São Paulo pode conseguir pagar dívidas com ajuda do BNDES e Governo Federal

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Fachada do edifício do BNDES com a sigla em destaque na frente e vegetação ao redor.

O São Paulo pode ser beneficiado por uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinada a clubes endividados das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

A proposta está sendo discutida por clubes, Governo Federal e CBF. A entidade participa como articuladora, mas não financiaria diretamente o programa.

A ideia é permitir que os clubes tenham acesso a empréstimos com juros inferiores aos praticados no mercado, desde que o dinheiro seja usado para quitar dívidas ou realizar investimentos estruturais.

Ainda não há definição sobre o valor total, os critérios de aprovação ou o formato definitivo da operação.

Crise das bets impulsiona negociação

As conversas ocorrem enquanto o Governo Federal estuda uma medida provisória para restringir, ao menos parcialmente, as atividades das empresas de apostas esportivas no Brasil.

As bets se tornaram uma das principais fontes de patrocínio dos clubes.

A estimativa apresentada nas negociações é que as empresas do setor paguem aproximadamente R$ 1 bilhão por ano para exibir suas marcas nas camisas dos clubes da Série A.

Uma proibição ou forte restrição ao mercado poderia reduzir receitas de patrocínio, publicidade e ações comerciais.

Os clubes argumentam que a perda desses recursos agravaria uma crise financeira que já inclui dívidas trabalhistas, tributárias, bancárias e com outros clubes.

Como funcionaria a linha do BNDES

O formato ainda está em discussão, mas a proposta principal prevê empréstimos com condições mais favoráveis.

Os recursos seriam destinados prioritariamente a:

  • Pagamento de dívidas vencidas.
  • Regularização de salários e direitos de imagem.
  • Quitação de débitos com clubes e atletas.
  • Redução de passivos tributários.
  • Cumprimento de obrigações financeiras.
  • Investimentos em centros de treinamento.
  • Reformas em estádios e estruturas esportivas.

O dinheiro não seria uma premiação nem um repasse gratuito. Os clubes teriam de devolver os valores ao BNDES, conforme contratos e cronogramas próprios.

Não seria um novo Refis

A proposta seria diferente dos programas tradicionais de refinanciamento fiscal.

Um Refis costuma se concentrar em dívidas tributárias. A linha de crédito em discussão poderia contemplar também:

  • Débitos com jogadores.
  • Dívidas com empresários.
  • Pendências com outros clubes.
  • Obrigações trabalhistas.
  • Transfer bans.
  • Dívidas registradas em câmaras arbitrais.
  • Passivos bancários e comerciais.

A medida permitiria uma reorganização mais ampla das finanças, desde que os clubes cumprissem regras de controle e transparência.

Infraestrutura também pode ser contemplada

Os clubes com menor nível de endividamento poderiam utilizar parte do crédito em infraestrutura.

Essa possibilidade serviria para evitar que apenas os times em crise fossem beneficiados.

Entre os investimentos possíveis estão:

  • Construção e modernização de centros de treinamento.
  • Reforma de estádios.
  • Melhoria de campos.
  • Estruturas para categorias de base.
  • Instalações do futebol feminino.
  • Equipamentos de recuperação física.
  • Sistemas de gestão e monitoramento.

A própria CBF já prevê que investimentos em base, futebol feminino e infraestrutura fiquem fora de alguns cálculos do Fair Play Financeiro. 1310

Fair Play será usado como argumento

A CBF tem utilizado o novo sistema de Fair Play Financeiro para defender a liberação dos empréstimos.

O argumento é que, desta vez, os clubes não receberiam ajuda sem contrapartidas.

As equipes estariam submetidas a regras de governança, monitoramento de dívidas e limites de gastos. O crédito poderia ser condicionado ao cumprimento de metas e à fiscalização do uso dos recursos.

O sistema da CBF prevê controle de dívidas em atraso, equilíbrio operacional, limite de gastos com o elenco e controle do endividamento de curto prazo.

Regras financeiras da CBF

O Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro entrou em vigor em 2026.

Entre as regras estão:

  • Monitoramento em três períodos da temporada.
  • Controle de dívidas assumidas a partir de janeiro de 2026.
  • Limite para déficit operacional.
  • Controle da dívida líquida de curto prazo.
  • Restrição de gastos excessivos com o elenco.
  • Possibilidade de punições esportivas.
  • Prazo de adaptação para passivos anteriores a 2026.

