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São Paulo: Financeiramente, com base histórica, vale a pena o Fundo de Cotia e a cessão de 30%?
FUNDO PARA COTIA
Em tempos de polarização, em que muitas pessoas acreditam que não pode haver opinião sem interesses particulares, gostaria de inicialmente destacar minha visão sobre a gestão de Júlio Casares no São Paulo. Acredito que Casares não está entre os piores presidentes da história do clube, tampouco entre os melhores. Sua gestão apresenta acertos e erros, como é esperado em qualquer administração. Sou grato pelas conquistas recentes, especialmente após anos de seca esportiva. Porém, existem pontos sensíveis, como a comunicação, a venda de atletas, o sócio torcedor e o crescimento da dívida. Todos são pontos que podem ser criticados e acredito que melhorados.
Posto isso, gostaria de analisar o Fundo de Investimento em Participações (FIP) para Cotia com base em dados e cenários possíveis. Cabe inicialmente destacar que não conheço o teor do contrato e me basearei apenas em informações divulgadas recentemente, além de informações de estudos e algumas suposições.
Primeiramente, destaco as informações que têm circulado recentemente e que apontam que os valores do fundo ficará entre 250 e 350 milhões para um contrato de participação de cinco anos. Em contrapartida, o percentual cedido será de 30% dos direitos econômicos dos jogadores atrelados à Cotia. A administração ficará a cargo da Galápagos, e investidores poderão aplicar recursos no fundo, onde o maior cotado para ser majoritário é o investidor Evangelos Marinakis. Além disso, consta que a proposta do fundo prevê que, com capital disponível, o clube possa passar a comprar 100% do passe dos atletas que ingressarão em Cotia, eliminando percentuais que são cedidos a empresários e clubes parceiros.

Essas são as informações disponíveis, alguma alteração nesses parâmetros podem, e devem, ser discutidas e reanalisadas à luz dos dados.
Agora, precisamos partir da atual situação do clube. Todos sabem qual a situação financeira da entidade que está sofrendo com o crescimento da dívida ao longo dos anos, inclusive na gestão de Casares. A dívida bancária tem sido o maior “vilão” do clube e montantes pagos em juros tem dificultado a competitividade esportiva do São Paulo.
Para fazer frente a essas despesas crescentes, o clube adotou uma política de vender o máximo possível e não realizar contratações que envolvam custos de passe (embora envolvam custos de luva). Segundo esse blog, as vendas atuais passam de 200 milhões em 2025 e ainda devem crescer ao longo do ano. Além disso, é sabido por todos que o clube não detém 100% dos passes. Tem sido comum vermos jogadores vendidos com 20% do passe cedido a empresários e clubes formadores e essa tem sido a principal ferramenta do clube na captação de atletas, uma vez que não possui dinheiro para investimentos.
Para fins de análise, farei aqui a minha primeira suposição (uma vez que preciso partir de algum ponto) e tentarei ser conservador nesse “chute”. Irei supor que o clube, hoje, cede um percentual médio de 10% do passe aos atletas como forma de convencê-los a virem ao São Paulo. Sendo assim, e em caso de se confirmarem as informações acima sobre compra dos atletas, a instituição deixará de ganhar 20% do passe dos atletas. Embora o clube esteja vendendo 30% ao fundo, o custo de oportunidade será esse percentual descontado dos 10% que já cede hoje. Cabe destacar aqui que cada pessoa pode criar cenários diferentes e supor que percentuais cedidos serão maiores ou menores (só saberemos os reais valores com a assinatura do contrato – assim esperamos).
Para continuar nossa análise, precisamos saber agora quanto o clube vende anualmente. Como disse antes, o clube está atualmente liquidando jogadores no mercado. Isso está sendo feito como forma de cumprir as metas traçadas pelo FIDC, mas não podemos nos basear nesse número atual, visto a excepcionalidade do momento do clube. Assim, usarei aqui um estudo feito pela Sport Value e divulgado pelo portal Poder360 e que disponibilizarei abaixo:
Com base nesse estudo, o São Paulo vendeu, entre os anos de 2003 e 2023, o montante de 2,7 bilhões em atletas. Esses valores estão corrigidos para o ano de 2024 – ano do estudo. Pegar períodos longos assim retrata bem a realidade porque trará anos em que as vendas foram altas, por qualquer motivo que for, e anos de vendas ruins (por qualquer motivo que for). Assim, o FIP está contratando uma operação com um clube que, historicamente, vende em torno de 135 milhões ao ano. Essa tem sido a média de venda do clube.
