Ídolo do São Paulo detona após passagem recente e fala em Desordem

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Homem sorridente em um aeroporto, próximo ao sinal que indica voos internacionais.

Ídolo do Tricolor, Profeta voltou a trabalhar no futebol e diz que atual formação privilegia o físico em detrimento da técnica; sobre o clube, afirmou: “É muita desordem”

Quatro anos depois de pendurar as chuteiras, Hernanes está de volta ao futebol, mas longe dos gramados. O ídolo do São Paulo decidiu retomar a rotina no esporte e atualmente trabalha nas categorias de base do ASD Sale, na Itália, enquanto desenvolve um método próprio para formação de jogadores.

O retorno também reacendeu a ligação do Profeta com o clube que marcou sua carreira. Hernanes esteve no CT do São Paulo em setembro, acompanhou de perto o ambiente tricolor e falou sobre o momento vivido pelo clube.

A avaliação, entretanto, veio acompanhada de uma ressalva importante: apesar de admitir que gostaria de ajudar o São Paulo algum dia, ele não pensa em retornar ao Brasil neste momento.

“É muita desordem, muita coisa que não me inspira a querer voltar”, afirmou Hernanes.

A declaração foi dada durante entrevista ao Abre Aspas, do ge, em que o ex-meia também fez uma análise ampla sobre a formação de jogadores, a falta de grandes talentos no futebol brasileiro e a transformação do esporte em uma indústria cada vez mais orientada pelo resultado físico e financeiro.

Hernanes vê São Paulo em processo de reorganização, mas alerta para problema estrutural

Hernanes explicou que sua impressão sobre o São Paulo mudou depois de voltar a frequentar o CT.

Antes da visita, os resultados e as notícias que acompanhava à distância lhe davam a impressão de que o cenário esportivo era ainda mais grave do que o futebol apresentado pela equipe.

Segundo o ex-jogador, fatores emocionais, ambientais e organizacionais podem influenciar diretamente o desempenho de um time, principalmente durante períodos prolongados de dificuldade.

Depois de visitar o CT, porém, Hernanes afirmou ter percebido uma organização melhor por parte da comissão técnica e dos jogadores.

“A impressão que eu tinha vendo os jogos era que a tabela, o momento ou os rumores eram maiores do que aquilo que o time estava fazendo.”

O ídolo também fez uma distinção entre a situação esportiva momentânea e os problemas estruturais do clube.

Para ele, o São Paulo pode sair da dificuldade atual, mas a reconstrução necessária para recolocar o Tricolor em uma posição de protagonismo nacional é uma questão muito mais profunda.

“Penso não estar enganado, acredito que o São Paulo vai sair dessa situação momentânea. Agora, para resolver a questão estrutural e voltar a ser o de antes, eu não sei, não tenho ideia.”

Hernanes afirmou ainda que não sabe quando o clube voltará a competir novamente em condições semelhantes às de Flamengo, Palmeiras e outras equipes que atualmente ocupam posições de maior força no futebol brasileiro.

Por que Hernanes não quer voltar ao São Paulo agora?

A resposta mais direta veio quando o Profeta foi questionado sobre a possibilidade de retornar ao Brasil e trabalhar novamente no São Paulo.

Ele reconheceu que existe uma vontade de ajudar o clube de alguma maneira, mas disse que o cenário atual não o inspira a fazer essa mudança.

Hernanes citou inclusive acontecimentos recentes envolvendo o futebol brasileiro para explicar sua percepção de desordem.

“Eu poderia até pensar em querer voltar ao Brasil, voltar ao São Paulo, mas no momento não tenho esse pensamento.”

Na sequência, resumiu sua posição:

“É muita desordem, muita coisa que não me inspira a querer voltar. Ainda que tenha uma torcida grande, uma esperança grande de querer estar pronto para ajudar o São Paulo em alguma coisa. Mas voltar ao Brasil agora eu não penso nisso.”

A fala, portanto, não representa um rompimento com o clube. Pelo contrário. Hernanes mantém a disposição de contribuir no futuro, mas entende que não é o momento de retornar.

Profeta voltou ao futebol com foco na formação de jogadores

A nova fase de Hernanes começou depois de um período em que se dedicou a outros projetos na Itália.

O ex-meia administrou um restaurante, tornou-se produtor de vinhos e estudou novas possibilidades profissionais. Ao mesmo tempo, realizou os cursos das Licenças B e A na Europa e passou a considerar diferentes caminhos dentro do futebol.

Entre as possibilidades estão trabalhar como treinador ou agente de jogadores.

No entanto, a primeira escolha foi começar pela formação de atletas.

Hernanes atualmente atua como supervisor das categorias de base do ASD Sale e afirma que seu principal objetivo é ajudar jogadores a evoluírem.

“É pelo prazer de ir ao campo e ensinar coisas básicas ou avançadas e ver o garoto assimilando, colocando em prática e melhorando.”

Ele também desenvolveu e colocou no papel um método próprio para formação de jogadores. A ideia nasceu do desejo de criar uma academia, mas acabou evoluindo para um projeto que pode ser aplicado em diferentes estruturas.

