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O São Paulo é um clube parado no tempo.


E não, não digo somente administrativamente. Ainda que nessa esfera o São Paulo esteja
estacionado no início da década, seja por motivos polítcos ou por falta de capacitação dos
gestores, a mentalidade do São Paulo, como um todo, está debruçada em um passado já muito
distante.


Não é raro um torcedor tricolor bradar – com digno orgulho – “é tri mundial”, ou “nunca fui
rebaixado”, conquistas históricas e de diİcil equiparação. Mas que estão no passado. O
presente, tão vergonhoso, sem ơtulos e com um papel de coadjuvante, não é interessante o
suficiente para nos orgulharmos, então é normal ignorarmos.


E é aí que o mora o perigo. Futebol é paixão. Não existe lógica, não existe fórmula e nem controle. É 100% paixão. E, como todos sabemos, a paixão é cega. Eu não duvido que dentro do São Paulo tenham
vários “cardeais” que a cada eliminação, bradem: mas somos tri campeões mundiais. Ou que a
cada contratação dos adversários, provoquem: mas nunca fui rebaixado. Esse conjunto de “mas” – ao olhar do autor – é o que tem estagnado o São Paulo no tempo. E isso reflete em campo.


Segundo Freud, o inconsciente é um “reservatório” de sentimentos, pensamentos, impulsos e
memórias que estão fora da percepção consciente. Freud acreditava que o inconsciente
influencia o comportamento no nível consciente, ainda que o ator da ação não perceba.
Vejam o tanto de veteranos que temos (ou tivemos): contratamos Luiz Gustavo, James
Rodriguez, Daniel Alves, Juanfran, Miranda, Lugano, mantemos Rafinha, e vários outros, pelo
mesmo motivo: pelo o que eles foram. Não pelo o que são. Assim se faz no corpo técnico, ou alguém me diz que Muricy e Milton Cruz ainda tem “muito a acrescentar” ao clube?


É o inconsciente agindo. Imperceptível, silencioso. E doloroso. Até quando vamos ficar refém da nossa rica história, sem se preocupar em continua-la? Precisamos agir, lembrar do que fomos, mas focar no que somos. E isso tem que ser de dentro para fora.


No mundo da SAF’s, não adianta ficar procurando justificativas sem ações reparatórias. “Ah, SE
não tiesse o bilionário X o jogador Y não estaria no clube e a gente teria passado”. Beleza, mas
“se” não entra em campo. O bilionário está lá, os jogadores também, e não passamos.
O que vamos fazer para nos equipararmos a nova realidade? Quais ações? Ou simplesmente
vamos jogar a toalha e ficar bradando as repetitivas frases ad eternum até que elas percam
relevância?


A bola é com você, Julio Casares e cia. Eu não espero do torcedor razão, ação ou solução.
Mas de vocês, sim. Acabou o espaço para desculpas ou falta de soluções. Se mexa ou sai de cena.
Antes que o passado também inconscientemente também seja esquecido pelo consciente.


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