O Enigma do Superávit: Por que o São Paulo busca empréstimos mesmo com as contas de 2025 no azul?
Na última semana, o São Paulo Futebol Clube encaminhou ao seu Conselho Deliberativo propostas para novos empréstimos que somam R$ 74 milhões (R$ 34 milhões com o banco Daycoval e R$ 40 milhões com o Tricury). Para o torcedor que acompanhou a notícia de que o clube fechou o último exercício com um superávit de R$ 40 milhões, a pergunta é inevitável: se sobrou dinheiro, por que pedir emprestado?
A resposta não reside em uma “mentira” contábil, mas sim na diferença fundamental entre o lucro no papel e o dinheiro disponível em caixa. Entender essa dinâmica exige mergulhar em dois conceitos do mundo contábil: o Regime de Competência e o fluxo de Caixa.

Lucro não é Dinheiro no Caixa: O Regime de Competência
A demonstração de resultados de um clube de futebol utiliza o chamado Regime de Competência. Nele, as receitas e despesas são registradas no momento em que o negócio é fechado, independentemente de quando o dinheiro entra ou sai.
O exemplo da venda de atletas: Imagine que o São Paulo tenha vendido um jogador por R$ 100 milhões em dezembro. No balanço daquele ano, aparecerá uma receita de R$ 100 milhões, o que ajuda a gerar o superávit de R$ 40 milhões citado, por exemplo.
- Contabilmente: O clube está no lucro.
- Financeiramente: O comprador geralmente parcela esse valor em 3 ou 4 anos. Ou seja, o clube “ganhou” o direito aos R$ 100 milhões, mas só recebeu, talvez, R$ 20 milhões à vista.
O Descasamento entre Receitas e Despesas
Outro desafio crítico na gestão do São Paulo — e da maioria dos clubes brasileiros — é a sazonalidade. O fluxo de saída de dinheiro é constante, enquanto a entrada é “soluçada”.
- Despesas Recorrentes (O “Grosso” do Gasto): salários, encargos sociais e direitos de imagem dos jogadores não esperam. Eles precisam ser pagos rigorosamente todos os meses, de janeiro a dezembro.
- Receitas Concentradas: as maiores fatias do bolo financeiro costumam chegar apenas no segundo semestre. É nessa época que se definem as premiações por desempenho em campeonatos (Copa do Brasil, Libertadores, Brasileirão) e que as emissoras de TV costumam quitar os maiores montantes das cotas de transmissão.
Esse cenário cria um “buraco” de caixa nos primeiros meses do ano: o clube tem despesas altíssimas nos primeiros trimestres, mas o grande volume de dinheiro só entrará no último trimestre.
Por que buscar R$ 74 milhões agora?
O aumento do teto de crédito para R$ 270 milhões em 2026 reflete a necessidade do clube de ter fôlego para honrar seus compromissos imediatos. Os empréstimos com o Daycoval e Tricury servem como uma “ponte”:
- Capital de Giro: O clube pega o dinheiro agora para pagar os salários e fornecedores do dia a dia.
- Antecipação: Ele usa esses créditos sabendo que, no futuro (quando as parcelas das vendas de atletas e as premiações entrarem), terá recursos para quitar a dívida.
Ponto de Atenção: Embora o superávit de R$ 40 milhões seja um sinal de saúde contábil (indicando que as receitas totais superaram as despesas totais no ano), ele não anula a necessidade de empréstimos se o dinheiro dessas receitas ainda estiver “a caminho”.
Conclusão
O São Paulo vive hoje um paradoxo comum em grandes empresas: é contabilmente rentável, mas financeiramente dependente de crédito para gerir o tempo entre o gasto e o ganho. O desafio da diretoria é garantir que o custo desses empréstimos (juros) não consuma o superávit conquistado, transformando o alívio imediato em um peso insustentável a longo prazo.
Por: Filipe Cunha – Finanças Tricolor
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Há tempos que observamos “contabilidade criativa” no SPFC.
Dívidas estratosféricas no clube, mesmo com aumento de receitas.
Dívidas permanentes com o elenco, mesmo com “sobras” de grana.
FIDC para “justificar e referendar” empréstimos bancários.
Antecipação de receitas …, penhorando o futuro e a própria sobrevivência do SPFC.
E aí final, “rifamos” como prenda de quermesse, uma das mais promissoras das gerações de Cotia …, para bancar “benesses” e crescentes despesas, de um futebol que nada produz em benefício do SPFC e sua imensa torcida.
Superávit de 40M não é compatível nem com a doação de mais um garoto de Cotia.
E ainda existem despesas que não tem efeito caixa como depreciações e amortizações.
Zanca além de tudo teor técnico que vc relatou, tem outro componente muito importante para essa asfixia financeira que o clube vive, o desvio (roubo) da quadrilha criminosa que se instalou no clube, denunciando pela polícia civil e pelo Ministério público.
O dinheiro desviado para bolsos alheios devem estar embutidos dentro da contabilidade formal, senão, a conta não fecha.