Mas sabemos, também, que o futebol possui um inflacionamento (principalmente nos últimos anos) e precisamos definir alguma variável para corrigir o que vou chamar aqui de “inflação do futebol”. Nesse ponto, darei um “chute” e cada pessoa poderá dar opiniões diferentes.
A inflação atual do país tem girado em torno de 5% ao ano. Assim, irei supor que a inflação do futebol seja o dobro disso e considerarei um aumento dos passes de 10% ao ano.
Uma ressalva aqui é importante. Estou acrescentando 10% aos passes de forma anual, mas desconsiderarei que o fundo aportará os recursos de forma imediata – até onde se saiba. Esse aporte imediato possui um custo ao fundo que terá de aportar os recursos e só colherá seus ganhos ao longo de cinco ano. Esse “custo” costuma ser igual a Selic, que atualmente é 15%. Mas eu desconsiderarei esse custo do Fundo (e consequente ganho do clube) como forma de me manter conservador na análise.
Um outro ponto conservador da análise é que o fundo terá participação na venda dos atletas de Cotia, mas estou utilizando aqui as vendas gerais do clube como uma aproximação das vendas que o FIP terá participação. Nem todas as vendas do clube são de atletas de Cotia e as vendas de Wellington Rato e Michel Araújo em 2025 são exemplos de receitas de vendas que não são de origem da base do time.
Com tudo isso, trago abaixo uma tabela com uma projeção de venda de atletas para os próximos anos:
| Ano | Vendas (R$ milhões) | Investidor (R$ milhões) | Perdido (R$ milhões)* |
|---|---|---|---|
| 2026 | 163,35 | 49,01 | 32,67 |
| 2027 | 179,69 | 53,91 | 35,94 |
| 2028 | 197,65 | 59,30 | 39,53 |
| 2029 | 217,42 | 65,23 | 43,48 |
| 2030 | 239,16 | 71,75 | 47,83 |
| Total | 997,27 | 299,18 | 199,45 |
- O valor perdido considera que o clube já cede, atualmente, um percentual de 10% a empresários e clubes.
Essa tabela se baseia na média do estudo apresentado pelo Poder360, incorporado de uma inflação do futebol de 10%. Posto tudo isso, estimo que o clube venderia ao longo dos cinco anos o montante aproximado de 1 bilhão de reais. Isso representaria um repasse de 300 milhões ao fundo e um custo de oportunidade de 200 milhões ao clube. Assim, o clube abriria mão de 200 milhões ao longo de 5 anos para receber, no presente, o total de 300 milhões.
Mas qualquer pessoa atenta poderia pensar: o que o fundo ganha com isso? Essa talvez seja a pergunta mais importante e devemos pensar sobre isso. Aqui levantarei duas hipóteses do ganho.
Em primeiro lugar, o São Paulo não consegue disputar com os principais clubes a compra de jogadores, destaque para Palmeiras e Flamengo. Assim, a base acaba perdendo jogadores para clubes bem estruturados financeiramente e que poderiam aumentar aquele volume total de vendas.
Outro ponto de ganho ao fundo é a nossa própria ineficiência nas vendas. Todos acreditam, torcedores e imprensa, que o clube vende mal seus atletas. Não entrarei nos motivos disso, pode ser incapacidade da diretoria em vender, pode ser necessidade desesperada de recursos, pode ser o real valor dos atletas vendidos, nada disso importa. Importa-nos saber que, atualmente, há um espaço de ganho nas vendas.
Assim, suponho que o interesse do FIP (só quem pode saber suas reais intenções são eles) é a aquisição de atletas mais promissores e o ganho de eficiência nas vendas, uma vez que haverá um terceiro envolvido e que não aceitará negociações ruins.
Agora, desconsiderarei a parte econômica e focarei na esportiva. Com a captação de melhores atletas (é essa a intenção dos envolvidos), a instituição passará a contar com atletas mais jovens e melhores, inclusive, no time profissional. Isso irá ter uma repercussão na parte esportiva e na parte financeira com mais premiações e, talvez, mais bilheteria – uma vez que a torcida são paulina possui um forte envolvimento com sua base e terá ainda mais vontade de ir ao estádio com uma POSSÍVEL melhora esportiva.
