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Um Plano de Resgate Financeiro: existe um caminho para a situação do São Paulo?
Muitas vezes me foi perguntado: “Você, que entende a situação financeira atual do São Paulo como poucos, o que faria se estivesse à frente das Finanças do clube?”
Sabemos que não existe uma “receita de bolo” para resolver os problemas financeiros do clube e que a situação financeira é apenas parte do problema enfrentado pelo tricolor nos últimos anos. Porém, a pedidos, fizemos um exercício de consultoria para sugerir algumas medidas que o clube deveria adotar para ajustar a delicada situação em que se encontra.
O São Paulo Futebol Clube enfrenta atualmente um desafio que vai além das quatro linhas: a necessidade urgente de reestruturação financeira. Com um endividamento líquido alarmante de R$ 910 milhões e um cenário em que as despesas totais superam significativamente a receita recorrente, torna-se imperativo adotar medidas drásticas e planejadas para garantir a sustentabilidade e a competitividade do clube a longo prazo.
No ano de 2024, o clube teve uma despesa operacional de R$ 908 milhões (incluindo R$ 96 milhões de despesas financeiras) e uma receita recorrente de R$ 639 milhões. O déficit foi de mais de R$ 270 milhões, composto também por um resultado não operacional negativo de R$ 92 milhões, devido a parcelamentos tributários e multa pela rescisão com a patrocinadora anterior. A situação exige não apenas a contenção de gastos, mas uma mudança de mindset de gestão.
A seguir, apresentamos um conjunto de medidas estruturais e operacionais, centradas em um plano de ajuste fiscal de quatro anos, para reverter este quadro.
I. O Plano de Ajuste Fiscal de 4 Anos: Prioridade Total na Redução do Endividamento
O cerne da estratégia é garantir que toda e qualquer receita não recorrente, principalmente a proveniente da venda de atletas, seja integralmente destinada à amortização do endividamento líquido de R$ 910 milhões. Para isso, as despesas totais do clube devem ser progressivamente limitadas, forçando uma adequação orçamentária rigorosa.
A meta seria clara: despesas totais devem ser inferiores ou, no máximo, iguais à soma da receita RECORRENTES com uma fração decrescente da receita não recorrente, como forma de “desmame”.
Projeção de Adequação Orçamentária

Projeção de Redução do Endividamento (4 Anos)
A tabela a seguir projeta a redução do endividamento líquido do São Paulo FC, atualmente em R$ 910 milhões, ao longo dos 4 anos, adotando o plano de ajuste fiscal proposto.

Como podemos observar, a partir do ano 5, o endividamento do clube estaria em R$560 milhões, em um patamar saudável, visto que as receitas do clube já poderiam estar girando em torno de R$ 1 bilhão a 1,2 bilhão, ou seja, um índice de endividamento líquido próximo de 0,5. Para efeito de comparação, hoje o índice do Flamengo é de 0,49 e do Palmeiras é de 0,64. O São Paulo apresenta um índice de endividamento de 1,48.
II. Otimização e Rigor Orçamentário
Para que o plano de ajuste funcione, a gestão das despesas deve passar por uma revolução e priorizar o orçamento bem feito durante esse período é primordial.
1. Orçamento Base Zero (OBZ)
O modelo tradicional (Orçamento Histórico), que replica despesas do ano anterior com ajustes, poderia ser abandonado. O Orçamento Base Zero (OBZ) exige que cada gestor (do futebol ao administrativo) justifique do zero cada centavo de despesa, independentemente de já ter existido em anos anteriores.
- Aplicabilidade: Especialmente nas despesas do futebol (R$ 655 milhões em 2024), buscando identificar gastos não essenciais em logística, comissão, estrutura de salários, bônus, dentre outros.
2. Redução e Reengenharia das Despesas Financeiras
Com R$ 93 milhões em despesas financeiras em 2024, o clube poderia renegociar as taxas estabelecidas no FIDC e alinhar os covenants estabelecidos na criação do fundo para que a administração do clube esteja em sintonia com essa mudança de cultura e cumpra de forma integral as regras estabelecidas no fundo.
3. Gestão de Pessoal e Futebol
A Despesa do Futebol, que foi de R$ 655 milhões em 2024, é a principal alavanca de corte.
- Teto Salarial: Imposição de um teto salarial estrito para novos contratos e renegociações, especialmente para atletas que talvez não tenham o perfil compatível com a situação atual do clube, sem que com isso perca-se a competitividade.
