https://SAOPAULO.BLOG

Siga o canal SÃO PAULO FC – NOTÍCIAS no WhatsApp: https://l1nk.dev/whatsappgrupospfc

Imagem de um homem de costas, segurando uma bola de futebol, diante do escudo do São Paulo FC, com um cofre aberto e sacos de dinheiro ao fundo, simbolizando os desafios financeiros do clube.

Um Plano de Resgate Financeiro: existe um caminho para a situação do São Paulo?

Muitas vezes me foi perguntado: “Você, que entende a situação financeira atual do São Paulo como poucos, o que faria se estivesse à frente das Finanças do clube?”

Sabemos que não existe uma “receita de bolo” para resolver os problemas financeiros do clube e que a situação financeira é apenas parte do problema enfrentado pelo tricolor nos últimos anos. Porém, a pedidos, fizemos um exercício de consultoria para sugerir algumas medidas que o clube deveria adotar para ajustar a delicada situação em que se encontra.

O São Paulo Futebol Clube enfrenta atualmente um desafio que vai além das quatro linhas: a necessidade urgente de reestruturação financeira. Com um endividamento líquido alarmante de R$ 910 milhões e um cenário em que as despesas totais superam significativamente a receita recorrente, torna-se imperativo adotar medidas drásticas e planejadas para garantir a sustentabilidade e a competitividade do clube a longo prazo.

No ano de 2024, o clube teve uma despesa operacional de R$ 908 milhões (incluindo R$ 96 milhões de despesas financeiras) e uma receita recorrente de R$ 639 milhões. O déficit foi de mais de R$ 270 milhões, composto também por um resultado não operacional negativo de R$ 92 milhões, devido a parcelamentos tributários e multa pela rescisão com a patrocinadora anterior. A situação exige não apenas a contenção de gastos, mas uma mudança de mindset de gestão.

A seguir, apresentamos um conjunto de medidas estruturais e operacionais, centradas em um plano de ajuste fiscal de quatro anos, para reverter este quadro.

I. O Plano de Ajuste Fiscal de 4 Anos: Prioridade Total na Redução do Endividamento

O cerne da estratégia é garantir que toda e qualquer receita não recorrente, principalmente a proveniente da venda de atletas, seja integralmente destinada à amortização do endividamento líquido de R$ 910 milhões. Para isso, as despesas totais do clube devem ser progressivamente limitadas, forçando uma adequação orçamentária rigorosa.

A meta seria clara: despesas totais devem ser inferiores ou, no máximo, iguais à soma da receita RECORRENTES com uma fração decrescente da receita não recorrente, como forma de “desmame”.

Projeção de Adequação Orçamentária

https%3A%2F%2Fsubstack post media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcc74367d 3353 4a0f a8d9
Tabela: Finanças Tricolor

Projeção de Redução do Endividamento (4 Anos)

A tabela a seguir projeta a redução do endividamento líquido do São Paulo FC, atualmente em R$ 910 milhões, ao longo dos 4 anos, adotando o plano de ajuste fiscal proposto.

https%3A%2F%2Fsubstack post media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcae34704 b3fb 498a be33
Tabela: Finanças Tricolor

Como podemos observar, a partir do ano 5, o endividamento do clube estaria em R$560 milhões, em um patamar saudável, visto que as receitas do clube já poderiam estar girando em torno de R$ 1 bilhão a 1,2 bilhão, ou seja, um índice de endividamento líquido próximo de 0,5. Para efeito de comparação, hoje o índice do Flamengo é de 0,49 e do Palmeiras é de 0,64. O São Paulo apresenta um índice de endividamento de 1,48.


II. Otimização e Rigor Orçamentário

Para que o plano de ajuste funcione, a gestão das despesas deve passar por uma revolução e priorizar o orçamento bem feito durante esse período é primordial.

1. Orçamento Base Zero (OBZ)

O modelo tradicional (Orçamento Histórico), que replica despesas do ano anterior com ajustes, poderia ser abandonado. O Orçamento Base Zero (OBZ) exige que cada gestor (do futebol ao administrativo) justifique do zero cada centavo de despesa, independentemente de já ter existido em anos anteriores.

  • Aplicabilidade: Especialmente nas despesas do futebol (R$ 655 milhões em 2024), buscando identificar gastos não essenciais em logística, comissão, estrutura de salários, bônus, dentre outros.

2. Redução e Reengenharia das Despesas Financeiras

Com R$ 93 milhões em despesas financeiras em 2024, o clube poderia renegociar as taxas estabelecidas no FIDC e alinhar os covenants estabelecidos na criação do fundo para que a administração do clube esteja em sintonia com essa mudança de cultura e cumpra de forma integral as regras estabelecidas no fundo.

3. Gestão de Pessoal e Futebol

A Despesa do Futebol, que foi de R$ 655 milhões em 2024, é a principal alavanca de corte.

  • Teto Salarial: Imposição de um teto salarial estrito para novos contratos e renegociações, especialmente para atletas que talvez não tenham o perfil compatível com a situação atual do clube, sem que com isso perca-se a competitividade.
  • Foco na Base: Alinhamento total entre a diretoria e a comissão técnica para valorizar e utilizar jogadores formados no CT de Cotia, transformando a venda de jovens talentos (que não foram utilizados para cobrir despesas) em oxigênio financeiro para a dívida. Aproveitar a redução das despesas do futebol profissional para alocar parte dos valores, de forma gradual, em investimento na base, que hoje é de R$48 milhões.

Conclusão: Um Caminho Necessário, Não Opcional

A partir de meados do ano 4 e início do ano 5, o clube já poderia voltar a fazer investimentos maiores no futebol com o saldo proveniente das receitas não recorrentes, visto que o endividamento estaria em um patamar saudável.

O clube poderá aumentar as despesas nas categorias de base de forma gradual, utilizando parte do montante economizado com a redução da folha salarial do profissional, visto que as categorias de base tem margens de lucro na casa dos 70 a 80%. Como são investimentos com prazo de maturação de 2/3 anos, o clube poderá a médio prazo começar a obter maiores receitas não recorrentes, que poderão ser destinadas para um incremento e qualificação do elenco profissional de forma gradua e sustentável, fazendo assim a roda girar de forma orgânica.

O caminho para o reequilíbrio financeiro do São Paulo FC é longo e exige sacrifícios imediatos, especialmente na competitividade esportiva nos próximos anos. No entanto, é o único caminho sustentável sem ter que recorrer à modelos de parceria da base ou SAF a qualquer custo, como foi o caso de alguns clubes no passado recente.

A implementação rigorosa do plano de ajuste de quatro anos, com o teto de gastos progressivo e o compromisso de destinar 100% das vendas de atletas para o endividamento, aliado a uma gestão disciplinada via Orçamento Base Zero, permitirá que o Tricolor, em um futuro próximo, volte a ser um gigante dentro e fora de campo, com a saúde financeira que a sua história exige.

Por: Filipe Cunha – Finanças Tricolor – Instagram: https://www.instagram.com/financas_tricolor/


Descubra mais sobre Blog do São Paulo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.