Julgo que aqui é importante um exercício de “futurologia”. Supomos que, a parceria ocorra e que o São Paulo venda em longo dos anos um montante de 500 milhões anuais (pelos motivos apresentados acima – melhores atletas e eficiência). Muitos dirão que o São Paulo fez um péssimo negócio, uma vez que o fundo está recebendo 150 milhões (30%) e o seu custo foi 60 milhões anual. Contudo, cabe destacar que essas vendas jamais seriam possíveis sem uma reformulação financeira do clube (o que é a atual proposta) e estaríamos, possivelmente, atrelados às vendas apresentadas na tabela acima – baseada na média histórica do clube. Além disso, como já exposto, o custo ao São Paulo não será 30%, mas sim 20% uma vez que já cede hoje um percentual aos atletas, empresários e clubes.
Posto tudo isso, não estou querendo dizer que tudo são maravilhas nesse projeto. Há sérios riscos envolvidos à instituição e o jornalismo tem papel fundamental em analisar tudo isso. Vou levantar aqui alguns pontos de muita atenção e que espero que imprensa, torcedores, conselho e oposição do clube fiquem atentos:
- Apurar qual percentual foi efetivamente cedido ao Fundo;
- Conferir se o clube deixará de ceder percentual aos empresários, jogadores e clubes;
- Investigar se houve ganhos por parte de terceiros em detrimento aos interesses do clube;
- Apurar quais os custos da Galápagos e se esses estão em linha com o mercado.
Essa lista não é exaustiva e, por óbvio, não excluí a necessidade de apuração por parte de jornalistas de outros pontos que julguem necessários. Mas essa lista deixa clara que, embora o fundo possa ser positivo ao clube, não quer dizer que não possa haver desvios no caminho, desvios esses que parecem ser mais importantes na análise de algumas pessoas do que o fundo em si, mas os possíveis desvios jamais podem ser mais relevantes que o projeto em si. Assim, o projeto deve ser analisado com base em números e seus possíveis desvios devem ser severamente apurados e, em ocorrendo, punidos.
Sendo assim, espero ter ajudado a colocar alguma luz objetiva às discussões recentes sobre o assunto e espero sempre o melhor para o clube que amo.
VAMOS SÃO PAULO!!!!! – Por IRAN ARAUJO, especial para o Blog do São Paulo
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O clube não vai de deixar de ceder 10% a empresário visto que se não o jogador sobe e não renova…
então nada de 600milhões, será apenas um fundo de empréstimo de 250 a 350 milhões?(se for como o fidc que nunca alcançou o teto…)
Esse fundo ao menos seria pra utilizar esses 250 milhões imediato ou é equivalente apenas a 50 a 70 milhões anuais? porque se for assim não compensa quase nada, fosse 250 milhões pra dívidas e amortizar juros daria pra reduzir a dívida e ajudaria bastante. 🙁
Eu fiz o texto com base nas informações que temos. O objetivo do fundo é que o clube compre 100% dos atletas (assim como fazem Palmeiras e Flamengo). Se vai ocorrer ou não, só o tempo dirá.
Por fim, oremos e torcemos muito para que tudo dê certo, e voltarmos a sermos uma potência financeiramente como já fomos no passado !
Eder Traskini, do UOL, disse que a diretoria está cogitando o nome do Pedro Rocha pro ataque. Isso só pode ser uma sacanagem. Melhor não contratar ninguem. O cara rodou em vários clubes sem jogar absolutamente nada. Esse é o Scout maravilhoso do clube,
Problema não é scout. O problema é que somos um clube fudido que não pode pagar 1 puto de dinheiro pelo empréstimo, ai não tem como fazer milagre. Daqui a pouco pipoca a notícia que o clube já se acertou com o jogador, mas travou na negociação com o clube.
Pra contratar esse cara, que é refugo do fortaleza, além de varios outros clubes, melhor jogar com o que tem.
Entre 2013–2019 o SPFC arrecadou 431M (fonte ESPN, 25 de jan, 2019) com venda de jogadores, o que daria 71M/ano. Eu não achei nenhuma reportagem sobre 2020–2025, mas em 2023 a receita foi de 109M e em 2024, 93M. Ignorando o ano com FIDIC e obrigação de superavit, nossa média de vendas tem sido ~70-90M, o que em 5 anos daria 350-450M. Isso considerando 100% do valor para o SPFC.
