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Jogar no Sintético é problema do São Paulo ou a falta de treinos nele no CT?

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Gramado sintético machuca mais do que o natural? Lucas Moura disse que não joga mais em sintético.
A torcida virou especialista no assunto. Mas o que a ciência realmente diz sobre isso é bem mais complexo do que qualquer opinião – Leia opinião do especialista Filipe Abdalla.

Vista do campo de futebol com grama bem cuidada e a linha de escanteio visível. No fundo, há iluminação e sistemas de irrigação em funcionamento.

A revisão mais abrangente sobre o tema analisou 53 estudos publicados entre 1972 e 2020. Conclusão para o gramado de nova geração: A maioria dos estudos encontrou taxas SIMILARES de lesão geral entre sintético e natural. Não é o vilão que a narrativa popular construiu. Gould et al., Am J Sports Med, 2022

Mas a ciência não diz que é tudo igual. Lesões de tornozelo e pé: maior incidência no sintético, tanto na geração antiga quanto na nova. Lesões de joelho e quadril: taxas similares entre as superfícies para jogadores de futebol. Lesões musculares: evidência inconsistente, sem conclusão clara. Gould et al., Am J Sports Med, 2022

Um dado que precisa estar no debate: Dos estudos que concluíram que o sintético é MAIS SEGURO que o natural, todos receberam financiamento da indústria de gramado sintético. A ciência independente diz: as superfícies são comparáveis no geral, com exceção do tornozelo. Contexto importa na hora de ler um estudo.

O sintético de 3ª geração tem componentes estruturais que afetam diretamente o impacto no corpo. A altura da fibra, a camada elástica e o sub-base determinam quanto do impacto chega à tíbia e ao joelho. Campos diferentes têm propriedades diferentes. “Sintético” não é uma categoria única. Sánchez-Sánchez et al., Sci Rep, 2019

Existe um princípio clássico da fisiologia do exercício chamado AEDI. Adaptação Específica às Demandas Impostas. O corpo se adapta ao estímulo que recebe. O atleta que treina no sintético desenvolve padrões neuromusculares, biomecânicos e de controle motor adaptados àquela superfície

Isso significa que o atleta habituado ao gramado natural vai para o sintético com: Padrão de pisada diferente; Ativação muscular não calibrada para aquela superfície; Amortecimento articular não adaptado ao retorno energético do sintético Não é o sintético que machuca mais. É a transição sem adaptação que aumenta o risco.

A pergunta certa não é “sintético ou natural é mais perigoso?” A pergunta certa é: “Com que frequência esse atleta treina na superfície em que vai jogar?” Se treina no natural e joga no sintético: transição de superfície sem adaptação = janela de risco. O princípio AEDI é ignorado nessa discussão toda.

A ciência não condena o sintético. Não absolve o natural. Ela diz que a superfície importa, que a transição importa e que a adaptação importa. Antes de culpar o gramado, vale perguntar: o atleta estava adaptado à superfície em que jogou? Essa pergunta tem mais substância do que qualquer polêmica de torcedor.

Precisamos elevar o nível desse debate no futebol brasileiro. Superfície é uma variável de preparação, não um álibi. Clube que inclui adaptação de superfície no planejamento está à frente dos que só reclamam do gramado depois da lesão. Se não há ciência orientando essa decisão, é só palpite.


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8 comentários em “Jogar no Sintético é problema do São Paulo ou a falta de treinos nele no CT?”

  1. Só há uma solução possível para a questão: por meio de avanços tecnológicos, os gramados sintéticos se igualarem aos naturais. E digo mais… ou o SP para de alugar o estádio para shows ou coloca um sintético no Morumbi.

  2. O SPFC parou no tempo, afundou na superfície da própria incompetência e caiu no abismo da roubalheira institucional.

  3. Eu já falei tem que colocar sintético num dos campos de treino,e até no Morumbi.
    Não adianta ficar reclamando,tem que correr atrás e se adequar ao sistema.
    Quanto mais treina ou joga nestes gramados mais adaptado fica…

  4. Resposta para mim, simples:
    Falta de treino e de vergonha na cara da Diretoria em colocar um campo sintético (umzinho que seja) no CT da Barra Funda e um em Cotia…

  5. ” Antes de culpar o gramado, vale perguntar: o atleta estava adaptado à superfície em que jogou?

    Essa pergunta tem mais substância do que qualquer polêmica de torcedor.”

    Mas quando dizíamos isso ( alguns ) , éramos criticados.

    Quando dizíamos ( e continuamos ) para instalar um gramado sintético no CT e treinar nele, dá-lhe pedrada.

    São jogos diferentes como no tênis.

    Jogam em SAIBRO, PISO DURO ( quadra rápida ) e GRAMA.

    E ninguém faz alarde.

  6. waldomiro roberto Calmasini

    nada como uma opiniao cientifica para desconstruir o argumento dos dirigentes nescios! #foramassis

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