Derrota para o Mirassol: Reconhecimento Facial e a Verdadeira Cara do Ano

Fachada do Estádio do Morumbi à noite, com as bandeiras do Brasil e do São Paulo, e o nome 'MORUMBIS' iluminado.

No último sábado, o São Paulo inaugurou a plataforma de reconhecimento facial na entrada de seus torcedores no Morumbis. Era a promessa de segurança e modernidade, mas a noite escancarou, sem querer, uma cruel ironia: enquanto a catraca reconhecia rostos com precisão, o time exibia a sua verdadeira face: time envelhecido, elenco enxuto e falta de comunicação de sua diretoria. E a explicação para tal não está no VAR, mas sim no Excell.

Desde o início do ano, o clube opera com freio de mão puxado por causa do FIDC — aquele Fundo de Investimento que impõe um teto de gastos para o futebol profissional. Ao todo 16 jogadores saíram, quatro chegaram, e a folha salarial emagreceu em torno de R$ 1,5 milhão por mês. Tudo isso visando uma vida mais saudável…  na janela do meio do ano de 2026.

A maratona de jogos tem demonstrado que o time titular é envelhecido e suas principais peças não tem dado conta desse acúmulo de jogos. Já os jogadores que vem do banco, são em sua maioria jovens com pouca experiência no time profissional e bastante oscilação (que é natural), cabendo ao treinador fazer mágica para o time sobreviver nas copas. Isso tem custado pontos importantes na luta do time em sair da parte de baixo da tabela do Brasileirão.

Ninguém da diretoria veio ao seu torcedor dizer que 2025 seria um ano de reabilitação quase clínica. Ao invés disso, o clube apostou no silêncio, como quem esconde o diagnóstico achando que a febre vai passar. Porém, a febre está aos poucos virando calafrios para uma torcida que está  ludibriada pela possibilidade, quase impossível, de competir bem em três campeonatos.

A diretoria do São Paulo age como se o torcedor tivesse a obrigação de entender sozinho uma política que ninguém explicou.

A cara do São Paulo em 2025 não precisa de câmera para ser reconhecida: é a de um gigante em reconstrução, tentando alinhar planilhas, promessas de futuro e presente caótico. O que se pede não é reforço. É discurso. É direção que fale olhando nos olhos do torcedor sobre o real contexto em que o time se situa nessa temporada.

Porque reconhecer o torcedor é fácil. Difícil é reconhecê-lo como parte da história e não como um CPF ambulante na fila da biometria.

Daniel Cavaleiro é jornalista e filósofo


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