Nesse modelo de negócios que estão discutindo, dizem que 30% das vendas seriam destinadas ao fundo/maior investidor e 70% ficariam com o SPFC (ignorando que poderiam existir outras fatias menores e não sei como isso funcionaria).
Se nesse período de 5 anos o SPFC receber investimentos para captar e desenvolver os maiores talentos e conseguir vender apenas 3 garotos por 20M de euros cada, isso resultaria em aproximadamente R$ 265M líquidos para o SPFC (já descontando os 30%).
Sem a parceria, o SPFC teria como referência uma receita de aproximadamente 350 a 450 milhões em cinco anos, considerando uma média recente de vendas de Cotia. Esse valor seria integralmente do clube, mas arcando sozinho com os custos da base (em torno de 40 milhões anuais).
No modelo de parceria, até que se divulgue o documento, há duas possibilidades. No cenário restrito, apenas os jogadores contratados com recursos do fundo entram na divisão 70/30. Nesse caso, o SPFC manteria os 350 a 450 milhões integrais das vendas normais e, adicionalmente, poderia obter cerca de 265 milhões líquidos com três grandes vendas internacionais (20 milhões de euros cada, já descontada a parte do fundo). O total nesse perído de cinco anos seria de 615 a 715 milhões, superando com folga o cenário sem parceria e oferecendo a vantagem extra de diluir o risco e os custos de formação.
Já no cenário amplo, todas as vendas do clube entrariam no arranjo 70/30. Isso reduziria a receita base para 245 a 315 milhões (70% dos 350–450 milhões), mas o SPFC ainda contaria com os mesmos 265 milhões líquidos das grandes vendas viabilizadas pelo fundo. O resultado final seria de 510 a 580 milhões em cinco anos. Embora menor que no cenário restrito, esse valor ainda pode ser superior ao obtido sem parceria, desde que as vendas de grande porte realmente se concretizem. Caso elas não ocorram, o clube correria o risco de arrecadar menos do que conseguiria sozinho.
Podendo trazer os maiores talentos é difícil imaginar em apenas 3 vendas na faixa dos 20M de euros pq esse fundo traria um rótulo diferente para a Cotia.
Além disso, a parceria poderia gerar efeitos indiretos relevantes com valorização da base (investimento em scouting e tecnologia de desenvolvimento (fisiologia, performance, análise de dados)) e antecipação de receitas com o dinheiro injetado pelo fundo bancando parte dos custos de Cotia, reduzindo a pressão no fluxo de caixa do clube.
Diferente de Palmeiras, Flamengo, Corinthians etc., a base do SPFC não precisa provar nada a ninguém de que consegue revelar atletas registrados no Guinness World Records (Ceni) ou eleito por unanimidade o melhor do mundo por FIFA e Ballon d’Or (Kaká, 2007) entre outros feitos de encher os olhos. Alguns podem dizer que os tempos mudaram e que não contamos mais com estas possibilidades, mas, o SPFC continua lá com potencial para gerar feitos ainda maiores.
Isto posto, falar em 250M a 350M parece irrisório quando vemos clubes menores nesse quesito vender um atleta por um valor maior que este. Se querem fazer parte da maior industria de atletas profissionais do Brasil coloquem dinheiro na mesa. Garanto que o Corinthians cuja história esportiva é menor que a do SPFC venderia por muito mais, simplesmente com a justificativa de “maior torcida.”
Obrigado por elucidar este texto à propósito Fábio. Gostei da sua explicação e prefiro que o clube feche no primeiro modelo se as coisas seguirem este caminho. Se for no segundo modelo, ou seja, contemplando todos os atletas da base, o SPFC precisa exigir maior investimento do fundo. O Casares e seus homens de negócio precisam se posicionar com maior firmeza. O SPFC não é estes trapos que tentam recortar! Respeitem nossa instituição!
Na realidade o clube só estará antecipando as receitas de suas vendas, mas com um agravante, imposta que as metas de vendas desvalorizarão ainda mais os seus ativos, assim como foi esse ano: W. Gomes, Alves e Ferreirão, já que o mercado sabe que tem que vender.