- Foco na Base: Alinhamento total entre a diretoria e a comissão técnica para valorizar e utilizar jogadores formados no CT de Cotia, transformando a venda de jovens talentos (que não foram utilizados para cobrir despesas) em oxigênio financeiro para a dívida. Aproveitar a redução das despesas do futebol profissional para alocar parte dos valores, de forma gradual, em investimento na base, que hoje é de R$48 milhões.
Conclusão: Um Caminho Necessário, Não Opcional
A partir de meados do ano 4 e início do ano 5, o clube já poderia voltar a fazer investimentos maiores no futebol com o saldo proveniente das receitas não recorrentes, visto que o endividamento estaria em um patamar saudável.
O clube poderá aumentar as despesas nas categorias de base de forma gradual, utilizando parte do montante economizado com a redução da folha salarial do profissional, visto que as categorias de base tem margens de lucro na casa dos 70 a 80%. Como são investimentos com prazo de maturação de 2/3 anos, o clube poderá a médio prazo começar a obter maiores receitas não recorrentes, que poderão ser destinadas para um incremento e qualificação do elenco profissional de forma gradua e sustentável, fazendo assim a roda girar de forma orgânica.
O caminho para o reequilíbrio financeiro do São Paulo FC é longo e exige sacrifícios imediatos, especialmente na competitividade esportiva nos próximos anos. No entanto, é o único caminho sustentável sem ter que recorrer à modelos de parceria da base ou SAF a qualquer custo, como foi o caso de alguns clubes no passado recente.
A implementação rigorosa do plano de ajuste de quatro anos, com o teto de gastos progressivo e o compromisso de destinar 100% das vendas de atletas para o endividamento, aliado a uma gestão disciplinada via Orçamento Base Zero, permitirá que o Tricolor, em um futuro próximo, volte a ser um gigante dentro e fora de campo, com a saúde financeira que a sua história exige.
Por: Filipe Cunha – Finanças Tricolor – Instagram: https://www.instagram.com/financas_tricolor/
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Caminho mais curto: SAF.
Caminho mais longo: uma gestão competente que realmente consiga diminuir custos e montar times competitivos com a base e reforços mais baratos. Isso provavelmente envolve mais um bom período sem títulos relevantes.
Em nenhum dos dois casos a atual gestão vai conseguir.
Me juraram que era exatamente isso que o FIDC faria
Mais uma vez os pouquíssimos conselheiros de oposição como Flávio mostram que estavam certos, o FIDC não serviu de porcaria nenhuma, só serviu pra desmantelar e enfraquecer o time de futebol
Te juraram errado hein? Se informou mal mesmo.
E sobre não servir, pense que saímos de 300 mi de déficit para projeção de redução de 900kk da divida atual. Não serviu? Imagine se servisse…
neste primeiro ano foi exatamente isso, com sua regras basicas mas q passaram a ser obrigatorias, fez o casares vender jogadores bons a preço de banana, e como o valor q pegaram 139mi foi maior q o q pagaram de divida bancária (57mi se nao me engano), o FIDC foi mesmo uma bosta em 2025. Esperamos que nos proximos anos nao prejudique mais o futebol
Saf hoje em dia só endividado clubes no Brasil vasco Botafogo cruzeiro Atlético MG etc
Ótimo texto. É necessário, mas está se tornando extremamente cansativo falar desse tipo de coisa pq são anos consumindo promessas não cumpridas. Só com o Casares foi um show de mentiras entre o que ele prometeu em 2020 e o que entregou. Basicamente estamos uns 4 anos atrasados por causa da aventura de uma gestão.
Em relação a SAF não adianta pensar nisso pq não vai acontecer tão cedo no SPFC, porém, um modelo de investimento cedendo poder eu acredito, dependendo de como os próximos candidatos enxergarem isso. Entra alguém do mercado, ocupa um cargo, profissionaliza o clube, injeta dinheiro, e recupera isso com vendas de atletas ou usando a imagem do clube pra alavancar outros projetos.
Uma outra opção é trabalhar melhor os jovens da base e emplacar vendas grandes nos próximos anos. Mas pra isso precisam mudar essa postura desesperada de fim de feira.
De qualquer maneira, agora, não há outra solução se não reduzir despesas e aumentar receitas. Uma pena que esse marketing seja fraquíssimo pra “explorar” o torcedor que é um consumir que está aí, passional, e com mais transparência e comunicação compraria uma ideia.
Saf para pagar dívidas não existe no Brasil
É parte da historia do São Paulo, periodos que tem mais dificuldades financeiras, esta não é a primeira crise, mas talvez seja a mais dificil.
