zubeldia

Uma partida de futebol tem 90 minutos. Mas existe um fetiche no mundo do futebol pelos 11 que iniciam a partida, como se fossem os únicos responsáveis pelo resultado. A verdade é que, tão importante quanto quem começa jogando, são os 11 que terminam o jogo. É preciso ter uma estratégia para todos os 90 minutos e não apenas para os primeiros minutos.

Tenho a impressão que Zubeldia pensa em um plano para o início da partida, mas não faz ideia de como terminá-la – e tampouco do que fazer caso a estratégia inicial não funcione. E isso não aconteceu só contra o Palmeiras. Foi assim contra o Bragantino, Portuguesa, Velo Clube, Inter de Limeira e tantos outros. No final, o que vemos é um amontoado de atacantes em campo na esperança de que algo aconteça.

Confesso que o jogo contra o Palmeiras me deixou com sentimentos mistos. Precisei de um dia para processar tudo antes de organizar as ideias. Agora, já com a cabeça mais fria, compartilho alguns pontos sobre minha visão da partida e da nossa (falta de) estratégia no campeonato.

Escalação e estratégia

Zubeldia surpreendeu e trouxe uma escalação diferente, que funcionou bem no início – até o Palmeiras entender o posicionamento do São Paulo e se ajustar. Confesso que, quando vi a formação, não gostei. Mas, na prática, foi menos pior do que eu esperava.

Ainda assim, vejo um erro estratégico claro em colocar Oscar, Lucas, Luciano e Calleri juntos desde o início. Nenhum deles aguenta jogar em alta intensidade os 90 minutos, e quando começam juntos, perdem eficiência ao longo da partida. Como não há peças de reposição à altura, essa formação significa um “all-in” antes de ver as cartas. Se a aposta dá errado, ficamos sem opções. Um time com elenco limitado não pode colocar todas as suas fichas no começo do jogo, justamente quando o adversário ainda está inteiro fisicamente.

Gestão dos jogadores

Diante disso, eu jamais começaria um jogo com nossos quatro principais jogadores juntos. O futebol é imprevisível, e precisamos ter alternativas para diferentes cenários: um erro individual, um gol sofrido, um adversário que muda sua forma de jogar. Se gastamos todas as fichas de uma vez, ficamos sem reação. Podemos equilibrar melhor isso, variando entre trios ou duplas no ataque e guardando algumas peças para os momentos decisivos.

Variações na escalação

Para evitar esse problema, os titulares das posições ofensivas não deveriam ser fixos. Dependendo do jogo, poderíamos começar com uns, ou outros. Temos cinco bons jogadores (sem contar Ryan e Ferreira da base) para duas ou três vagas, o que nos permite montar diferentes combinações. Uma coisa é colocar Ferreirinha e Erik para cruzar bolas para um ataque já exausto; outra bem diferente é ter jogadores descansados e capazes de mudar o jogo.

A falta de alternativas

Se não temos reservas capazes de mudar o jogo, não podemos nos dar ao luxo de sair atrás no placar. Se entramos com todo o nosso poder ofensivo desde o início, precisamos definir o jogo rápido. Se não marcamos no primeiro tempo, o segundo vira um deserto de ideias. Isso aconteceu contra o Palmeiras e também contra times como Bragantino e Inter de Limeira.

Os números falam por si

Se olharmos as estatísticas, o São Paulo de 2025 só conseguiu virar um jogo contra a Portuguesa. E a única vitória sem gols no primeiro tempo foi contra o Corinthians. Esses dados são sintomáticos: nosso problema não é só tático, mas estratégico. Quando a aposta inicial falha, não temos um plano B.

O erro da arbitragem e a necessidade de reflexão

Obviamente, contra o Palmeiras houve um pênalti inexistente. Mas mesmo naquele lance, a bola estava viva dentro da área – e se tivesse entrado, de qualquer forma, o que teria acontecido depois? Provavelmente o mesmo que vimos nos outros jogos: um São Paulo insistente, mas ineficaz.

A polêmica da arbitragem serviu para desviar o foco das decisões e estratégias do Zubeldia. Mas agora, passada a dor, é preciso refletir. O São Paulo tem um bom time, bons jogadores, mas precisa ser capaz de virar jogos e buscar vitórias na marra. O futebol é imprevisível, e as grandes equipes são aquelas que conseguem mudar de rumo dentro de uma partida. No momento, o São Paulo não tem conseguido fazer isso. E enquanto isso não mudar, o roteiro dos jogos será sempre o mesmo.


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