Descontar esses 10% não faz sentido, pq os atletas que estão hoje lá já tem percentual do empresário e vão fatiar outros 30% em cima disso. Esses 10% poderiam fazer sentido entrar na conta apenas de futuras aquisições.
Além disso, nada garante que o clube vai vender melhor. Pelo contrário, pode ser obrigado a vender mais e pior para agradar os investidores.
Por fim, joga o clube na mão de magnatas e antecipa verbas. Não seria um problema antecipar verbas, se fossem usadas para abater dívidas, juros e soubéssemos que o clube seria bem administrados sem criar novas dívidas depois. Certamente não é o caso do voto de confiança com essa diretoria.
Penso exatamente assim
grego vai comprar os jogadores no atacado, deixar expostos no seu clube mediano da europa, e vender pra primeira prateleira no varejo.
Grato ao Iran pela contribuição e ao Zanca pela postagem cedendo o espaço.
Pra quem prefere ler textos ao invés de ver os vídeos do Zanca sobre o tema tem aqui um material bem legal viu.
❤️
A coisa é simples: manda o grego e algum amigo dele pagarem 1 bilhão de euros para comprar o SPFC. Isso resolve tudo.
Eu queria saber quanto o SPFC vendeu em atletas apenas da base nos últimos cinco anos.
Agora, Cotia não é só jogadores, é custosa por toda a estrutura. Esse aporte tá para além da meta injeção em jogadores de maior potencial.
Esse valor será usado para bancar Cotia nesses anos e isso implicará num alívio de caixa do clube.
Provavelmente virão profissionais melhores, reformas e novos recursos.
Talvez façam uma reforma nos elencos de base. Aí muitos jogadores sairiam e chegariam outros.
Creio que Cotia com esse aporte trará jogadores mais “prontos” e mais promessas sulamericanas.
Em suma, eu só vejo coisas positivas nesse aporte. Agora, gostaria de saber quanto o clube gerou em vendas nesses últimos cinco anos.
O estudo está aí no blog feito hoje pelo Irsn
Ué, Zanquetta. Vou ler com mais atenção. De fato fui passando rápido, mas a impressão que tive é que ele citou vendas gerais, isto é, com jogadores não Cotia na conta. Bom, vou ler atenciosamente.
O post que ele cita tem uma matéria também
Obrigado, fidalgo. Vou ler direitinho no computador.
Eu entendi o ponto dele, fidalgo. Mas estava perguntando fora do tópico mesmo, como outra vez fiz a mesma pergunta sobre as vendas considerando apenas Cotia nesses últimos cinco anos.
Obs: esse dado é mera curiosidade, pois ao que consta com esse aporte teremos uma nova Cotia. Logo, os números posteriores serviriam como mera referência de prospecção, apenas.
Obs 2: eu sou do time do dinheiro gera dinheiro. Acredito que é uma bola cheia esse modelo.
Eu tentei ser o mais conservador possível na análise. Pensei em cenários que talvez nem seja muito realistas e seriam desfavoráveis ao SP. Assim, considerando só as vendas em geral, os valores seriam aqueles. Claro que as vendas da base seriam uma parte dessa venda. Eu citei o caso do Michel Araújo e Rato como exemplo de vendas que não são da base. Daria muito trabalho separar o que é base e o que não é em 20 anos e não é o propósito do texto que fiz. O propósito é: vendemos um montante e, considerando esse montante, parece ser vantajoso (claro que precisamos de mais informações para termos certeza).
Com certeza, craque. Eu entendi o seu ponto. Essa semana eu tinha perguntado aqui no blog também, pois vai que alguém tem esses números. E, como foi um artigo dessa temática eu repeti a pergunta outra vez.
E, tem sentido analisar todas as vendas, pois é um fator importante na hora de estimar futuras métricas.
Abraço, craque!
MUITO BOM texto.
Lógico, como cita o autor, que existem variáveis e estimativas sobre o que não é possível mensurar. Todo negócio é assim, diga-se de passagem.
Mas sem repetir tudo que o Iran já colocou, a questão tem um ponto relativamente SIMPLES.
Hoje o mercado da base é MUITO VISADO. E está cada vez mais CARO.
Grande parte dos jogadores do Palmeiras são comprados após se destacarem em outros clubes. Flamengo idem. Red bull também. Até o Bahia (através do grupo City) acabou de roubar uma joia dos gambás por 14 MILHOES.
