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O Futebol Brasileiro na Encruzilhada: cobrando pelos ‘minutos’ enquanto a geração Z pede ‘momentos’ – PARTE I
Por que o modelo de Pay-TV está obsoleto e como a Liga Brasileira pode adotar a visão de inversão de valor para garantir o futuro da audiência
O futebol brasileiro, com sua paixão fervorosa e audiência massiva, tem sido o pilar do modelo tradicional de direitos de transmissão na América do Sul. No entanto, Michael Broughton apresenta uma visão em seu artigo sobre a inversão de valor no esporte global — onde o público está pagando pelos “minutos” de uma partida, valorizando e consumindo apenas os “momentos” cruciais — que serve como um espelho crítico para a Série A do nosso futebol.
Nossa tese é direta: se a indústria continua a trancar o jogo completo (90 minutos) atrás de paywalls caros (seja em pay-per-view ou TV a cabo), enquanto os gols e lances virais são distribuídos gratuitamente em segundos no TikTok, estamos cobrando pelo produto errado.
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O Contraste entre Tradição e Consumo Jovem
O modelo atual no Brasil é a personificação do “Modelo Legado”: a partida ao vivo é o ativo mais escasso e, portanto, o mais caro. As plataformas pagam somas bilionárias pelos direitos, o que força a criação de barreiras de acesso para recuperar o investimento.
Contudo, os dados globais indicam um desinteresse crescente pela forma de consumo tradicional:
- Apenas 19% dos fãs de esportes entre 18 e 34 anos assistem a um jogo inteiro em casa.
- Mais de 30% da Geração Z diz não assistir a esportes ao vivo na TV.
Para o fã jovem brasileiro, o tweet viral sobre um golaço de bicicleta ou o clipe editado e remixado de uma polêmica de arbitragem são o foco de seu engajamento, não a jornada completa do jogo. Eles utilizam múltiplos dispositivos e esperam imediação, escolha e compartilhabilidade, algo que o rígido contrato de transmissão de 90 minutos não entrega.
Como Broughton argumenta, se o conteúdo mais emocionante — o que impulsiona a cultura e o engajamento — é dado de graça, o jogo completo se torna o “enchimento” pelo qual se está cobrando.
A Adaptação ao Futebol Brasileiro: Invertendo a Lógica
O desafio para a Liga e os clubes brasileiros não é se o público vai pagar, mas pelo que ele vai pagar. A solução, inspirada na provocação de Broughton, é liberar o jogo como marketing e cobrar pela experiência e propriedade que o acompanha.
1. Transformar o Jogo em “Isca” para o Alcance
- Distribuição de Jogos Selecionados: Estruturar um modelo onde jogos específicos (ou períodos de jogos) sejam transmitidos gratuitamente ou a custos muito baixos em plataformas abertas (como YouTube ou Twitch), com forte monetização por publicidade e patrocínios. O objetivo é maximizar o alcance e construir uma base gigantesca de dados de fãs.
- Monetização da Segunda Tela: O jogo gratuito serve como “isca” para atrair o público a um aplicativo do clube ou da Liga que vende recursos premium de segunda tela: estatísticas avançadas em tempo real, overlays interativos de apostas e enquetes.
2. Cobrar por Imersão e Propriedade (Os Momentos Premium)
O valor não deve estar no jogo, mas nos seus derivados e no acesso. Os clubes podem criar receita com:
- Conteúdo Exclusivo de Bastidores: Micro-assinaturas para acesso a vídeos dos vestiários, bastidores da concentração, ou câmeras focadas em jogadores específicos (player mic-ups) durante o treino. A F1 já faz isso com sucesso com as câmeras onboard.
- “Super-Fã” e Conteúdo Arquivado: Pacotes de acesso irrestrito ao acervo digital do clube, jogos históricos, ou feeds personalizados. O fã paga para possuir digitalmente a história do clube.
- Creator Economy: Em vez de combater, colaborar com criadores de conteúdo (Youtubers, TikTokers) para que usem clipes licenciados dos momentos do jogo. O clube lucra com o patrocínio atrelado a essa rede amplificada de distribuição.
O Próximo Contrato de Direitos e o Risco da Inação
O próximo ciclo de negociação de direitos no Brasil será crucial. Se a Liga insistir em cobrar um valor inflacionado pelo pacote Full Game, Gated Access, ela corre o risco de se desconectar ainda mais da Geração Z.
Como John Skipper, ex-Presidente da ESPN, advertiu, a ideia de que “paywalls vencerão para sempre é falha.” No ambiente digital, impor fricção (assinaturas caras) em um produto que o público não quer consumir integralmente é uma receita para o declínio.
