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Hoje de manhã, na academia, encontrei um amigo são-paulino. Inevitavelmente, o papo foi direto para o jogo contra o Cruzeiro. Bastaram cinco minutos de conversa para chegarmos a uma conclusão: tem muita coisa errada no São Paulo. E não é de hoje.

Os desfalques foram muitos, é verdade. Isso precisa ser dito. O elenco estava claramente desfalcado, o time entrou em campo remendado. Mas mesmo sabendo de tudo isso, o Zubeldia podia ter se ajudado. E não ajudou.

Antes de continuar, preciso deixar claro: eu gosto do Zubeldia. De verdade. Acho ele um personagem ótimo para o São Paulo, traz algo diferente, uma postura firme, entrevistas sensacionais. Ele tem carisma, tem ideias… mas ultimamente, tem tomado decisões difíceis de entender. E quando chegamos a esse ponto, fica complicado continuar defendendo.

O que quero dizer com “ele não se ajuda”? Vamos lá.

Primeiro, com o time cheio de desfalques, ele escala uma equipe com quatro atacantes. Quatro! Em qualquer cenário isso já exige muito fisicamente dos jogadores — agora imagina com elenco curto, sem opções de qualidade no banco. Era jogo pra ser mais comedido, controlar o ritmo, tentar jogar no erro do adversário.

Segundo ponto: mesmo com os desfalques, Ferraresi e Sabino estavam disponíveis. Fez um gol? Ótimo. Fecha a casinha, segura o resultado. Ainda mais jogando em casa, no MorumBis, contra um time que não é nenhum bicho-papão fora de casa. Mas não… continuamos de peito aberto, correndo feito loucos, e o pior: sem padrão nenhum.

E talvez o mais grave: tem faltado ao Zubeldia uma análise firme da realidade. Ele ia enfrentar um time cheio de estrelas, com um ataque que, mesmo em crise, tem qualidade. Do nosso lado? Sem cinco titulares. Poxa… tem que ter uma estratégia pra isso. Tem que se preparar pra essa situação. Não sei… me parece que ele colocou o time em campo e torceu pro melhor acontecer. Quando eu vi a escalação, já fiquei nervoso: vamos dar o meio campo ao Cruzeiro e ressuscitar mais um time em crise?

O resultado final foi um empate, mas com sabor amargo. Porque dava pra ter vencido. E se não dava pra ganhar, dava pra ao menos jogar com mais inteligência, com mais controle.

E é aqui que eu preciso ser honesto: eu desisti do Zubeldia. Por mais que eu veja qualidades nele, por mais que ele tenha carisma e até identifique certos problemas do time com lucidez, ele não vai sair do buraco em que se enfiou. E mais do que isso — ele não vai extrair mais desse elenco. O time é esse, o elenco é esse, os adversários são esses. Não tem mágica. E me parece claro que ele já não sabe mais o que fazer.

Esse buraco, aliás, parece cada vez mais um viés de confirmação. Ele insiste nas mesmas ideias, nas mesmas escalações, nos mesmos padrões que já deram errado esperando, de alguma forma, que um dia funcionem. E isso não é só teimosia — é quase uma forma de insanidade, no sentido clássico da definição: fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes.

Zubeldia parece preso num ciclo em que só enxerga o que confirma o que ele já acredita. E isso, para qualquer profissional, é o sinal mais claro de que chegou ao fim da linha.

Como diria a música: foi bom, valeu, adeus.


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