Nos anos 60 e inicio da decada de 70, com a construção do Morumbi, o time passou por muitas dificuldades, ficou o maior periodo sem ganhar um titulo, mas mesmo assim conseguiu manter e até aumentar sua torcida. A diferença é que tinhamos dirigentes que pensavam no clube e agiam com força e coragem por ele.
Não era nem nascido mas imagino que posso opinar: nessa época os torcedores viam algo de concreto acontecendo, um sonho sendo erguido na frente de seus olhos a cada tijolo cimentado.
Agora ninguém vê nada. Só desgraça. Não existe aquele sentimento de esperança, só desilusão. Essa diretoria é uma das mais bostas da nossa história, infelizmente.
Gostei D+. Particularmente , acho prejudicial grandes cortes ou grande reformulações no elenco.
Neste texto, as reduções de custos/depesas seriam a medio/longo prazo, gradativo. Pra mim, totalmente viavel.
Casares tentou ” resolver” de um ano(2024) deficitario para um ano supéravitario(2025), e esta sendo bem criticado.
Por isso, acho melhor assim…
A grande questão é controlar as despesas… o Casares já provou que ele é incompetente nessa área.
Acho que caberia oferecer aos jogadores mais caros (e que vivem machucados) contratos de produtividade, com redução expressiva no salário base, caso não queiram se livrar deles. Não dá pra pagar o que se paga no Lucas, Luiz Gustavo, Oscar e não conseguir usar.
Boa… Acho que não devemos nos livrar deles, mas ajustar os contratos/valores.
O imbecil do Leco teve a melhor geração nas mãos para fazer isso, ou seja, um time bom e barato.
Luiz Araújo, David Neres, Militão e outros faziam parte de um timaço.
O presidente sem caneco vendeu os meninos para bancar contratações como a do Lucas Pratto – depois de um ano vendeu e tomou calote por anos.
Em ato contínuo, a única coisa que parecia boa – P-A-R-E-C-I-A, eu disse – era dar autonomia para alguém administrar o clube e ter carta branca para trabalhar. Problema é que ele deu liberdade logo para Raí. O homem que torrou mais de meio bilhão com Alexandre Pássaro. Não foi o Leco quem contratou aquela penca de jogadores caríssimos e ruins.
Agora vem o Casares. Torra mais uma geração de meninos bons de bola, promissores e com salários baixos para contratar medalhões que ganham muito e sequer entram em campo – ou quando entram é para se machucar.
4 anos com meninos da base e mais uns 3 caras de salário alto, que se machucam pouco e ainda jovens seriam a nossa redenção.
Mas não…
De incompetentes se espera isso aí mesmo: incompetência.
Ou seria competência, pois parecem ser bem competentes em fazer aquilo que se propõem fazer: arrebentar o SPFC.
Tem horas que eu tenho dificuldade de acreditar que é só incompetência com tantas características de modus operandi na gestão do clube há tanto tempo.
Só não desabafo em cima disso porque ninguém tem como provar e dá um problema fudido pro Zanca e pro blog. Mas minhas desconfianças tão a um passo de se tornarem certezas.
Eu queria entender era como saltou de 600 pra 900 milhoes… 50% do rombo, ou 300 milhões em 1 ano que até hoje nao consegui compreender pra onde foi esse dinheiro todo? porque a folha salarial do ano passado por exemplo era até maior que essa com oscar e cia, e com 600 já era insustentável… imagina agora.
outro ponto é… vendemos as joias que foram campeoes na copinha… e ano que vem vai vender quem?
Só faltou falar como vai vender 140 milhões de reais todos os anos se só sobraram perebas na base. Além disso como ter um time o mínimo competitivo se venderam todas as jóias em 2025 e ficaram os perebas?
Pelo visto não acompanha nada da base.
Até este momento estamos em 3 finais do Paulista :
Sub 13, Sub 14 e Sub 20
E pode vir mais.
Se tem alguma coisa que funciona é Cotia.
E poderia ser melhor.
Nossa média histórica é vender 140 milhões de jogadores por ano.
palmas, excelente
Texto muito interessante. Nele eu vi algo que vi esse ano na empresa na qual trabalho: o conceito de orçamento base zero. Muito bom!
Casares acabou com o São Paulo. Foi infinitas vezes pior do que Leco, até então o pior Presidente da nossa história. Vai ser dificil, principalmente por não ter uma pessoa descente para liderar o São Paulo nessa reconstrução