A adaptação não exige que o futebol abandone completamente a Pay-TV, mas sim que adote uma abordagem híbrida: gerenciar segmentos de audiência. Enquanto os fãs mais velhos continuam a preferir a experiência de 90 minutos, os jovens exigem flexibilidade, clipes e snackable content.
O futuro do engajamento e da receita do futebol brasileiro não está em vender o tempo de transmissão, mas sim em vender o acesso, a personalização e a participação nos momentos que definem o esporte.
Por: Filipe Cunha – Finanças Tricolor – https://financastricolor.substack.com/p/o-futebol-brasileiro-na-encruzilhada
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O Casares já renunciou ?
A oposição protocolou o pedido de afastamento ?
O Olten acionou a comissão de ética ?
Parece que ainda não chegou nas mãos do mijão.
Realmente, ver passivamente um jogo completo por 2 horas deve ser considerado uma perda de tempo que só os mais velhos valorizamos. Além disso eu adoro o pos jogo, mas só quando o resultado é bom. Melhores momentos, só se eu não pude ver o jogo. Se eu pudesse, eu iria ao estadio. Independente do resultado, é a melhor das experiências.
O pior é que a patota da destruição cultiva na torcida, o pior dos sentimentos …, a indiferença.
Só esqueceram de falar o principal… Os piratas. Hj todo mundo sabe como ter uma aparelho do Paraguai q tem todos canais de graça ou paga 30 pra um servidor qualquer pra ter o mesmo. E é esse o principal motivo de não se pagar canais fechados mais. Sinto muito mudem de ramo. Pq Tv fechada ou por assinatura já era. Não tem volta
E vários canais dizendo que vem mais bomba por aí amanhã mesmo.
Lendo o artigo e vindo na cabeça quando eu era moleque e tive tv cabo. Era o dia todo no SporTV. hehehe… Via jogos dos quais não estavam na TV aberta, reprises completos e os programas voltados ao futebol. E, sem contar meu amigo (que inclusive vemos jogos até hoje juntos, como a final ontem) que tinha ppv e não perdiamos um jogo do SPFC. Bom, aí o negócio era ver o jogo + programas sobre o jogo + reunir os moleques pra jogar bola e depois ficar falando dos jogos.
Agora, é “engraçado” ver a nova geração (e isso que sou de 90) ter uma percepção absolutamente diferente. Inclusive conversando ontem com meu amigo, sobre a molecada que a gente jogou uns tempos atrás e como eles não sabiam jogar salão. E, o impacto disso hoje nos jogadores atuais, pois antigamente eram só terrão ou salão, mas hoje é society e todo canto.
No condomínio em que moro a molecada joga mais basquete e sinuca que futebol (ao que vejo esporadicamente). Aparentemente, já conversam (pessoalmente) menos, pois ficam no celular. E, até para assistir um jogo, já criaram um novo modo/mundo. O que me espanta é que ainda falam de futebol, mas acredito ser da forma em que a materia destaca: gostam mais do “tweet viral” e afins ao futebol propriamente dito.
De certa forma, até faz sentido ver uma galera que não fala de futebol e vive de postar qualquer tweet polêmico por aqui. E, óbvio, faz sentido a quantidade de Enzos (ou senhores não fidalgos) ofendidos com comentários sobre os jogos que eu e alguns outros fazem. Os coitados não aguentam mais ver um jogo por completo, imagina observar taticamente um jogo… De sorte que fica evidente porque buscam um senso comum tão raso como: “treiz zagueirus i treis vulantis”, “vamu cair”, “meu idulu. Num fala deli”, “meu treinador pirueta. Deixa u homi” e etc etc etc.
Por fim, cada um curte como quer, mas me soa estranho imaginar que a há uma galera, a qual não consegue nem mais assistir um jogo por 90min. E, não obstante acreditam que entendem algo do que estão falando.
Perdi o prazer por assistir jogos de futebol faz tempo! Arbitragem e essas bets modificaram o futebol no Brasil!! Somente vejo o SPFC e olhe lá!!! Cada vez o torcedor tem menos interesse!!!
É curioso ver uma galera aqui #Indignada com a corrupção no SPFC, mas que fica totalmente de boa na hora de votar conscientemente em ladrão né?
#DependeDeQualPatota
Existem 129 milhões de motivos para essas indignações seletas…
Artigo muito interessante, aborda o tema sob a perspectiva da nova geração de seres humanos. A geração z e uma geração de características autistas , são introspectivos, tem uma relação com o tempo muito peculiar ,sua capacidade de concentração está restrita a poucos segundos ou minutos,,sua conexão com o mundo exterior e tênue, seu universo e a rede neural ,tem dificuldade com o toque físico
E um outro tipo de ser humano, ainda não entendido porém serão o futuro e as coisas terão que mudar pra atender as suas exigencias