
As últimas semanas têm sido eletrizantes para a torcida do Botafogo. As conquistas recentes da Copa Libertadores da América e do Campeonato Brasileiro de 2024 reacenderam a paixão de uma das dez maiores torcidas do país. Apesar de um passado glorioso, o clube sofria com a ausência de grandes títulos.
Se há alguém que não pode reclamar de 2024, é o torcedor botafoguense. Nem a reação do mercado financeiro ao pacote de medidas de corte de gastos, divulgado pelo governo dias antes, conseguiu ofuscar o brilho da estrela solitária. Dezenas de milhares de fãs viajaram até Buenos Aires para assistir a uma das finais mais épicas da história. Dias depois, comemoraram o tão aguardado bicampeonato brasileiro, encerrando um jejum de 29 anos.
A torcida está tão anestesiada pelo feito que parece não ter assimilado totalmente a possibilidade de ainda conquistar o Mundial de Clubes. Para isso, o Botafogo precisa avançar na Copa Intercontinental do Catar e superar o Real Madrid na final marcada para 18 de dezembro.
Enquanto muitos brasileiros enfrentam expectativas de inflação e juros mais altos, ainda que com boas projeções para o PIB e para geração de emprego, os botafoguenses sonham em alcançar um feito inimaginável: vencer a tríplice coroa em um único ano. Isso coroaria o trabalho exemplar realizado pelo clube nos últimos anos, firmando seu nome na história do futebol mundial.
Quais foram as lições que o Botafogo nos ensinou em 2024?
O ano de 2024 do Botafogo foi um exemplo de transformação e sucesso, trazendo lições valiosas que podem ser aplicadas tanto no futebol quanto no mundo corporativo. Se analisarmos o clube como uma empresa privada, assim como uma assessoria de investimentos, aprendemos que toda mudança só foi possível graças a um excelente planejamento estratégico, com metas definidas para o curto, médio e longo prazo.
Os três principais aprendizados é que precisamos:
- Definir o modelo de negócio: a mudança para SAF (Sociedade Anônima de Futebol), iniciada em 2021, estabeleceu um modelo claro e sustentável.
- Administrar com zelo: o clube reestruturou sua gestão financeira, atraindo investidores, reduzindo dívidas e aumentando receitas.
- Valorizar o cliente: o torcedor, maior ativo do Botafogo, retornou aos estádios em massa.
A profissionalização trouxe resultados práticos. Em três anos, o Botafogo atraiu investimentos externos, recebeu mais de R$ 250 milhões em premiações e modernizou sua infraestrutura. Assim como na assessoria de investimentos, escolhas estruturais e estratégicas impactam diretamente o sucesso e a satisfação dos “clientes”.
Entenda o que é uma SAF
| Afinal o que é uma SAF? A SAF (Sociedade Anônima do Futebol) é uma modalidade de organização empresarial criada no Brasil pela Lei nº 14.193, de 6 de agosto de 2021, que permite a clubes de futebol se organizarem como empresas para facilitar a captação de recursos, melhorar a gestão e dar maior transparência às operações financeiras. Essa estrutura tem como objetivo modernizar o futebol brasileiro, permitindo que clubes tradicionais e novos projetos sejam mais sustentáveis financeiramente. | |||
| Vantagens da SAF 1. Captação de investimentos: Atração de capital externo para quitar dívidas, reforçar equipes e modernizar estruturas. 2. Melhor gestão financeira: Maior controle e transparência, com práticas empresariais. 3. Separação de passivos: Dívidas anteriores ao modelo SAF podem ser negociadas separadamente. 4. Valorização da marca: Mais profissionalismo tende a aumentar o valor comercial do clube. 5. Responsabilidade limitada: Redução do impacto de má gestão no clube matriz. | |||
| Desvantagens da SAF 1. Perda de controle: Torcedores e sócios podem sentir que o clube “perdeu sua identidade” ao ser administrado por investidores. 2. Risco de má gestão empresarial: Investidores podem tomar decisões que priorizem lucro em detrimento da paixão do torcedor. 3. Dependência de investidores: A saúde financeira do clube pode ficar atrelada à continuidade de aportes de investidores. 4. Transição complexa: A criação da SAF exige organização jurídica e financeira robusta, o que pode ser desafiador para clubes muito endividados. |
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Nada contra modelos de nogócios e afins, mas a SAF do Botafogo tá quitando as dívidas do clube? (Que o diga o São Paulo.)