Depois dos estrangeiros, gramados e rebaixamento entram na mira da CBF; entenda como o São Paulo se encaixa
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A decisão recente dos clubes de reduzir gradualmente o número de estrangeiros permitidos no Brasileirão não foi um episódio isolado — é apenas o primeiro capítulo de uma agenda mais ampla de mudanças estruturais que a CBF já vem articulando com as equipes da Série A. Segundo apuração do UOL, gramados e número de rebaixados formam, ao lado dos estrangeiros, uma tríade de temas que já chegou à mesa do conselho técnico mais recente da elite do futebol brasileiro — ainda que apenas o primeiro deles tenha avançado para votação até agora.
O que já foi aprovado sobre estrangeiros
A regra sobre jogadores estrangeiros já está definida: haverá redução gradual do limite até 2030, caindo de nove para cinco atletas de fora do país por clube. Apenas Flamengo e Bahia votaram contra a proposta na reunião mais recente. O tema dos gramados, por sua vez, já tem data para começar a ser debatido: a reunião de outubro do conselho técnico.
A estratégia política por trás das votações
Além do componente técnico, a apuração revela um componente estratégico relevante na condução dessas discussões pela CBF. No contexto mais amplo da formação de uma liga única do futebol brasileiro, a entidade optou por trazer primeiro os itens ligados à melhora do produto em campo — regulamento, horários, tempo de bola rolando e, agora, estrutura física dos estádios —, deixando a espinhosa discussão sobre divisão de receitas entre os clubes para um momento posterior.
A CBF também tem adotado uma metodologia de apresentações mais densas e aprofundadas para cada tema específico, em vez de tentar aprovar pacotes completos de regulamento de uma só vez — estratégia que, segundo a apuração, tem reduzido os embates mais acalorados que costumavam marcar reuniões do conselho técnico no passado. Um exemplo dessa disciplina temática: o Flamengo tentou incluir na pauta a derrubada da regra que veta a transferência de um jogador dentro da própria Série A caso ele já tenha ultrapassado o limite de 12 partidas disputadas por outro clube na mesma temporada, mas a entidade não permitiu a votação, sob a justificativa de que o tema não estava agendado para aquele dia e exigiria mais estudo.
Por que o gramado é o próximo alvo
O avanço da pauta sobre gramados tem uma engrenagem financeira por trás. A CBF já sinalizou que fará exigências estruturais que vão demandar mobilização até dos clubes mais ricos do país — e o instrumento escolhido para viabilizar isso é a forma de distribuição das cotas da Copa do Brasil. A entidade vai estabelecer um valor fixo destinado aos clubes da Série A e da Série B, com esse dinheiro “carimbado” especificamente para pagamento de dívidas e melhorias estruturais, incluindo os próprios gramados.
Já a discussão sobre redução do número de rebaixados — hoje em quatro, com parte dos clubes defendendo a redução para três, como forma de diminuir a imprevisibilidade financeira ligada à perda brusca de receita ao cair para a Série B — segue sem data confirmada para entrar em pauta.
Os números que justificaram a redução de estrangeiros
O caminho até a aprovação da redução de estrangeiros passou por um estudo detalhado da CBF, que inicialmente ponderava o risco de enfraquecer o nível técnico do campeonato com menos jogadores de fora em campo. A balança pendeu para a redução, porém, ao cruzar dois dados: a minutagem crescente de estrangeiros nos últimos anos e a queda proporcional na participação de jogadores brasileiros sub-23 no mesmo período. Segundo a apuração, esse salto na presença estrangeira ficou mais evidente exatamente quando o limite passou de cinco para sete atletas, em 2023, e depois de sete para nove, em 2024.
A entidade reconhece que nomes fora da curva — caso de Estêvão e Endrick, ambos revelados pela base do Palmeiras e negociados por valores milionários no exterior — sempre estarão no radar de clubes estrangeiros, independentemente de qualquer limite. A preocupação da CBF está voltada, principalmente, a jogadores de desenvolvimento mais gradual, que hoje podem ter menos espaço para amadurecer no futebol nacional por conta da concorrência direta com atletas estrangeiros já mais prontos taticamente.
Um dado reforça esse diagnóstico: dos 159 estrangeiros utilizados na Série A em 2026 (excluindo atletas com dupla nacionalidade brasileira), 30% nunca sequer defenderam suas seleções nacionais, outros 29% somam entre uma e cinco partidas pelo país de origem, e apenas 41% têm seis partidas ou mais pela própria seleção — um indicativo, na leitura da CBF, de que parte relevante dos estrangeiros contratados não representa necessariamente um salto de qualidade proporcional ao espaço que ocupam.
A entidade também argumenta que a hegemonia recente de clubes brasileiros na Libertadores não deve ser comprometida pela medida: o domínio continental começou em 2019, quando o limite de estrangeiros ainda estava em cinco — período que rendeu dois títulos ao Flamengo e outros dois ao Palmeiras entre 2019 e 2022, já sob o limite mais restritivo.
Onde o São Paulo se encaixa nessa discussão
O momento da mudança de regra é particularmente favorável ao São Paulo, que — como já mostramos em cobertura recente — já opera hoje com a menor média de estrangeiros relacionados por rodada entre os quatro grandes clubes paulistas, à frente apenas por já ter adotado, na prática, uma composição de elenco mais alinhada ao cenário que a CBF quer consolidar a partir de 2027. Enquanto rivais diretos como Santos e Palmeiras hoje dependem de forma mais intensa de elencos internacionalizados, o Tricolor tende a sentir impacto estrutural menor na transição — um raro ponto de vantagem competitiva em meio ao momento financeiro turbulento vivido pelo clube.
Vale destacar, ainda, que a CBF afirma não ter formulado a mudança pensando prioritariamente no técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti — embora o próprio italiano já tenha sinalizado publicamente a necessidade de testar mais jogadores jovens, sobretudo no meio-campo, algo que a medida pode, na prática, favorecer indiretamente.
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@OGabrielSa
Depois de tirar dois membros da Comissão de Ética que votariam por sua expulsão, Olten Ayres nomeou os substitutos: José Rubens Macedo de Soares e Rafael Palma. O detalhe? Os dois são do mesmo GRUPO POLÍTICO do presidente do Conselho.
José Rubens assume agora como relator do caso de Carlos Belmonte. A audiência foi remarcada para o dia 5 de outubro.
Cada dia me convenço mais, que só a violência contra esses bandidos resolverá os problemas ou boa parte deles.
Até hoje não entendi porque o SPFC não entrou com pedido de Recuperação Judicial? Acho que seria a saída pra tentar estancar e renegociar o que deve.
Acho que é por conta da natureza jurídica do clube
Não fosse isso, Corinthians e Santos já deveriam ter entrado também
O clube e uma sociedade civil sem fins lucrativos. Para pedir RJ, por lei, tem que ser uma empresa formal. Para pedir RJ o clube precisaria primeiro virar SAF ou se tornar uma empresa.
“Sem fins lucrativos”
Assim mesmo, entre aspas.
Não é entre aspas.
Um clube associativo não pode auferir lucro no balanço. E não pode distribuir proventos.
Não é pq no seu entorno há CNPJs que geram lucro que esse ponto deixa de ser verdade.
Lei nº 11.101/2005) diz que o pedido é para empresários e sociedades empresárias. Ela não cita as associações.