Hernanes critica futebol atual: “Eles sabem jogar futebol, mas não sabem jogar bola”

Uma das principais críticas feitas pelo Profeta envolve a formação das novas gerações.

Para Hernanes, o futebol brasileiro perdeu parte da capacidade de desenvolver jogadores tecnicamente diferenciados porque houve uma mudança no processo de formação.

Ele aponta especialmente para a diminuição da influência do futsal e das experiências que proporcionavam maior contato com a bola.

“Hoje vejo um futebol em que os caras sabem jogar futebol porque o conhecimento tático e técnico está muito mais à mostra e acessível, só que eles estão sabendo jogar menos bola.”

E completou:

“Eles sabem jogar futebol, mas não sabem jogar bola.”

Na visão de Hernanes, o futsal desenvolve o chamado “amor pela bola” justamente pela necessidade de tomar decisões rápidas em espaços reduzidos e participar constantemente das ações do jogo.

Ele entende que essa característica ajudou historicamente a diferenciar jogadores brasileiros.

“Não tem espaço para o transgressor”: Hernanes questiona a indústria do futebol

A crítica do ex-meia vai além do futsal.

Hernanes entende que a profissionalização e a transformação do futebol em um grande negócio alteraram o processo de formação dos jogadores.

Ele usa uma comparação com a produção industrial de alimentos para explicar sua tese: na visão do Profeta, o futebol passou a buscar atletas prontos fisicamente, acelerando etapas que antes permitiam que determinados jogadores amadurecessem com o tempo.

Para ele, essa mudança prejudica principalmente os jogadores mais cerebrais, que podem não apresentar grande capacidade física durante a adolescência.

“Os jogadores que potencialmente seriam meio-campistas precisam ter intelecto, não só físico.”

Hernanes cita sua própria trajetória como exemplo.

Quando chegou ao São Paulo, ainda era fisicamente franzino e não apresentava as características atléticas que poderiam chamar atenção em um processo de seleção excessivamente baseado em força e velocidade.

Foi justamente nesse período que a estrutura do clube permitiu que ele continuasse se desenvolvendo.

“Se a indústria tivesse me achado até os meus 16 anos, eu não teria jogado futebol de campo, porque era fraco e lento.”

Por isso, ele critica a existência de transferências envolvendo crianças em categorias muito pequenas e defende um processo de desenvolvimento mais longo.

São Paulo teve papel decisivo na formação de Hernanes

A relação do Profeta com o Tricolor ajuda a explicar por que sua análise sobre formação de jogadores tem tanto peso.

Hernanes chegou ao São Paulo depois de passar por Corinthians, Santos, Portuguesa e Juventus da Mooca. Ele conta que já havia sido reprovado em outros clubes e chegou ao Tricolor mais determinado.

A estrutura encontrada no clube também foi fundamental.

Segundo o ex-jogador, o São Paulo mantinha uma preocupação importante com a formação humana dos atletas, incluindo educação e intercâmbios internacionais.

Durante sua passagem pela base, teve contato com jogadores de diferentes países e chegou a conhecer o armênio Henrikh Mkhitaryan, que posteriormente também construiu carreira internacional de destaque.

Hernanes também estudou dentro da estrutura do clube e depois passou a frequentar a faculdade com apoio logístico do São Paulo.

“A categoria de base do São Paulo sempre foi um modelo, era um trabalho muito forte e a estrutura era extraordinária.”

Hernanes quer recuperar uma característica que considera perdida

O Profeta afirma que seu método de formação está sistematizado e escrito. O objetivo é colocar suas ideias em prática e observar os resultados.

A proposta está diretamente ligada àquilo que ele considera essencial no desenvolvimento de um jogador: técnica, capacidade de pensar, criatividade, repetição e contato constante com a bola.

A própria carreira de Hernanes foi construída sobre esse princípio.

Ele conta que treinou durante anos para desenvolver o domínio da perna esquerda e chegou a escrever com a mão esquerda como parte de seus exercícios de desenvolvimento.

Hoje, quer transformar parte desse conhecimento em uma metodologia para outros jogadores.

“Tendo o meu método, não quero ir para algum lugar onde digam: tem que treinar assim. Ou faço aquilo que acredito ou vou esperar até entrar em algum lugar que me dê essa liberdade.”

O ídolo do São Paulo que virou referência para uma nova geração

A história de Hernanes ganhou uma dimensão ainda maior no São Paulo durante a campanha de 2017, quando o clube lutava contra o rebaixamento.

O ex-meia assumiu protagonismo dentro do elenco e passou a cobrar mudanças relacionadas à alimentação, ao sono e à preparação dos atletas.

Um dos episódios mais lembrados foi a retirada de alimentos considerados excessivamente calóricos do CT, entre eles o famoso pudim.

Hernanes explicou que seu comportamento naquele momento tinha relação com sua obsessão por encontrar respostas para os problemas do time.

Depois de consultar dados do departamento de fisiologia e conversar com a comissão técnica, ajudou a implementar mudanças.