Agora me digam os críticos: Que tipo de jogador vai sobrar para a base do SPFC? Vamos depender exclusivamente de formar aquele jogador desde os 10 anos de idade e torcer para ele virar algo. Enquanto os nossos concorrentes já vão direto nos mais talentosos com 14-17 anos.
Nesse sentido, somente com aporte financeiro o SP conseguirá produzir mais talentos. SPFC, esse, que hoje não consegue trazer um atacante anonimo para o profissional com um mínimo de investimento.
O SPFC não está “vendendo” cotia.
Primeiro pq é um negócio por prazo determinado.
Segundo pq a ideia é PRODUZIR talentos que sozinho, hoje, o SP não conseguiria. E dividir parte da rentabilidade, óbvio, pois não existe almoço grátis.
Na verdade é justamente esse movimento que o SPFC tem que fazer.
É o que nos resta.
At.
Minha opinião sobre o Fundo de Cotia (30%)
O Conselho do São Paulo está prestes a votar o tal Fundo de Cotia, que prevê um aporte entre R$ 250 a R$ 350 milhões em troca de 30% dos direitos econômicos dos jogadores formados em Cotia pelos próximos 5 anos. A gestão seria feita pela Galápagos Capital e o nome mais forte ligado ao projeto é o empresário grego Evangelos Marinakis.
No curtíssimo prazo, não dá pra negar: essa grana pode dar um respiro no caixa e ajudar a segurar a dívida. Mas vamos ser realistas — isso é só tapar o sol com a peneira.
Cotia é a maior riqueza que o SPFC tem hoje. Basta lembrar: Antony, Casemiro, Militão, David Neres, Brenner… a base paga a conta do clube há anos. Se cada venda dessas tivesse 30% a menos pro São Paulo, a situação estaria ainda mais crítica. É abrir mão justamente da nossa mina de ouro.
Outro risco é o de dependência: quem controla o dinheiro vai pensar no lucro dele, não na reconstrução do clube. E na hora de recomprar essa fatia, o São Paulo pode ter que pagar caro para retomar o que já era dele. É virar refém do próprio investidor.
O que o SPFC precisa é de alternativas: gestão profissional, teto de gastos, novas receitas de estádio e marketing digital, transparência. Se for pra atrair investimento, que seja em naming rights, patrocínio global ou SAF parcial — e não vendendo Cotia a preço de liquidação.
Resumindo: esse fundo pode até aliviar a dor agora, mas lá na frente vai fazer o clube berrar.
Vamos “amarrar” o tema com exemplos numéricos, alternativas de estrutura e um checklist de cláusulas que blindam o SPFC. Sem romantismo.
1) O que significam “30% da base por 5 anos” na vida real (3 cenários)
Cenário A — Venda média (bom, mas comum)
Jogador X vendido por € 12 mi (≈ R$ 72 mi a R$ 78 mi, câmbio 6–6,5).
Sem fundo: o SPFC ficaria com 100% do que lhe cabe (descontadas taxas).
Com fundo 30%: R$ 21,6–23,4 mi vão ao investidor.
Risco: se a “safra” for mediana (vários de € 8–12 mi), o fundo captura valor contínuo e o clube perde a gordura que paga a operação do futebol.
Cenário B — A joia da coroa (1 grande venda no ciclo)
Jogador Y explode e sai por € 25 mi (R$ 150–162 mi).
Sem limites: R$ 45–48,6 mi ao fundo.
Como blindar:
Teto por transação (cap): p.ex., o fundo recebe no máximo R$ 20 mi por venda.
Degrau por valor: até R$ 20 mi, o fundo leva 30%; entre R$ 20–40 mi, 15%; acima de R$ 40 mi, 5%.
Resultado: clube preserva o upside das vendas fora da curva.
Cenário C — Reforço para o profissional (recompra interna)
SPFC quer reintegrar o Jogador Z (empréstimo+compra) por € 6 mi (R$ 36–39 mi).
Sem salvaguarda: o fundo teria 30% “a receber” como se fosse venda a terceiro (absurdo, mas já aconteceu em modelos mal escritos).
Cláusula que evita barulho: “Transações de retorno ao próprio SPFC (ou clube controlado) não geram participação do fundo; se houver, aplica-se valor simbólico (1%)”.
