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Homem falando em uma transmissão ao vivo, usando fones de ouvido e óculos, em um ambiente de escritório com prateleiras de livros ao fundo.

Especialista afirma que situação do São Paulo não é catastrófica como de outros clubes

Em entrevista ao canal Estagiários, o especialista em Finanças, Rodrigo Capelo, faz uma análise realista da questão real do São Paulo.

Cara, meu pai tá doido aqui falando comigo, vou até dar um respiro pra você aí, porque somos São Paulinos e o São Paulo a gente sabe que está afundado em dívidas, esse de fato está afundado em dívidas. A primeira pergunta, um debate eu acho que dentro da mídia São Paulina interna, dos torcedores, é possível o São Paulo sair da situação que está hoje sem o Massaf? Sim, que é uma dívida de curto prazo, basicamente de juros bancários altíssimos. Sim, tem problemas graves, mas é possível sair porque o São Paulo tem muita capacidade de arrecadação.

Essa é a grande diferença quando a gente fala dos quatro clubes, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, em comparação aos outros. Eu nunca coloco na mesma régua, na verdade não é que eu não coloco na mesma régua, eu tenho que usar a mesma régua pra todos, mas eu nunca coloco no mesmo grupo, entendeu? Sim, sim. Porque Vasco, Botafogo, Cruzeiro, são clubes que estavam com pouca arrecadação, eles não tinham dinheiro entrando, e aí você não tinha o que fazer se não buscar um dinheiro de alguém lá fora.

Sim. Fora desse sistema. O São Paulo não, ele não acompanhou Flamengo e Palmeiras no faturamento, mas ele descolou de quem está atrás, porque ele tem lá seu faturamento de 700, 800 milhões de reais por ano.

Se gastar bem, gastar menos, fizer uma sobra de caixa, pagar dívida, eu acho que é parecido com Corinthians no sentido de que em cinco, seis anos de boa administração, dá pra resolver, definitivo, e no meio do caminho, reperfilando a dívida bancária, achando maneiras de reduzir ela, o São Paulo tem solução. Ele não está numa situação catastrófica como outros clubes brasileiros já estiveram ou ainda estão. E de 2023 para 2024, pra cá, a gente teve um aumento de 300 milhões no último balanço financeiro, é um absurdo o tanto de endividamento que o São Paulo teve, e até fui estudar um pouco, minimamente que eu sei, mas fui tentar entender o porquê do balanço, e o balanço nos leva a crer que de fato o São Paulo não vendeu jogadores pra conseguir cobrir, mas não foi bem isso.

O São Paulo gastou muito em outras questões pra ter um déficit num ano de 300 milhões. Esse ano o Cazares está prometendo que vai ter até superávit, tenho minhas dúvidas, mas o São Paulo, se não bater um bilhão, vai estar na casa dos 900 milhões. E aí como fazer esse rearranjo financeiro, pra o São Paulo realmente conseguir voltar aos trilhos, porque é importante a torcida entender que na visão do que o clube está tentando passar, é porque não vendeu jogadores.

Esse ano vendeu jogadores a rodo, e fecha num superávit que de fato não faz o menor sentido, porque você pegou mais dívida de juros bancários, foram dois empréstimos de 50 milhões. O São Paulo ganhou a Copa do Brasil em 2022. Três.

Três. Então, 2023 é o ano que o São Paulo, com o Júlio Cazares, mexendo em estatuto pra permanência dele por mais tempo, o São Paulo gasta mais do que pode, mas ele tem resultado esportivo, ele ganhou a Copa do Brasil. E isso resgata um pouco da autoestima do torcedor, felicidade, premiação.

E aí as pessoas se enganaram, e eu acho que isso aconteceu tanto da porta pra fora quanto da porta pra dentro, elas se enganaram com o impacto positivo que a Copa do Brasil, ou que um título como a Copa do Brasil causa. Porque traz muita premiação, a premiação da Copa do Brasil é muito alta, só que da premiação você já pega uma grande parte e você repassa pro elenco como bicho, um pagamento variável. Então já tira ali.

Aí depois você tem imposto. Aí depois o que sobrar, você vai colocar nas contas do clube e não vai fazer grande diferença. Essa conta ela não fechou, da Copa do Brasil.

Assim como a conta do Fluminense com a Libertadores também não fechou, pelos mesmos motivos. Porque a premiação é muito alta, mas ela se divide com o elenco, infla folha, tem imposto, tem coisas pra se deduzir, e o que sobra pro clube não é o suficiente pra mudar a realidade. Mas, e aí eu acho que é uma culpa, não vou dizer nossa, porque eu estou alertando isso há um bom tempo, mas é uma culpa da imprensa.

É que quando se fala de competições como essas, Copa do Brasil e Libertadores, dá muito clique falar de premiação. Não, a premiação é de 90 milhões, a premiação é de 100 milhões, o tal clube já embolsou 100 milhões, aí quando o torcedor vê isso, ele entende o que? 100 milhões entraram livres no caixa, então se tinha 100 milhões em dívida, ele vai abater essa dívida, ou então ele vai pagar aquele jogador que ele comprou, entendeu? Cara, não é assim, não é assim, a conta é mais difícil. E esse outro lado que eu venho repetindo todas as vezes há anos, fala-se pouco.

