O São Paulo teve 7 lesões musculares desde que Roger Machado chegou. Uns culpam a preparação física, outros o departamento médico, alguns o tipo de gramado. Mas…A ciência tem uma resposta diferente. E ela vai incomodar muita gente.

Jogadores de futebol em campo após um gol; um jogador corre em celebração, enquanto outros estão no chão, demonstrando desânimo.

Em março de 2026, o São Paulo trocou de treinador pela segunda vez na temporada. Hernán Crespo saiu. Roger Machado entrou. E com ele, veio seu próprio staff de preparação física. Esse detalhe, que parece irrelevante, é exatamente o que a ciência mais estuda.

O UEFA Elite Club Injury Study acompanhou 14 clubes de elite europeia por 3 temporadas consecutivas. A pergunta central: trocar de treinador aumenta lesões? A resposta surpreendeu até os pesquisadores. Ekstrand et al., BMJ Open Sport & Exercise Med, 2023

Trocar só o treinador: +19% de lesões musculares. Sem significância estatística. Trocar o treinador E o preparador físico junto: +276%. De 16 para 45 dias perdidos por lesão a cada 1000 horas de treino. Isso aconteceu em 70% das trocas de treinador estudadas.

Por que o preparador físico importa mais do que o treinador? Porque é ele quem define a carga de treino, a periodização e a linguagem física usada com o atleta. Um novo preparador chega com uma filosofia diferente. Os atletas precisam se adaptar. Nessa janela de adaptação, o risco de lesão explode.

Tem mais um fator que a ciência identificou. Equipes com comunicação BAIXA entre equipe médica e treinador: 183 dias perdidos por lesão a cada 1000 horas. Equipes com comunicação ALTA: 105 dias. Uma troca de treinador destrói essa comunicação do dia para a noite. Ekstrand et al., BJSM, 2018

Voltando ao São Paulo. Roger Machado chegou em março. Novo treinador. Novo preparador físico. Comunicação com o departamento médico sendo reconstruída do zero. As 7 lesões musculares que vieram depois não são azar. São exatamente o que a ciência prevê que aconteça.

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Luciano. Sabino. Ferreirinha. Marcos Antônio. Lesões musculares. Todas após a troca de treinador. O calendário sobrecarregado existe. Mas calendário sobrecarregado com staff estável gera menos lesão do que calendário igual com staff novo. Os dados são claros sobre isso.

A recomendação dos pesquisadores é direta: Quando um novo treinador chega, preserve o preparador físico do clube. Se o treinador insistir em trazer o seu, crie um protocolo de transição gradual de carga. Nenhum clube brasileiro faz isso de forma sistemática. E os resultados aparecem no boletim médico.

No São Paulo pode haver um problema de gestão de transição. E isso tem solução. Não na janela de transferências. Na forma como o clube conduz a chegada de uma nova comissão técnica. Se não há ciência orientando essa decisão, é só palpite.

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Texto de Filipe Abdalla: PhD | Fisioterapeuta do Esporte | Explico as lesões do futebol com ciência, não com palpite | +1.000 profissionais formados | Bootcamp de Eletroterapia


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