Mais um rombo milionário nos cofres do São Paulo

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Jogador em ação, vestindo o uniforme do São Paulo FC, com detalhes em vermelho e preto.

Jhegson Méndez chegou ao São Paulo em janeiro de 2023 com o rótulo de reforço “sem custos”.

Livre no mercado após disputar a Copa do Mundo de 2022 pelo Equador, o volante foi anunciado sem pagamento a outro clube. Três anos e meio depois, porém, sua passagem pelo MorumBIS deixou uma dívida próxima de R$ 10 milhões e colocou o Tricolor novamente sob risco de sofrer um transfer ban.

A maior parte do valor não é devida ao jogador ou a seu antigo clube. As cobranças envolvem dois empresários que assumiram direitos econômicos e de imagem do atleta.

Contrato por direitos econômicos

No dia 1º de janeiro de 2023, São Paulo e Jhegson Méndez firmaram um acordo envolvendo 70% dos direitos econômicos do volante.

O contrato previa o pagamento líquido de US$ 1,5 milhão, valor que na época correspondia a aproximadamente R$ 7,5 milhões.

No mesmo dia, outro documento foi assinado entre o jogador, o São Paulo e a Seth Sports, empresa ligada ao empresário Juan Chiriboga.

Por esse acordo, Méndez transferiu seus direitos econômicos à empresa de Chiriboga, e o São Paulo aceitou pagar os US$ 1,5 milhão diretamente à agência em uma conta nos Estados Unidos.

São Paulo pagou apenas primeira parcela

O Tricolor pagou apenas a primeira parcela do acordo relacionado aos direitos econômicos.

Sem receber o restante, a Seth Sports acionou a Fifa e depois levou o caso à Corte Arbitral do Esporte, o CAS, na Suíça.

A empresa obteve decisão favorável, e a dívida foi fixada em aproximadamente US$ 1,14 milhão, valor que hoje gira em torno de R$ 6 milhões após atualização, juros e correção.

A empresa agora busca homologar a decisão do CAS no Superior Tribunal de Justiça para cobrar a quantia do São Paulo no Brasil.

Risco de transfer ban

A decisão do CAS pode abrir caminho para uma nova punição esportiva ao São Paulo.

Caso os representantes ligados ao processo optem por levar a cobrança à Fifa, o clube poderá sofrer um transfer ban, punição que impede o registro de novos jogadores.

O São Paulo já enfrentou problemas semelhantes em 2026 por dívidas relacionadas a outras contratações.

A diferença é que, neste caso, a cobrança envolve uma decisão arbitral internacional e um processo de homologação em andamento no Brasil.

Defesa alegou nulidade

No CAS, o São Paulo argumentou que o contrato deveria ser considerado nulo.

A defesa do clube citou a Lei Pelé e regras da Fifa que proíbem a participação de terceiros em direitos econômicos de jogadores.

A tese era de que uma empresa ligada a empresário não poderia receber valores relacionados aos direitos econômicos do atleta.

Ao mesmo tempo, o São Paulo reconheceu que havia obrigação financeira, atribuiu o atraso às dificuldades de caixa e pediu o adiamento ou o parcelamento do pagamento.

O árbitro rejeitou a argumentação e apontou contradição no fato de o clube questionar um contrato que assinou e do qual chegou a pagar a primeira parcela.

Dívida de imagem é outro processo

Além da cobrança de aproximadamente R$ 6 milhões pela cessão dos direitos econômicos, o São Paulo também deixou pendências relacionadas aos direitos de imagem de Méndez.

O contrato de imagem previa R$ 2,88 milhões, divididos em 12 parcelas mensais de R$ 240 mil.

O pagamento foi direcionado a uma empresa ligada ao empresário brasileiro Luis Augusto Carvalho.

Segundo a cobrança judicial, o São Paulo pagou apenas a primeira parcela e deixou as demais em aberto.

Com juros, correção e honorários, a dívida chegou a R$ 4,3 milhões.

Clube fez acordo em maio

Em maio de 2026, o São Paulo fez acordo para quitar os R$ 4,3 milhões relacionados aos direitos de imagem do volante.

O valor foi parcelado em seis pagamentos de R$ 650 mil, além de aproximadamente R$ 300 mil em honorários advocatícios.

O cronograma de quitação vai até novembro.

A dívida de imagem é separada da cobrança feita pela Seth Sports no CAS e no STJ.

Somadas, as duas pendências aproximam o custo da contratação de R$ 10 milhões.

Passagem apagada pelo Tricolor

Jhegson Méndez não conseguiu se firmar no São Paulo.

O equatoriano disputou 24 partidas pelo clube e não marcou gols.

A expectativa era de que o volante, que havia atuado na Copa do Mundo de 2022, pudesse oferecer força física e experiência ao meio-campo.

A passagem, no entanto, foi curta e sem protagonismo.

Méndez deixou o São Paulo em 2025, após rescisão contratual, e o clube não recuperou o investimento feito nos direitos econômicos.

O que era “sem custos”

A expressão “sem custos” costuma ser utilizada quando um jogador chega livre no mercado, sem que seja necessário pagar uma taxa de transferência a outro clube.

Isso não significa, porém, que a contratação seja gratuita.

Mesmo sem pagar por uma transferência, o clube pode assumir despesas como:

  • Luvas pela assinatura do contrato.
  • Direitos econômicos.
  • Comissões para empresários.
  • Salários.
  • Direitos de imagem.
  • Bônus por desempenho.
  • Impostos.
  • Custos jurídicos.
  • Multas e juros em caso de atraso.

No caso de Méndez, a ausência de pagamento ao antigo clube não impediu o surgimento de obrigações milionárias com empresários e empresas que passaram a ter direito aos valores contratuais.

Caso ilustra problema financeiro

A situação de Jhegson Méndez se tornou mais um exemplo das dificuldades financeiras enfrentadas pelo São Paulo.

O clube acumula atrasos nos direitos de imagem do elenco atual, dívidas com outros clubes, processos judiciais e compromissos que já resultaram em transfer bans.

A necessidade de renegociar dívidas e antecipar receitas também aumenta a pressão sobre o caixa.

O caso do volante reforça que contratações divulgadas como oportunidades de mercado podem gerar custos relevantes se os contratos não forem cumpridos.

Caso em números

ItemValor
ItemValor
Direitos econômicos negociados70%
Valor original do acordoUS$ 1,5 milhão
Valor original em reaisCerca de R$ 7,5 milhões
Dívida atual ligada à Seth SportsCerca de R$ 6 milhões
Dívida por direitos de imagemR$ 4,3 milhões
Total aproximado das pendênciasCerca de R$ 10 milhões
Partidas de Méndez pelo São Paulo24
Gols pelo clube0
Situação atualProcesso no STJ e acordo de imagem parcelado

O que pode acontecer

O São Paulo ainda poderá tentar negociar a dívida relacionada à Seth Sports antes de uma decisão definitiva no Brasil.

Caso a homologação do CAS seja confirmada pelo STJ, a empresa poderá buscar a execução da cobrança na Justiça brasileira.

Também existe a possibilidade de o credor recorrer à Fifa para pedir punição esportiva.

O clube terá de administrar o caso em um momento de crise financeira, atrasos de pagamentos e pressão por resultados dentro de campo.

Atualização: 08/10/2026 após confirmação de informações com o clube. Autor: Alexandre Zanquetta, cobrindo o São Paulo FC pelo Blog do São Paulo, o saopaulo.blog, desde 2008. (https://saopaulo.blog)

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