Então, tem um problema aí, São Paulo em 2023 não fecha a conta, mesmo ganhando. Em 2024 ele não fecha a conta de novo, e ele também não ganha. E aí é pior, porque você deprime o seu torcedor, você individa o clube, e você tem um departamento de futebol que está gastando mais do que deveria.

Muito mais. Então, se você gasta muito aqui, alguma coisa vai acontecer. Se a conta não fecha, você vai deixar alguém sem receber, e aí o que São Paulo faz? Ele se individa com o banco, que tem juro alto, ele não recolhe INSS dos jogadores, o que depois vai virar uma dívida tributária, porque em algum momento o governo vai cobrar, em algum momento ele vai dizer que não tem como pagar, coitadinho.

Entra num refis, um programa de reparcelamento, que refis é um dos nomes, mas tem tantos outros. E aquilo vira dívida. Então o São Paulo vai empilhando dívida com a compra do jogador, com o imposto que não foi pago, com o banco que ele pega dinheiro emprestado, os juros sobem, a conta vai ficando impagável.

Em algum momento o São Paulo tem que voltar, apertar o cinto, gastar menos, e fazer futebol como o que tem. O que não quer dizer que ele não vai ser competitivo, porque mesmo nessa situação, nesse grupo de clubes, desses quatro que eu falei, sempre vai ter dinheiro para fazer futebol. Só que tem que gastar menos, tem que enquadrar, tem que acertar.

O São Paulo faz o primeiro movimento do FDIC, então ele pega dinheiro emprestado com esses investidores, e ele usa o dinheiro para perfilar parte da dívida. Então assim, não é que ele paga a dívida, mas ele troca uma dívida que tinha um juro mais alto por outra que tinha um juro mais baixo, uma que tinha um prazo curto por outra com prazo mais longo, etc. Então o FDIC serve para isso.

E o FDIC coloca algumas amarras em termos de prejuízo e gasto, que são o tais dos covenants. Então o São Paulo não pode ferir aquilo, a menos que o FDIC concorde. E o que a gente está vendo hoje é que o FDIC concordou com as infrações que o São Paulo cometeu nessas regras, porque o São Paulo começou a mostrar em 2025 que reduziu o custo, que começou a pagar dívida, está vendendo o jogador.

Então tem ações dessa diretoria em 2025, só em 2025, vamos deixar claro, que começam a mudar um pouco a direção, o rumo, e o FDIC aceita que isso aconteça. Só que a essa altura do campeonato, o Júlio Casares está desmoralizado com o torcedor. O torcedor já não confia mais nesta administração.

Então ele tem que resolver esse problema de imagem. Além disso, ele tem questões internas, porque o Carlos Belmonte, que é o vice-presidente ou diretor de futebol, eu nunca lembro, é porque cada clube tem um cargo ou outro, mas ele é o não remunerado, ele é estatutário. O Belmonte e o Casares começam a se estranhar que é tritos, é um problema político.

Aí o Casares não tira o Belmonte, mas coloca outra pessoa para fazer acompanhamento do futebol, gera problemas políticos. Então o Casares está enrolado politicamente, ele está muito criticado publicamente. Eu recebi ele para entrevistá-lo no meu programa de entrevista, e foi até uma infelicidade, porque a gente gravou antes do São Paulo ter sido eliminado na Libertadores.

Contra a LDU. Contra a LDU, a gente gravou antes. Só que eu tenho um calendário para publicar, e eu fui publicar o episódio dele uma semana depois.

Nesse período de uma semana, foi o período em que o São Paulo foi eliminado da Libertadores e perdeu do Ceará no Campeonato Brasileiro. Uma derrota consecutiva no Murumbi. E aí eu publiquei o episódio na terça, e aí foi uma chuva de comentários negativos, e muita gente, até para mim, como se eu estivesse passando pano para o Casares.

Como é que faz uma entrevista depois das eliminações, ele está tentando mudar, jogar uma bomba de fumaça, esse tipo de coisa. E ele também. E ele próprio me falou, deixa claro que a gente fez a entrevista antes.

Eu deixei, coloquei na descrição, na legenda, mas enfim, não sei se adiantou. Então, esse momento do Casares, ele é muito conturbado. Tem muita gente criticando, gente que não acredita mais na administração, problemas políticos, problemas financeiros.

E a soma de tudo isso, leva a esse desespero do torcedor São Paulino. Que é compreensível e fundamentado. Só, isso não adianta muito dizer, mas não achem que o São Paulo está em um estado que não tem retorno, que é catastrófico, que acabou, eu não acho isso.

Eu não acho isso, porque aí eu tenho que ser honesto com os números. Que tem na mesa. Que tem na mesa, e que tem na nossa história.

Se outros clubes chegaram a uma dívida dez vezes maior do que a Receita, não é o São Paulo que está com oitocentos milhões de dívidas e oitocentos milhões de Receita, está em uma situação catastrófica. Não está. Tem problemas financeiros graves, tem que resolver, mas não é o fim do São Paulo, não.


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