor, mais mais veloz e mais inteligentes na parte tática, veja as estáticas em um campeonato de alto nível. Não vá na série c e d, por exemplo. Nem na série B é interessante
Quando o dono do texto começa falando que o Belmonte é o cara que esta usando o conceito de Moneyball, destrói todo restante do texto.
Próprio Botafogo campeão da Libertadores e Brasileirão conseguiu sucesso com vários jogadores desconhecidos que possivelmente recebem salários tímidos. E isso desde o ano passado quando bateram na trave.
Ontem comentei para lerem as declarações de Belmonte em junho/23 sobre James Rodríguez.
Segundo este “jenio”, James era o Pelé na seleção colombiana, mas no SPFC ele não encaixava por ser um futebol mais pegado e intenso, fora das características do jogador.
Como nosso Moneyball pode dar certo, se algo tão claro no histórico desse jogador, os caras não conseguiram prever?
É a prova que as contratações são meio que no chutômetro.
Ontem comentei para lerem as declarações de Belmonte em junho/23 sobre James Rodríguez.
Segundo este “jenio”, James era o Pelé na seleção colombiana, mas no SPFC ele não encaixava por ser um futebol mais pegado e intenso, fora das características do jogador.
Como nosso Moneyball pode dar certo, se algo tão claro no histórico desse jogador, os caras não conseguiram prever?
É a prova que as contratações são meio que no chutômetro.
E parece que vai pelo mesmo caminho com o Oscar.
Oscar é um James Rodriguez que fala português e vai custar mais caro.
Na mosca. Oscar já se arrasta a alguns anos. Pelo amor de Deus. Se ele esta insistindo em vir pro São Paulo, possivelmente porque Internacional e depois o Flamengo já recusaram ele.
Caso São Paulo não queira o Oscar, amanhã é possível que ele apareça no Cruzeiro e beijando escudo e dizendo que sempre sonhou em estar lá.
Esse tem cara de ser o Jaiminho Fadiga 2.0. Tem todas características.
Seria bom pergunta pro Botafogo. Vocês tem interesse no Oscar? Se falarem que não, fuja. Eles saltaram de banda com o Jaiminho Fadiga que habla e no final apareceu no São Paulo e vimos no que deu.
Daniel Rodriguez PERFEITO ! ou seja é MUITO SIMPELS e não precisar ser MUITO INTELIGENTE né. Mas quando o DIRETOR de Futebol é ISSO TUDO o que podemos esperar de positivo ?
Belmonte é tão amador e transmite tanta ignorância no setor que, sem autocrítica, ele é incapaz de enxergar o papel ridículo como imagem do clube. Vai desde encher a boca no triênio pra falar constantemente de moneyball, mas entender patavinas da coisa, até mentir prazos ou dizer que jogador entende salário atrasado. É realmente triste que o futebol do SPFC seja representado por esse tipo de pessoa. A importância dele é tão grande que o Casares tem que voltar da Europa pra falar sobre a utilização da base com o treinador sendo que o diretor está no dia-a-dia e, segundo o próprio, conversa todo pós-treino com o Zubeldia.
Ele tenta transparecer que é estratégico, trabalha pra caramba, se autoproclama excelente gestor, mas pra 9 entre 10 torcedores ele só passa a imagem de um cara ultrapassado e que é carregado pelo grupo político. Praticamente tudo o que precisou da atuação estratégica dele foi lento, após reclamações ou nem foi feito. Eu diria “até quando isso?” mas eu sei que vai até o fim da gestão Casares, e espero que não continue depois.
O texto é de uma clareza e pertinência elogiáveis, e argumenta bem sobre o quanto “moneyball”, particularmente no São Paulo, não passa de um discurso infame e sem sustentação na realidade, de cartola incompetente como esse tal de Belmonte. Se o São Paulo depender da “criatividade” demostrada pelo departamento de futebol na última janela de contratações, com a chegada de jogadores que pouco ou nada agregaram ao elenco, desperdiçando o pouco dinheiro que o Clube não tem, preparemo-nos pra grandes e nada agradáveis emoções!
Se o Belmonte realmente quisesse acabar com o rombo, encerraria todos os contratos possíveis de veteranos, diminuiria a folha de pagamento em 2/3 sem contratar mais ninguém que não fosse extremamente oportuno.
Focaria 100% no Brasileirão para não ser rebaixado. Faria promoção de ingressos para lotar o estádio por toda a temporada.
E colocaria o técnico do sub20 para treinar o time profissional.
