Folha alta, desempenho baixo: Por que ataque do São Paulo não faz gols e relação de prejuízo entre custo e retorno

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Dois jogadores de futebol em treinamento sob luz solar, com um jogador em destaque usando uma camisa clara do São Paulo FC.

O São Paulo chegou a um momento preocupante da temporada, e a dificuldade para marcar gols se tornou um dos principais problemas da equipe comandada por Dorival Júnior. Nos últimos seis jogos, o Tricolor balançou as redes apenas três vezes, sendo que somente um gol saiu com a bola rolando. Os outros dois foram marcados em cobranças de pênalti.

O desempenho ofensivo acende um alerta no Morumbis justamente em uma fase na qual o clube precisa reagir no Campeonato Brasileiro. Além da baixa produtividade no ataque, o sistema defensivo também apresenta dificuldades: nesse mesmo intervalo, a equipe sofreu oito gols.

O cenário evidencia um desequilíbrio que ajuda a explicar o momento irregular do São Paulo. O time encontra obstáculos para construir jogadas que resultem em gols e, ao mesmo tempo, tem cedido oportunidades aos adversários.

Gol contra o Boca Juniors foi o único em jogada com bola rolando?

O único gol do São Paulo com a bola rolando nesse recorte foi marcado contra o Boca Juniors, no Morumbis, pela partida de volta das quartas de final da Copa Sul-Americana.

Mesmo nesse lance, a origem da jogada foi uma bola parada. Artur cobrou uma falta e Domingos Duarte apareceu para desviar de cabeça e marcar. Embora o gol tenha ocorrido durante o jogo, a construção começou em uma cobrança de falta, detalhe que reforça a dificuldade tricolor para produzir oportunidades em jogadas trabalhadas.

Os outros dois gols do período saíram em cobranças de pênalti. Calleri marcou contra o Santos, enquanto Luciano converteu a penalidade diante do Internacional.

Na prática, o São Paulo dependeu de situações de bola parada e de cobranças da marca da cal para aumentar sua produção ofensiva. A equipe não conseguiu transformar o volume de jogo em uma sequência consistente de gols construídos com a bola em movimento.

Ataque titular também sofre com a falta de eficiência

A dificuldade para marcar não pode ser atribuída exclusivamente às ausências no setor ofensivo. Durante esse intervalo de seis partidas, o trio formado por Artur, Luciano e Calleri foi titular em três jogos.

Calleri ficou fora de três compromissos, sendo dois por suspensão automática. Contra o Boca Juniors, Gustavo Santana ocupou a vaga do argentino. Diante do Santos, a oportunidade foi dada a Ryan Francisco.

Artur, por sua vez, só deixou de começar uma partida quando Dorival optou por poupar os titulares no clássico contra o Palmeiras. Luciano também esteve ausente do confronto com o Cruzeiro por causa de uma lesão.

As mudanças de escalação ajudam a contextualizar o período, mas não eliminam a preocupação com o rendimento coletivo. Mesmo quando contou com seus principais nomes no setor ofensivo, o São Paulo teve dificuldades para produzir gols em jogadas trabalhadas.

Últimos gols em jogadas construídas saíram contra o Atlético-MG

Para encontrar uma atuação mais produtiva do São Paulo em jogadas trabalhadas, é preciso voltar ao dia 5 de setembro, quando o Tricolor venceu o Atlético-MG por 2 a 0, pelo Campeonato Brasileiro.

Naquela partida, Luciano aproveitou uma bola rasteira de Artur dentro da pequena área para abrir o placar. Depois, Iago marcou de cabeça, completando um cruzamento de Lucas Ramon pela direita.

A vitória mostrou dois caminhos ofensivos diferentes: a infiltração para finalizar perto do gol e a utilização dos cruzamentos para explorar a presença de jogadores na área.

Curiosamente, antes daquele confronto, o São Paulo também havia vencido o Red Bull Bragantino com participação decisiva de lances de bola parada. Luciano converteu um pênalti, enquanto Gustavo Santana marcou após uma cobrança de escanteio.

A sequência indica que a equipe vinha encontrando soluções em jogadas específicas, mas ainda precisava recuperar a capacidade de criar e concluir oportunidades durante a construção ofensiva.

Dorival tem pouco tempo para corrigir os problemas antes de São Paulo x Vitória

O próximo compromisso aumenta a importância de uma reação. O São Paulo enfrenta o Vitória neste sábado, às 21h, no Morumbis, pelo Campeonato Brasileiro.

De acordo com as informações divulgadas antes da partida, Dorival Júnior terá apenas um treinamento, na manhã de sexta-feira, para preparar a equipe e tentar interromper a sequência de resultados negativos.

O treinador precisa encontrar alternativas para melhorar a circulação da bola, aproximar os jogadores de ataque e aumentar a presença tricolor em zonas de finalização. Também será importante reduzir a dependência de pênaltis e bolas paradas como principais fontes de gols.

Na tabela, o São Paulo ocupa a 11ª colocação, com 36 pontos. A posição aumenta a pressão por uma recuperação, enquanto a baixa produção ofensiva limita a margem de erro da equipe.

Números expõem o desafio do São Paulo na reta final da temporada

Os dados dos últimos seis jogos mostram a dimensão do problema: três gols marcados, apenas um com a bola rolando e oito sofridos. O saldo de gols nesse intervalo é de menos cinco.

Mais do que uma dificuldade individual dos atacantes, o recorte levanta questões sobre o funcionamento coletivo da equipe. A criação de oportunidades, a ocupação da área e a capacidade de transformar posse de bola em finalizações perigosas serão pontos importantes para a reação.

O confronto com o Vitória representa uma oportunidade para o São Paulo tentar mudar esse cenário diante de sua torcida. Para isso, o time de Dorival precisará recuperar a eficiência ofensiva e demonstrar maior consistência nos dois lados do campo.

A questão central é se o Tricolor conseguirá voltar a produzir gols em jogadas construídas e, assim, reduzir a dependência das bolas paradas em um momento decisivo do Campeonato Brasileiro.

Autor: Alexandre Zanquetta, cobrindo São Paulo FC e Brasileirão pelo Blog do São Paulo (https://saopaulo.blog) desde 2008.
Atualização: 9 de outubro de 2026.

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