Proposta Ticketmaster x Proposta NewC: Quanto a mais, o que foi oferecido de diferente e qual escopo licitatório?
GRUPO DE WHATSAPP: https://shortlink.
https://www.youtube.com/@spfcsaopauloblog

O edital publicado pelo São Paulo para escolher a nova empresa responsável pela bilheteria e pelo controle de acesso ao Morumbis estabeleceu uma disputa baseada em quatro critérios, cada um com um peso diferente na nota final.
E foi justamente nos dois itens de maior peso que a Ticketmaster levou vantagem sobre a NewC: a antecipação de receitas e o valor oferecido pelo camarote corporativo.
Quatro critérios definiram a concorrência
O edital dividiu a avaliação das propostas em quatro lotes:
1. Prestação dos serviços de bilheteria e controle de acesso — peso de 20%
Foi avaliada a proposta relacionada às condições e à prestação dos serviços de tiqueteira, incluindo a operação de bilheteria e controle de acesso.
2. Antecipação de receitas — peso de 40%
Este foi o item de maior peso na avaliação. Entraram na análise o valor oferecido e as condições da antecipação de receitas.
3. Exploração de camarote corporativo — peso de 35%
O segundo critério mais importante foi o valor a ser pago pela exploração de um camarote corporativo.
4. Repasses por exploração em dias sem jogos — peso de 5%
O último item avaliava as ofertas de repasses relacionados à exploração do estádio em dias sem partidas.
Na prática, portanto, 75% da nota estava concentrada em dois fatores financeiros: antecipação de receitas e camarote corporativo.
Ticketmaster ofereceu R$ 110 milhões de antecipação
Na antecipação de receitas, a Ticketmaster apresentou uma proposta de R$ 110 milhões.
A NewC havia apresentado inicialmente R$ 90 milhões.
Existe um detalhe importante nesse ponto: segundo as informações apresentadas, a NewC chegou a questionar dirigentes do São Paulo sobre qual seria o valor pretendido para a antecipação. Os R$ 90 milhões oferecidos pela empresa teriam partido de uma sugestão da própria diretoria financeira do clube.
Mesmo assim, na proposta final considerada na concorrência, a Ticketmaster colocou R$ 20 milhões a mais que a NewC nesse quesito.
Comparação
| Critério | Ticketmaster | NewC | Peso |
|---|---|---|---|
| Antecipação de receitas | R$ 110 milhões | R$ 90 milhões | 40% |
| Camarote corporativo | R$ 30 milhões | R$ 13 milhões* | 35% |
| Serviços de bilheteria/controle | Critério técnico | Critério técnico | 20% |
| Dias sem jogos | Proposta específica | Proposta específica | 5% |
* A proposta da NewC poderia chegar a R$ 30 milhões dependendo do acesso a ingressos de shows.
Ticketmaster também venceu no camarote
O outro grande diferencial financeiro foi o camarote corporativo.
O edital estabeleceu R$ 30 milhões por cinco anos como valor pedido para a exploração do espaço.
A Ticketmaster ofereceu exatamente os R$ 30 milhões.
A NewC apresentou inicialmente R$ 13 milhões, embora pudesse elevar esse valor até R$ 30 milhões dependendo do acesso a ingressos de shows.
Portanto, considerando a proposta apresentada na concorrência, a diferença foi de R$ 17 milhões em favor da Ticketmaster.
O ponto que gerou a principal reclamação da NewC
É justamente nesse item que aparece uma das principais controvérsias levantadas pela NewC.
Segundo a crítica apresentada, o valor do camarote inclui ingressos para jogos de futebol, mas não inclui ingressos para shows.
O edital determina que os ingressos para shows poderiam ser adquiridos diretamente com a produtora dos eventos, seguindo as regras e procedimentos estabelecidos por ela.
O problema apontado pela NewC é que a produtora dos shows no Morumbis é a Live Nation, empresa controladora da Ticketmaster.
Na visão da empresa concorrente, isso poderia criar uma situação em que a Ticketmaster teria facilidade para obter ingressos de shows de uma empresa pertencente ao seu próprio grupo econômico.
São Paulo tem outra interpretação sobre o camarote
A diretoria do São Paulo, porém, sustenta que os R$ 30 milhões estabelecidos para o camarote foram calculados exclusivamente com base nos jogos de futebol.
Dentro do clube, uma eventual vantagem da Ticketmaster na obtenção e exploração de ingressos para shows é tratada como uma questão externa ao edital.
Ou seja, na interpretação apresentada pelo São Paulo, o valor do camarote não foi calculado levando em consideração os shows, e portanto não haveria uma vantagem da Ticketmaster dentro do critério estabelecido no edital.
Por que a Ticketmaster ganhou?
O ponto mais importante para entender a disputa é o peso de cada critério.