Belmonte me lembra aquela antiga marca de cigarro.
Enquanto ele estiver lá, o SPFC vai continuar levando fumo.
E faz mal à saude.
São Paulo na final do sub 12 contra o Palmeiras
São Paulo 2 x Corinthians 0
Concordo com a maioria do que diz o artigo. E principalmente com o que fala sobre que usar dados e análise de desempenho não é mais inovação hoje em dia como era em 2002. E simplesmente o básico que todo mundo deveria estar fazendo. O São Paulo finalmente está acordando pra esse básico, 20 anos depois.
O “moneyball” é uma ferramenta de análise e entendimentode cenários. Se por um lado não pode descrever com fidedignidade o jogo de futebol por completo, pode sim indicar padrões a serem observados para se avaliar jogadores: sejam da própria equipe, sejam de terceiros. A questão é saber fazer bom uso do instrumento, portanto, voltamos a questão do papel dos gestores de futebol – são estes que devem saber fazer bom uso para montar o elenco para as competições do ano.
Treinador e jogadores resolvem situações dentro de campo com estratégia e desempenho, fora dele precisamos contar com o planejamento de futebol para dar tudo certo.
É como já falei outras vezes: caderninho do Zito > dados/scouts.
Usar e manipular dados é fácil (uma das minhas áreas) a questão é saber o que fazer com eles. No contexto do futebol, necessariamente, tem que se buscar uma sinergia entre modelo de jogo do treinador + perfil do atletas + perfil do novo atleta (mais o nível de intensidade do atleta de da liga). Isso sem entrar na questão da “mentalidade”, o Lugano disse que o Marcelo o contratou sem nunca tê-lo visto jogar, apenas por uma entrevista comum de emprego. Não é difícil analisar se o cara é “bom da cabeça” ou não.
Outro fator: os dados são singulares. Uma vez em que o cenário seja, por exemplo: um time que jogue retrancado e sem a posse de bola, obviamente o volante desse time tende a ter mais desarmes, pois o time adversário retém mais a posse, e assim sendo, aumenta o fator desarme do adversário. O mesmo se dá por passes certos/errados, dribles e afins. Todas essas variáveis dependem do perfil do jogo, do time e etc. Em suma, você trás o “rei do desarme” ou o “melhor cabeceador” e ele pode ter 0 sinergia com o time e elenco. Enfim, ainda há o nível da liga e etc.
Bom, para finalizar o scouting no futebol não se resume apenas há buscar jogadores na “Deep Web futebolesca” (sei que não foi tópico do Daniel, mas quis falar :P). Há análises descritivas como taxa de acerto de pênalti em tal goleiro (onde bater); em tal parte do campo o que fazer (se estiver na linha de fundo e cruzar na meiuca há mais chances do que no segundo pau), na zona 14 se o desenho estiver “x” chuta, se “y” arrica um passe; posicionamentos em escanteios e faltas; melhores momentos para driblar e etc. Em suma, há essa padronização que tem sua efetividade, porém eu noto que acaba sendo um fator que diminui a criatividade dos jogadores. Por isso que em linhas gerais eu prefiro a intuição do Zito que 10 moleques puxando dados o dia todo, pois no final tem que ter “as manhas”. E o mesmo vale para os jogadores, é legal receber dados de como agir em determinadas situações, porém o cara tem que jogar no instinto em última instância.
Sem querer criticar muito, pois o texto até é bem escrito, mas esse cara não leu o livro Moneyball deve ter visto o filme apenas.
Billy Beane não foi o primeiro a usar dados, era um movimento que vinha desde os anos 60.
O que foi inovador foi acreditar no modelo do Paul DePodesta de utilizar scouts subvalorizados para escolher jogadores aparentemente ruins, mas que entregavam resultado.
Veja que Dill e Dimba não cabem nesse conceito – ambos foram encontrados tendo o scout óbvio, e foram disputados por grandes.
O conceito do Moneyball vai justamente no caminho contrário: achar jogadores que ninguém quer, provavelmente com os scouts óbvios ruins, porém com algum scout que o mercado em geral não valoriza.
Concordo que no futebol isso é MUITO mais difícil (é de fato coletivo), mas o conceito do Moneyball aqui explanado está errado.
O Moneyball da gestão atual: Galoppo, Nikao Jamal Lewis, Orejuela, Santi Longo, James Rodriguez, Rai Ramos, Ruan Tressoldi, Andres Colorado…
E deficit de 190 milhões de reais. Parabéns aos envolvidos.