Pega fogo no CT:São Paulo vive racha interno após atrasos e disputa política

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Entrada do SuperCT do SPFC à noite com a placa iluminada.

O clima interno no São Paulo ficou ainda mais tenso após a eliminação para o Boca Juniors na CONMEBOL Sul-Americana. A declaração de Luciano, que afirmou nunca ter recebido salário em dia desde que chegou ao clube, expôs uma crise de confiança entre o elenco e a diretoria.

O atacante falou após o empate em 1 a 1 com o Boca Juniors, no MorumBIS. O resultado eliminou o São Paulo nas quartas de final da competição e deixou o clube concentrado apenas no Campeonato Brasileiro.

“São muitos anos que estou aqui, nunca recebi salário em dia. Muitos jogadores vêm para o São Paulo para vestir a camisa e porque querem estar aqui. Eu quero estar aqui. A gente ajuda quem precisa”, afirmou Luciano.

A declaração não foi considerada um desabafo isolado. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o elenco já vinha demonstrando insatisfação com atrasos financeiros e com promessas que não foram cumpridas pela diretoria.

Promessas não foram cumpridas

Os jogadores já haviam chegado ao início da gestão de Harry Massis Júnior desgastados pelos atrasos acumulados durante a administração de Julio Casares.

Ao assumir o clube, a nova diretoria reconheceu as dificuldades financeiras e prometeu regularizar os direitos de imagem. Também foi apresentado um cronograma de pagamento das dívidas acumuladas.

O acordo, porém, não teria sido cumprido integralmente. Há jogadores que, segundo a apuração, sequer receberam valores de direitos de imagem em 2026.

A gestão Massis, portanto, não apenas deixou de regularizar os pagamentos correntes, como também não conseguiu cumprir completamente o cronograma apresentado ao elenco.

Salário em carteira também atrasou

O problema se agravou na última semana, quando o São Paulo atrasou pela primeira vez durante a gestão Massis os salários registrados em carteira.

O pagamento referente ao mês de agosto acabou sendo quitado posteriormente, mas o atraso provocou forte mal-estar entre os jogadores. Até então, o clube ainda conseguia manter os salários trabalhistas em dia, mesmo convivendo com pendências nos direitos de imagem.

Os atletas também ficaram incomodados com a tentativa da diretoria de atribuir publicamente a falta de recursos à oposição política.

Na visão do elenco, questões políticas internas não deveriam ser utilizadas como justificativa para o descumprimento de compromissos financeiros assumidos com os jogadores.

Jogadores criam rede de ajuda

Diante da falta de previsibilidade, líderes do elenco passaram a se mobilizar para ajudar financeiramente atletas mais jovens e com salários menores.

Rafael, Luciano e Calleri foram citados como alguns dos jogadores que contribuíram com recursos próprios para auxiliar companheiros em situação mais delicada. A iniciativa foi criada internamente pelo grupo, sem participação da diretoria.uol.com

O pacto de ajuda mostra o nível de preocupação dentro do vestiário. Embora os jogadores tentem manter o foco nos jogos, o cenário financeiro interfere diretamente no ambiente do clube.

Rafinha, executivo de futebol, reconheceu que os atrasos atrapalham, embora tenha afirmado que o elenco continua se dedicando em campo.

Crise afeta reeleição de Massis

O desgaste com os jogadores acontece no momento em que Harry Massis tenta construir uma candidatura à reeleição.

O presidente teria encontrado dificuldades para obter apoio dos grupos políticos que formam a situação. Segundo informações divulgadas pelo UOL, apenas o grupo Vanguarda, ao qual Massis pertence, sustenta atualmente o projeto de continuidade.

A crise financeira e a deterioração da relação com o elenco tornam ainda mais difícil a reconstrução da base política do presidente.

A eliminação para o Boca Juniors também prejudicou os planos da gestão. Uma eventual campanha continental poderia ser utilizada como argumento para recuperar apoio, mas o São Paulo deixou a Sul-Americana nas quartas de final.

São Paulo luta contra o rebaixamento

Com a eliminação, o São Paulo terá apenas o Campeonato Brasileiro pela frente. A equipe ocupa a 12ª colocação e está cinco pontos acima da zona de rebaixamento.

O clube ainda precisa somar pontos suficientes para evitar uma reta final perigosa. A pressão sobre o elenco, o técnico Dorival Júnior e a diretoria aumentou após a queda diante do Boca.

O próximo jogo será contra o Internacional, no MorumBIS. Além de buscar uma reação esportiva, o São Paulo terá de tentar controlar uma crise interna que já ultrapassou os limites do departamento financeiro.

Diretoria não se manifesta

A assessoria de imprensa de Harry Massis foi procurada para comentar os atrasos, as promessas não cumpridas e a perda de confiança do elenco, mas não havia respondido até a publicação da reportagem.

O posicionamento da diretoria poderá ser acrescentado posteriormente.

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