2) Alternativas ao “30% seco” (sem vender a alma)
Participação em RECEITAS secundárias (não no passe)
Ex.: o fundo entra com R$ 250–350 mi e recebe percentual de patrocínio global, matchday+merch por 5–7 anos, com teto anual.
Vantagem: preserva 100% dos direitos econômicos de Cotia.
Securitização de recebíveis de transferências já contratadas
Desconto sobre vendas parceladas/“sell-on” existentes, sem tocar no futuro incerto (as joias de amanhã).
É dinheiro mais barato e com escopo fechado.
Naming rights segmentado + “Fan Bonds” de projeto
Vende naming rights (CT, Morumbi setores, camisa treino) + títulos do torcedor com benefícios reais (ingressos, experiências), resgatáveis.
Dilui dependência do investidor único e engaja a torcida.
SAF parcial com “trava de controle”
Investidor entra em fluxos do clube inteiro (TV, patrocínio, bilheteria), sem tocar Cotia.
Golden share do SPFC garante veto em base e símbolos (escudo, cores, estádio).
3) Se mantiverem os 30%: “Term Sheet” mínimo pra não cair em conto
Escopo e definições
Jogadores elegíveis: somente matriculados em Cotia com contrato profissional assinado após a data de início.
Exclusões: categorias sub-13/15, atletas sem 12+ meses de clube, e qualquer jogador que já tenha % de terceiros.
Participação & limites (anti-sangria)
Cap por transação (ex.: R$ 20 mi).
Cap anual (ex.: R$ 60–80 mi/ano).
Degrau regressivo por faixas de valor (30% → 15% → 5%).
Teto global no ciclo (ex.: o fundo não pode receber acima de 1,2x o aporte corrigido).
Recompra e saída
Opção de recompra pelo SPFC:
Janela anual (pós-balanço), com fórmula predefinida: aporte atualizado pelo CDI/IPCA + múltiplo de 1,10–1,25 – pagamentos já feitos.
Direito de pré-empção do SPFC se o fundo quiser vender sua posição a terceiros.
Cláusula de “sunset”: ao fim de 5 anos, encerra-se a participação, sem tails (nada de “seguir pegando % em vendas futuras”).
Conflitos de interesse
Proibição expressa de o fundo direcionar atletas para clubes do mesmo controlador (ou associados).
Veto a estruturas de player parking e triangulações que depreciem valor.
Venda a partes relacionadas só com laudo independente e direito de matching do SPFC.
Governança e transparência
Comitê de Transações: 3 membros (SPFC 2, fundo 1); veto do SPFC em venda abaixo de valuation de referência (média de 3 propostas documentadas + laudo).
Relatórios trimestrais auditados, data room contínuo, e auditoria externa anual obrigatória.
Cláusula anti-opacidade: ausência de documentação = veto automático.
Operação do dia a dia
Zero ingerência esportiva: escalação, minutos, empréstimos e multas são do SPFC.
Empréstimos só contam para a base de cálculo se tiver opção de compra exercida.
Distribuição (waterfall)
Taxas FIFA/solidariedade e custos diretos saem primeiro.
Aplica-se percentual do fundo sobre a base líquida.
Reserva compulsória de 10–15% da venda para reinvestimento em Cotia (infra + captação).
Sobra = caixa do SPFC.
Garantias e penalidades
Mora do SPFC? Multa limitada e sem ingerência na base.
Mora do fundo (por ex. não aportar no prazo)? Perda de direitos naquele período + multa.
4) Quanto “vale” de verdade? (régua rápida de decisão)
Break-even do fundo: se ele aporta R$ 300 mi, com 30% sem cap ele precisa “ver” R$ 1 bi em vendas brutas no ciclo para receber algo como R$ 300 mi (simplificando).
Para o SPFC valer a pena, imponha no contrato: (i) caps, (ii) degraus, (iii) sunset real e (iv) recompra barata.
Regra de bolso: o fundo nunca pode receber > 1,2x–1,4x o que aportou corrigido. Passou disso, virou usura travestida.
5) Fechamento franco
Não é ser “contra por ser contra”. É ser a favor do SPFC.
Se for para aceitar 30%, que seja 30% capado, degrau, com sunset, recompra previsível, veto de conflito e transparência radical.
Se não toparem isso, há alternativas (receitas secundárias, securitização, naming rights, fan bonds, SAF parcial) que colocam dinheiro sem rifar Cotia.
