Ex zagueiro da Seleção Olímpica e do São Paulo comandou time gaúcho até semifinais estaduais, se firma e se reencontra após dramas e lesões

A trajetória de Walce no futebol tem algo de jornada longa, dessas em que o jogador precisa atravessar silêncio, dor e incerteza antes de voltar a ouvir o barulho da bola rolando com naturalidade. Agora, depois de anos difíceis, o zagueiro parece ter reencontrado o caminho. No Ypiranga, clube que defende nesta temporada, o defensor rapidamente conquistou espaço e já tem renovação de contrato encaminhada, reflexo direto do desempenho consistente dentro de campo.
Desde que chegou ao clube, no início do ano, Walce não demorou para se firmar na equipe comandada pelo técnico Raul Cabral. Em pouco tempo, transformou-se em uma peça praticamente indispensável no sistema defensivo. Ao todo, já disputou nove partidas na temporada — oito pelo Campeonato Gaúcho e uma pela Copa do Brasil. A única ausência aconteceu na derrota por 3 a 0 para o Avenida, pela quarta rodada da fase classificatória do estadual.
Dentro das quatro linhas, o zagueiro tem demonstrado segurança, leitura de jogo e capacidade de antecipação. Não por acaso, os números ajudam a contar essa história. Segundo dados do Sofascore, Walce terminou o Gauchão 2026 como líder do Ypiranga em chutes bloqueados, um indicador que revela sua presença constante na linha de frente da defesa.
Entre os principais números do defensor na competição, aparecem:
- 8 jogos disputados
- 33 passes longos certos
- 60% de eficiência em duelos aéreos
- 23 duelos vencidos
- 40 cortes defensivos
- 13 chutes bloqueados
- 60 ações defensivas (média de 6,7 por jogo)
- Nota média 6,96 no Sofascore
Essas estatísticas ajudam a explicar por que Walce acabou sendo considerado um dos destaques defensivos do campeonato. Mais do que números, porém, o que chama atenção é a regularidade. Em campo, ele transmite aquela sensação de estabilidade rara: como uma muralha discreta que não precisa de alarde para cumprir sua função.
Um talento que quase se perdeu no caminho
A história de Walce ganha contornos ainda mais significativos quando se olha para trás. Revelado pelas categorias de base do São Paulo, ele era tratado como uma das grandes promessas do clube. Mas o destino resolveu testar sua resistência.
Em 2020, durante um amistoso da Seleção Brasileira Sub-23, o zagueiro sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. A lesão foi grave e desencadeou uma sequência de problemas físicos que o afastaram dos gramados por três anos. Foi um período longo, silencioso e muitas vezes cruel para quem vive do futebol.
O próprio jogador já admitiu que houve momentos em que pensou em desistir.
— Em certos momentos da minha carreira cogitei parar de jogar. Mas, graças a Deus e ao trabalho diário, consegui superar as dificuldades, contou o defensor em entrevista recente.
Depois de retornar aos gramados em 2023, Walce ainda precisou reconstruir sua carreira praticamente do zero. Passou pelo Juventude para recuperar ritmo de jogo, mas o caminho ainda era cheio de obstáculos. Vieram depois experiências no Santo André e no Retrô, clubes onde buscou minutos em campo e, principalmente, confiança no próprio corpo.
O reencontro com a confiança
Foi somente agora, no Ypiranga, que Walce parece ter encontrado novamente o equilíbrio entre físico, técnica e confiança. O zagueiro voltou a atuar com frequência, algo essencial para qualquer atleta que passa por um longo período afastado.
E o futebol, muitas vezes, recompensa a persistência. A cada partida, Walce demonstra que aquela promessa formada em Cotia ainda existe. Talvez mais madura, talvez mais cautelosa, mas certamente mais resiliente.
A renovação encaminhada com o clube gaúcho simboliza mais do que um simples contrato. Representa uma nova etapa na carreira de um jogador que precisou reaprender a caminhar dentro do próprio esporte.
No futebol, algumas histórias são feitas de gols decisivos e títulos grandiosos. Outras são construídas na superação silenciosa, longe dos holofotes. A de Walce parece pertencer a essa segunda categoria — e, justamente por isso, carrega um peso especial.

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Tinha visto este post do sofascore no perfil do X e fico feliz pelo Walce.
Tomara que consiga ainda jogar por muitos anos, tenha uma boa carreira e quem sabe um dia possa retornar ao SPFC.
Torço muito pra esse rapaz. Quem sabe possa até voltar a atual pelo SPFC em alto nível um dia.
Se Doria, Toloi, e Riggoni voltaram, nao custa dar uma chance pro Walce no futuro! kkkk
Quando ele tiver com uns 34/35 anos né.
É a idade de maturação entendida pelos nossos dirigentes.
Feliz que esta continuando a carreira. Levou muito azar, muito mesmo
Foco, força e fé. Isso define a vida de quem passa por momentos como ele passou. Torço muito para que tenha uma carreira de sucesso.
Quando surgiu achei que seria jogador de seleção, deu no mínimo muito azar, que consiga ressurgir e tenha uma ótima carreira.
Seria manero o São Paulo voltar a acompanhar bem de perto, e vendo que tem regularidade fazer uma proposta de retorno. Premia o atleta e o clube pela recuperação. Falando de maneira mais próxima da carreira, tem que ter a cabeça muito no lugar. Moleque tava com tudo na mão. Que tenha a oportunidade de vencer como era previsto.