A Ticketmaster foi superior justamente nos dois quesitos que juntos representavam 75% da avaliação.
Foram:
- R$ 110 milhões de antecipação, contra R$ 90 milhões da NewC;
- R$ 30 milhões pelo camarote, contra R$ 13 milhões inicialmente oferecidos pela NewC.
Assim, antes mesmo de considerar os outros dois critérios, a Ticketmaster já apresentava vantagem significativa nos componentes financeiros mais relevantes da avaliação.
A concorrência, portanto, não foi decidida simplesmente por quem ofereceu mais pela operação da bilheteria. O edital deu maior peso à capacidade de antecipar receitas e ao valor do camarote corporativo.
E nesses dois pontos, a Ticketmaster apresentou valores superiores.
O que está por trás da disputa
A leitura dos números ajuda a entender por que a escolha provocou questionamentos.
O edital estabeleceu:
20% — serviços de bilheteria e controle de acesso
40% — antecipação de receitas
35% — camarote corporativo
5% — exploração em dias sem jogos
Ou seja, R$ 75 de cada R$ 100 da avaliação estavam vinculados diretamente a esses dois componentes financeiros.
A Ticketmaster ofereceu R$ 20 milhões a mais em antecipação e R$ 17 milhões a mais no camarote, considerando a proposta inicial da NewC.
É esse desenho do edital que explica, em grande parte, a vitória da Ticketmaster — e também está no centro dos questionamentos apresentados pela NewC.
Descubra mais sobre SPFC
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

posso ser um ignorante no assunto.. Mais,imagino que o Sao Paulo tenha vendido um servico de tiketagem … onde a empresa que fosse vencedora pagaria um valor para explorar a venda de bilhetes por um X anos..recebendo 10% dos valores dos ingressos como contrapartida.]
Em nenhum momento consegui entender qual e o valor desse projeto, visto que adiantamentos , pelo que li, devem ser devolvidos pelo Sao Paulo com juros e correcoes monetarias…Entao , qual o valor da venda??
quanto o sao paulo recebera mensalmente pela venda desse produto chamado ingresso.?
A empresa fornece o serviço de tiqueteira de maneira exclusiva e ela pode cobrar sua taxa de serviço diretor para o comprador do ticket. Isso é uma parte.
A outra parte é um adiantamento da venda de ingressos, em que a tiqueteira adianta um dinheiro a vista e vai compensando, dentro de regras e limites em contrato, conforme vende ingressos.
Como a tiqueteira controla esse fluxo de dinheiro, não tem como o clube dar calote nela. Dado que ela recebe e repassa ao clube, retendo o que lhe é de direito.
Os juros anunciado é o famoso Ajuste a Valor Presente, ou seja, ao invés da tiqueteira pegar o dinheiro e colocar em um título do governo ou um título privado de renda fixa, que rende juros, ela adianta ao clube à vista.
MASSS, para valer a pena pra ela a remuneração precisa ser superior ao que ela teria só fazendo a aplicação em títulos. Por isso que é CDI + 3%. Pq ela pega o que o mercado pagaria sem ela fazer nada e mais um prêmio por fazer essa escolha que tem risco maior.
Sem os juros e sem o prêmio, não faz o menor sentido a tiquereira adiantar esse dinheiro ao clube. Ai a gestão temerária seria de sua diretoria.
Se algum ponto ficou confuso, me fala ai que eu tento ajudar!
OBS: Estou explicando a estrutura do negócio. Não falei se concordo ou não, muito menos qual empresa deveria ganhar.
pelo que voce explicou, o sao paulo nao recebe nada pela cessao do servico de tiketagem…
ela faz o servico e cobra do usuario…. ok…. e o Sao Paulo???
ela esta adiantando o que??? 140 milhoes e o que?? porcentagem do que ela deveria pagar ao Sao Paulo?? sao os 100% do projeto, ?? e uma parte?? essas sao minhas duvidaas
Eu não sei como é o acordo no detalhe pq não li o contrato.
Pelo que li na imprensa o adiantamento é de R$110MM com limite de compensação de R$1,8MM/mês, ou seja, se tiver uma final como a de 2023 e o SPFC arrecadar de novo mais de R$25MM em um único jogo, a compensação do mês será no teto de 1,8MM.
Pra fazer a administração da venda de ingressos do São Paulo, a Ticketmaster cobrará uma taxa de administração de até 10% por ingresso (8% se for entrada física, não digital). A taxa do sócio-torcedor também será de 8% por associado. O resto é do SPFC.
Na verdade a tiqueteira PRESTA UM SERVIÇO ao SPFC, mas quem paga é o comprador do ingresso, através da taxa. É impossível vender ingresso sem ter uma tiqueteira. Não entendi pq vc inverteram essa relação.
Funciona como a maquininha de cartão do super-mercado.