“Quando eu cheguei lá, pela minha maturidade de ter jogado fora, de estar num momento diferente da minha carreira, eu tinha essa moral. Depois me deram também a faixa de capitão. Enfim, cheguei realmente para colocar ordem na casa.”

A campanha de 2017 também mudou a maneira como o próprio Hernanes enxergava sua relação com a torcida.

Ele sempre teve como referência ídolos como Raí, Rogério Ceni e Lugano e não se colocava nesse mesmo patamar.

Depois daquele período, porém, passou a aceitar o status de ídolo.

“Em 2017, depois do que aconteceu e de como o torcedor me acolhe hoje, eu falo: realmente aceito.”

Hernanes explica sua visão sobre Neymar, Messi e os grandes craques

A análise do Profeta não ficou restrita ao futebol brasileiro.

Ao falar sobre os jogadores que mais o impressionaram, Hernanes colocou Neymar e Ronaldinho Gaúcho em um patamar especial.

Também citou Lionel Messi como um jogador de outro nível e destacou a capacidade do argentino de manter um altíssimo padrão de performance por muitos anos.

Para Hernanes, a longevidade de Messi está diretamente relacionada à disciplina.

O ex-meia também defendeu Neymar das críticas sobre seu potencial não ter sido plenamente alcançado. Na visão dele, o atacante atingiu o nível que poderia atingir, mas não teve a mesma durabilidade de Messi.

Sobre a última Copa, Hernanes também afirmou que levaria Neymar se ele estivesse em condições físicas, considerando sua importância para a Seleção.

7 a 1: Hernanes diz que finalmente fez as pazes com a derrota

Um dos momentos mais dolorosos da carreira do Profeta foi a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo de 2014.

Anos depois, Hernanes revelou que só recentemente conseguiu lidar melhor com aquela lembrança.

Ele contou que durante muito tempo sentia raiva ao recordar a partida, principalmente porque acreditava que o Brasil tinha condições de conquistar o título jogando em casa.

A ausência de Neymar, machucado, e de Thiago Silva, suspenso, também pesou na avaliação que fez da partida.

Hernanes definiu Neymar como uma peça que representava praticamente “meio time” naquele contexto e afirmou que a ausência do atacante teve impactos técnico, tático e emocional.

Profeta também defende adaptação da Seleção Brasileira

Na análise sobre a Seleção, Hernanes rejeitou a ideia de que o Brasil precise necessariamente dominar todos os adversários por meio da posse de bola.

Para ele, o futebol exige adaptação.

Ao comentar a eliminação diante da Noruega, o ex-jogador apontou principalmente a passividade brasileira na execução do modelo de jogo.

Ele também argumentou que a Seleção precisa reconhecer suas próprias características e não simplesmente tentar reproduzir o estilo de outras equipes.

Hernanes citou a Espanha e jogadores como Rodri e Pedri para explicar que cada seleção precisa construir um modelo de acordo com os atletas disponíveis.

“Temos o Rodri? Não temos o Rodri. Temos o Pedri? Não temos o Pedri. Então temos que nos adaptar e aceitar. Aceita que dói menos.”

Qual será o próximo passo de Hernanes?

A nova etapa da carreira ainda não tem um destino completamente definido.

O Profeta já possui formação para trabalhar como treinador, considera atuar como agente e atualmente está envolvido diretamente com a formação de jogadores na Itália.

Além disso, continua produzindo conteúdo e análises sobre futebol e mantém projetos relacionados ao vinho, ao empreendedorismo e ao desenvolvimento de atletas.

O ponto em comum entre todas essas atividades é a busca por conhecimento e por métodos próprios.

E, apesar de não planejar voltar ao São Paulo neste momento, Hernanes deixa claro que a relação com o clube permanece intacta.

O ídolo tricolor quer continuar próximo do futebol, ensinar o que aprendeu e encontrar uma maneira de contribuir com a formação de novos jogadores.

O retorno ao São Paulo, por enquanto, não está nos planos. Mas a porta para ajudar o clube no futuro continua aberta.


Hernanes vai voltar ao São Paulo?

Hernanes afirmou que não pensa em retornar ao Brasil e ao São Paulo neste momento. O ex-meia, porém, disse que gostaria de estar pronto para ajudar o clube em alguma função no futuro.

O que Hernanes está fazendo atualmente?

O Profeta voltou a trabalhar no futebol e atua na formação de jogadores na Itália. Ele também desenvolve um método próprio para treinamento e considera possibilidades como treinador ou agente.

Por que Hernanes critica o futebol moderno?

O ex-jogador entende que o futebol atual privilegia cada vez mais características físicas e processos industriais de formação, deixando menos espaço para jogadores que precisam de mais tempo para desenvolver técnica, criatividade e capacidade de leitura do jogo.

Quantos jogos Hernanes fez pelo São Paulo?

O ex-meia construiu duas passagens marcantes pelo clube e se tornou um dos principais ídolos recentes da torcida, especialmente após sua atuação na campanha de 2017.


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