Para clubes da Série A, o déficit máximo previsto é de R$ 30 milhões ou 2,5% da receita. Na Série B, o limite é de R$ 10 milhões ou 2,5% da receita. 1310

São Paulo enfrenta dificuldades financeiras

O São Paulo poderia utilizar uma eventual linha de crédito para reorganizar parte de suas obrigações.

O clube enfrenta dívidas com jogadores, outros clubes, fornecedores e empresas que prestaram serviços.

Nos últimos meses, o Tricolor precisou negociar diferentes pendências para evitar punições, incluindo riscos de transfer ban.

A dívida com o Novorizontino pela contratação de Djhordney, por exemplo, foi renegociada para evitar uma nova restrição ao registro de atletas.

O clube também sofreu um transfer ban em 2026 por causa de uma pendência relacionada à compra de Marcos Antônio junto à Lazio, posteriormente regularizada.

São Paulo não seria o único beneficiado

As conversas são lideradas principalmente por Corinthians e Internacional.

Os dois clubes atravessam grave crise financeira e estão sob transfer bans da Fifa. O Corinthians acumula três punições relacionadas a dívidas que somam aproximadamente R$ 21,5 milhões.

Internacional e Corinthians procuraram apoio de Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG e ex-diretor executivo da EY.

Um estudo produzido pela consultoria ajudou a embasar as conversas com o Ministério do Esporte e a CBF.

CBF não será financiadora

A CBF participa da articulação política e institucional, mas não deve colocar dinheiro diretamente na operação.

A entidade tenta aproximar os clubes do Governo Federal e apresentar o Fair Play Financeiro como uma garantia de que os recursos terão uso controlado.

O BNDES seria o responsável por estruturar e conceder os empréstimos, caso o programa seja aprovado.

Ainda será necessário definir se o governo oferecerá garantias, subsídios de juros ou algum mecanismo de compartilhamento de risco.

Decisão pode ficar para depois das eleições

A expectativa é de que o tema avance apenas depois das eleições.

O segundo turno está previsto para 25 de outubro. Até lá, o Governo Federal pode evitar anunciar uma medida de grande impacto para o futebol profissional.

As negociações já ocorrem há aproximadamente um mês, mas não há prazo definido para a criação da linha de crédito.

Também não se sabe se o programa atenderia automaticamente todos os clubes das Séries A e B ou se haveria seleção com base em critérios financeiros.

Riscos e contrapartidas

Uma linha de crédito pública exigiria mecanismos rigorosos de controle.

Entre as possíveis exigências estão:

  • Apresentação de balanços auditados.
  • Plano de pagamento de dívidas.
  • Limite para novos gastos.
  • Proibição de usar o dinheiro em contratações.
  • Fiscalização independente.
  • Transparência sobre os contratos.
  • Cumprimento das regras da CBF.
  • Garantias financeiras para o empréstimo.
  • Penalidades em caso de desvio de finalidade.

A principal preocupação é evitar que o crédito seja usado para contratar jogadores ou elevar a folha salarial sem reduzir o passivo.

Debate sobre dinheiro público

A proposta deve provocar debate sobre o uso de recursos de um banco público para ajudar clubes de futebol.

Os defensores afirmam que o setor gera empregos, movimenta receitas, fortalece cadeias de comunicação e promove investimentos esportivos.

Os críticos podem questionar se o BNDES deve assumir riscos relacionados a instituições esportivas privadas, especialmente clubes com histórico de má gestão.

A criação do programa dependerá de critérios que demonstrem capacidade de pagamento e benefício econômico ou social.

Situação atual

ItemInformação
Beneficiários potenciaisClubes das Séries A e B
Banco cogitadoBNDES
ArticuladorCBF
Financiador diretoAinda não definido
Uso prioritárioPagamento de dívidas
Uso alternativoInfraestrutura
JurosPossivelmente menores que os de mercado
Valor totalAinda não definido
ExigênciasFair Play e governança
Prazo de discussãoApós as eleições é o cenário esperado

Impacto para o São Paulo

Se aprovado, o programa poderia ajudar o São Paulo a:

  • Quitar dívidas com outros clubes.
  • Evitar novos transfer bans.
  • Regularizar pagamentos a atletas.
  • Reorganizar compromissos tributários.
  • Reduzir o custo do endividamento.
  • Alongar o prazo de pagamento.
  • Preservar receitas futuras.
  • Retomar investimentos em Cotia e no SuperCT.

O crédito, porém, não eliminaria a dívida do clube. Apenas substituiria obrigações imediatas por um financiamento de prazo mais longo e com custo possivelmente menor.

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