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Ex-São Paulo tem lesão considerada agravada por carga exigida no clube

Laudo da perícia diz que sequência de jogos no São Paulo agravou lesão de zagueiro que cobra R$ 14 milhões

Atleta correndo em um campo de treino ao ar livre, vestido com camiseta e shorts esportivos.

Perícia aponta que carga de jogos no São Paulo agravou lesão de Tressoldi

Laudo judicial vê nexo causal entre a sequência de partidas e a ruptura de menisco do zagueiro, hoje no Atlético-MG. O clube contesta, e o caso deve ser julgado em primeira instância na próxima semana.

A perícia judicial do processo movido pelo zagueiro Ruan Tressoldi contra o São Paulo concluiu que a carga de jogos no clube contribuiu para agravar a lesão no joelho direito do atleta. O jogador, hoje no Atlético-MG, acusa o Tricolor de negligência médica durante a passagem entre janeiro e junho de 2025 e cobra R$ 14 milhões entre valores atrasados e indenizações. As informações são do colunista Pedro Lopes, do UOL.

O que Tressoldi alega no processo

Na ação, o zagueiro afirma que o São Paulo deixou de fazer um seguro obrigatório e o escalou mesmo com dores e com exames que apontavam lesão no joelho direito. Também diz que foi submetido a um tratamento que, na época, era classificado pelo Conselho Federal de Medicina como experimental, e que o clube adiou uma cirurgia necessária, além de atrasar pagamentos de direito de imagem.

O que diz o laudo

Para o perito Adalberto Soares, que assina o documento, existe nexo causal “concomitante moderado” entre a carga a que o jogador foi submetido no São Paulo e a ruptura do menisco lateral, diagnosticada em maio de 2025.

Segundo o laudo, o esforço exigido pelo clube agiu sobre um tecido que já estava fragilizado, e a degeneração teria evoluído para uma lesão.

O ponto central é uma sequência de quatro partidas completas em 12 dias, entre 29 de abril e 11 de maio de 2025. Com base nos dados de GPS do próprio clube, o perito afirma que Tressoldi jogou o tempo todo nos quatro jogos, sem rodízio nem redução de minutos. Para ele, essas exigências “atuaram decisivamente na aceleração e agravamento lesivo”.

Questionado se alguma conduta do São Paulo contribuiu para a lesão, o perito respondeu que sim, apontando a falta de gestão da carga de jogos.

O laudo também registra que o clube não tinha Avaliação Ergonômica Preliminar nem Programa de Gerenciamento de Riscos, documentos previstos nas normas de segurança do trabalho. Mas o perito trata a ausência como contexto, e não como causa isolada da lesão.

Sem sequelas, segundo a perícia

Por outro lado, o perito concluiu que a capacidade de trabalho do zagueiro está totalmente preservada, sem sequela funcional nem dano estético. Tressoldi fez artroscopia em 8 de julho de 2025 e voltou a jogar em 8 de outubro, pelo Atlético-MG, onde se tornou peça importante.

A defesa do São Paulo

O clube contesta o laudo e pede que o juiz o desconsidere. Um dos argumentos é que o perito é fisioterapeuta, e o São Paulo solicita nova perícia, feita por um médico.

O São Paulo também afirma que o atleta enfrentou volumes de carga maiores em outros períodos, como cerca de 66 km entre 9 e 19 de janeiro de 2025, sem lesão. Diz ainda que reduziu a intensidade dos treinos entre os jogos da sequência e que a rotura é a evolução natural de uma degeneração já existente.

O perito, porém, manteve a conclusão. Segundo ele, janeiro foi período de pré-temporada, com exigências diferentes das de partidas oficiais em sequência.

E a defesa do jogador?

A defesa de Tressoldi também questiona o laudo, mas na direção oposta: contesta a conclusão sobre a ausência de sequelas e de dano estético.

Próximos passos

O caso deve ser julgado na primeira instância na próxima semana. Informações de Pedro Lopes, jornalista.

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6 comentários em “Ex-São Paulo tem lesão considerada agravada por carga exigida no clube”

  1. É tanta coisa errada junto, que é inquestionável o fato de que o clube vem sendo gerido por amadores, com controles toscos ou inexistentes, há anos. A verdadeira casa da mãe joana, onde cada um faz o que quer e como quer.

  2. Seria realmente importante ter laudo de um médico, que acredito tem condição bem superior para avaliar “nexo causal” do que um fisioterapeuta.

    Respeito aos fisioterapeutas, mas a formação e experiência médica me parecem qualificar muito mais para esse tipo de avaliação.

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