Crespo, Roger, Dorival: a curva de aproveitamento que acusa o elenco, não o banco
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Três técnicos comandaram o São Paulo em 2026 e cada um entregou menos que o anterior. Hernán Crespo fechou com 61,9% em 14 jogos, Roger Machado com 52,1% em 16, Dorival Júnior está em 37,5% em 16. Quando três perfis diferentes produzem uma curva que só desce, a variável que explica o resultado não é quem está no banco. Esse tipo de sequência também muda a forma como o torcedor acompanha o time fora de campo, inclusive ao comparar mercados e opções como melhor plataforma de 1 real para apostar com segurança no Brasil.
O ponto central, porém, continua sendo esportivo. Trocar o treinador pode alterar modelo de jogo, escalação e comportamento da equipe, mas não resolve sozinho problemas de elenco, criação e eficiência. Se a queda se mantém mesmo com mudanças de comando, o diagnóstico precisa avançar para outras áreas do departamento de futebol.
Os números lado a lado
Dorival completou 16 partidas nesta terceira passagem com quatro vitórias, seis empates e seis derrotas. Roger Machado teve exatamente o mesmo número de jogos antes de ser demitido em maio, com sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas. Crespo saiu em março após 14 partidas na temporada, com oito vitórias, dois empates e quatro derrotas.
Some a isso Milton Cruz, interino por uma partida em maio, e Luis Zubeldía, que comandou o time até junho de 2025. São cinco comandos em pouco mais de vinte meses.
A régua de duas temporadas conta a mesma história. Em 2025 o São Paulo terminou a Série A em oitavo e caiu nas quartas da Libertadores. Em 2026 está em décimo e caiu nas quartas da Sul-Americana, competição de nível inferior. Duas temporadas, dois degraus para baixo na liga e um rebaixamento de patamar continental, com quatro treinadores diferentes no meio do caminho.
A queda dentro da mesma competição
O recorte mais limpo não são os três técnicos. É o Brasileirão sozinho. Em 21 de março, na oitava rodada, o São Paulo tinha cinco vitórias, um empate e duas derrotas, 16 pontos e a segunda colocação, atrás apenas do Palmeiras. Hoje o time é o décimo colocado.
Essa comparação elimina o argumento do calendário, porque é a mesma competição, a mesma temporada e o mesmo elenco base. Cair oito posições dentro de um campeonato de pontos corridos não é variação estatística. É perda de rendimento sustentada.
O contra-argumento honesto
Os três recortes não são equivalentes, e vale dizer isso antes de alguém dizer por você. Crespo pegou o Campeonato Paulista e a largada do Brasileirão. Dorival pegou os mata-matas continentais, incluindo dois jogos contra o Boca Juniors, e teve a temporada partida ao meio pela pausa da Copa do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho.
Há também o problema do tamanho da amostra. A diferença entre os 52,1% de Roger e os 37,5% de Dorival equivale a cerca de duas vitórias e meia em 16 jogos. Isoladamente, isso caberia dentro do ruído de uma sequência ruim.
O que tira o dado do ruído é a repetição. É o terceiro degrau para baixo seguido, com três treinadores de escolas distintas, e vem acompanhado da queda de oito posições dentro do próprio Brasileirão. Um degrau é azar. Três degraus na mesma direção é tendência.
A variável que ninguém trocou
O elenco. Em novembro de 2025, a própria diretoria reconheceu publicamente que o grupo precisava de rejuvenescimento e admitiu descuido no departamento médico. A média de idade do profissional era de 28 anos, contra 26,4 do Palmeiras e 26,4 do Corinthians.
O núcleo que joga hoje é o mesmo daquele diagnóstico. Rafael no gol, Tolói e Arboleda na defesa, Lucas Moura, Calleri e Luciano na frente. Luciano segue como artilheiro do time, com 14 gols na temporada, o que é menos um elogio ao camisa 10 do que um indicador de quanto o ataque depende de um jogador de 33 anos que já perdeu tempo por lesão em temporadas seguidas.
Um elenco envelhecido não cai de rendimento de forma linear ao longo do ano. Ele cai por acúmulo, e o acúmulo aparece exatamente onde apareceu aqui, na segunda metade da temporada, sob o terceiro técnico.
Por que o técnico é sempre a peça trocada
Porque é a única que o clube consegue trocar. O São Paulo fechou o primeiro trimestre de 2026 com R$ 936,2 milhões de dívida, em crescimento real e não apenas contábil. O balanço de 2025 foi reprovado pelo Conselho Deliberativo, com ressalvas de auditoria. O presidente eleito foi afastado e renunciou em janeiro. Em 10 de setembro, o clube prestou depoimento à CPI dos Devedores da Câmara Municipal.
Nesse cenário, reformar o elenco custa dinheiro que não existe. Demitir um treinador custa rescisão, que é caro, mas é pagável e produz efeito de comunicação imediato. Por isso a troca de comando virou a resposta padrão, e por isso ela entrega cada vez menos. Cada novo técnico recebe um grupo mais desgastado, com menos margem de correção e menos tempo até a próxima cobrança.
O que observar nas próximas rodadas
A tese acima é falsificável, e é assim que ela deve ser lida. Se o São Paulo engatar uma sequência de vitórias na reta final do Brasileirão com o mesmo elenco e o mesmo treinador, o argumento enfraquece e a leitura de crise de confiança passa a explicar melhor.
Se o rendimento continuar no mesmo patamar até novembro, a conclusão fica difícil de escapar. Trocar Dorival em outubro produziria o quarto degrau da mesma escada, e a diretoria estaria comprando, com dinheiro de rescisão, a repetição de um resultado que já testou duas vezes neste ano.
A pergunta que interessa não é quem senta no banco em 2027. É quantos jogadores do time titular de hoje ainda estarão em campo. Você trocaria o técnico agora ou seguraria até a reformulação do elenco?
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