Cara, sua análise é técnica e boa, mas tem uma falha importante. Você montou, ponto a ponto, um escudo para o clube não ser passado para trás, tratando o negócio como ele muitas vezes é: uma transação financeira fria. O seu foco é em como vender um pedaço do futuro (30% de Cotia por 5 anos) pelo menor “estrago” possível, limitando o ganho do investidor com travas, tetos e cláusulas de saída.
O que a sua perspectiva não aborda, e essa é a grande virada de chave, é tratar esse dinheiro não como um “tapa-buraco”, mas como combustível para o crescimento. A sua análise parte do princípio de que o clube vai continuar revelando jogadores no mesmo ritmo e vendendo na mesma média de sempre, e a briga é só por quem fica com qual fatia do bolo. A lógica de um investimento catalisador é outra: é usar esses R$ 300 milhões para fazer um bolo muito maior para todo mundo.
Pensa assim: e se esse dinheiro fosse usado para montar o melhor sistema de scouting da América Latina, contratar os melhores técnicos de base do mercado e usar tecnologia de ponta para desenvolver atletas? O resultado poderia ser, em vez de uma venda de € 25 milhões a cada 5 anos, uma a cada 2 anos, e as vendas “comuns” pularem de € 12 para € 18 milhões. Nesse cenário, os 30% do fundo renderiam muito, mas os 70% do SPFC renderiam um valor que o clube talvez nunca alcançasse sozinho.
Essa visão muda até as cláusulas do contrato. Em vez de um teto rígido que pune o sucesso, tem que pensar, no máximo, em metas de performance. Por exemplo: “Se o faturamento total com vendas da base ultrapassar R$ 1 bilhão em 5 anos, a participação do fundo é X; se passar de R$ 1,5 bilhão, ela pode até aumentar um pouco, porque o sucesso foi tão grande que ambos saem ganhando muito mais”. Isso alinha os interesses para o crescimento, em vez de criar uma relação de adversários na mesa.
No fim, sua análise é o “plano de contenção” se o objetivo for só pegar o dinheiro e pagar as contas. A peça que falta é o “plano de negócios” que justifica essa venda em primeiro lugar. Ou seja, não é só sobre o quão caro estamos “vendendo” (mentira) Cotia, mas sobre como vamos usar essa grana para transformar a base num negócio muito mais lucrativo. É um ponto que muda toda perspectiva do que você trouxe.
Bernardo, valeu demais pelo apontamento — você tá certo, a análise que fiz foi no modo “defensivo”, de contenção de danos. O que eu quis mostrar é: se for vender 30% de Cotia, que seja muito bem amarrado, com travas pra não cair em cilada. Porque a história do futebol tá cheia de clubes que pegaram grana “pra crescer” e acabaram sem dinheiro e sem patrimônio.
Mas concordo com você: a chave mesmo é não tratar os R$ 300 milhões como “remendo de dívida”, e sim como capital de crescimento. Aí muda tudo.
Se o dinheiro for usado para turbinar Cotia — investir em scouting de ponta, tecnologia de análise de desempenho, treinadores top da base, nutrição e preparação física de padrão europeu — o bolo cresce.
Nesse cenário, o fundo leva mais (porque as vendas vão ser maiores), mas o São Paulo leva MUITO mais. Em vez de € 12 mi por um jogador, você fala em € 18–20 mi. Em vez de uma venda de € 25 mi a cada 5 anos, uma a cada 2–3 anos. Isso sim é pensar em transformar Cotia em “Real Madrid da formação”.
Por isso eu acho que os dois pontos se complementam:
Tentei ver pelo plano de contenção, pra não repetir erros de contratos malfeitos.
O seu é o plano de negócios, que justifica de fato abrir mão dos 30%.
No contrato, dá até pra juntar as duas visões:
Cláusulas de blindagem (cap, sunset, recompra, transparência).
E cláusulas de incentivo de performance (se ultrapassar X em vendas, o fundo pode até ganhar um bônus ou percentual maior temporário).
Assim, o São Paulo não se ilude com promessas e ao mesmo tempo garante que, se o projeto realmente transformar Cotia, todo mundo ganha junto.
No fim, o erro seria justamente usar essa grana só pra apagar incêndio. Se for pra fazer, que seja como você falou: projeto de expansão, não de sobrevivência.
Carai… alto nível os dois aqui.