SPFC: Estamos perdendo tempo (e dinheiro)

Essa pausa para o Mundial pode até vir a ser boa para o time, com um técnico novo chegando e tempo de trabalho pela frente. Mas, pra nós, torcedores, é um verdadeiro suplício ficar tanto tempo sem ver um jogo do São Paulo. A saudade bate, a ansiedade aumenta e a gente fica ali, órfão de domingo à tarde.
Mas hoje não quero falar do time. Hoje quero falar de dinheiro. Mais precisamente, de como o São Paulo poderia arrecadar mais dinheiro sem precisar recorrer às velhas fontes de sempre.
Desde a contratação do Crespo, tem algo que não sai da minha cabeça. Existe todo um ecossistema que vive em torno do São Paulo: blogs, canais no YouTube, perfis no Twitter, podcasts… Todos fazendo um trabalho legal, necessário, cada um com seu público. Mas todos têm algo em comum: vivem de conteúdo que nasce dentro do clube.
Lembro bem no dia da apresentação do Crespo. Queria ver a coletiva, as primeiras palavras, as reações… E, como eu, milhares de torcedores correram para o YouTube, para os canais tricolores, para o canal oficial do clube. Foi um pico de audiência absurdo. Comecei a analisar os vídeos do São Paulo no YouTube e notei: apresentações de contratações e bastidores de jogos são os que mais bombam. O torcedor quer informação — e, sinceramente, acho que ele pagaria por mais.

E aí vem a ideia: por que não criar um plano de membros no canal do YouTube do São Paulo? Por que não transformar esse canal em uma fonte de renda regular e estruturada?
E não estou inventando a roda aqui. É só olhar o que outros clubes já estão fazendo:
- O Barcelona, o todo poderoso Barça, tem um clube de membros no YouTube que cobra R$ 4,99 por mês por conteúdos exclusivos.
- O Borussia Dortmund e o Milan têm lojas oficiais dentro do próprio YouTube, vendendo produtos diretamente aos torcedores.
- O Palmeiras cedeu os naming rights do canal do YouTube para sua patrocinadora.
- O Flamengo investe em conteúdo, tem um canal ativo, e já ultrapassou São Paulo, Palmeiras e Corinthians somados em número de inscritos.
- O Manchester City criou o City+, uma plataforma de assinatura anual com bastidores e conteúdos exclusivos, inclusive imagens próprias dos jogos.
Ou seja, não precisa nem ser criativo demais — é só copiar o que já funciona lá fora (e aqui também).
E agora vem o dado que mais me espantou: segundo o site Social Blade, especializado em analisar o potencial de monetização de canais no YouTube, o canal do São Paulo geraria no máximo 52 mil dólares por ano. Sabe quanto pode gerar o canal do Palmeiras? Até 385 mil dólares. O do Corinthians? 424 mil. O do Flamengo? Até 533 mil dólares. E o do Barcelona chega a 8,6 milhões de dólares por ano.
Mas o mais inacreditável: o canal do Arnaldo e Tironi, que vive basicamente de conteúdo relacionado ao São Paulo, tem potencial para gerar até 81 mil dólares por ano — mais do que o canal oficial do clube.

Incrível, né?
Mas claro, não basta só começar a cobrar. Tem que oferecer algo legal. Imagina se o canal do São Paulo começa a transmitir todas as coletivas de jogos fora de casa, com uma equipe própria? Um pré-jogo exclusivo para membros, com entrevista do técnico e de um jogador escolhido por votação. Uma live semanal com alguém do clube, com perguntas enviadas pelos torcedores (via superchat, por exemplo)? Imagina o Julio Casares entrando numa live para responder perguntas — com moderação, claro. Quanto não arrecadaríamos só em superchats? Eu mesmo deixaria alguns reais por ali, fácil.
Temos hoje quase 2 milhões de inscritos no YouTube. Isso é muita coisa. Mas pode ser mais. E mais do que isso, pode ser rentável. Nós gostamos, nós queremos, e muitos de nós estaríamos dispostos a pagar por um conteúdo exclusivo e de qualidade.
Eu adoro documentários sobre esportes. Imagina uma série semanal sobre a retomada do São Paulo em 2025, mostrando os bastidores, os desafios, as decisões difíceis. Isso tem valor. Isso se paga.
A verdade é que hoje temos tantas possibilidades fora do usual para monetizar que parece um erro seguir insistindo sempre nas mesmas fontes. Patrocínio na camisa, venda de jogador, arrecadação de bilheteria. Ok, tudo isso é necessário. Mas não é tudo. O torcedor pode (e quer) participar mais — e pagar mais — desde que receba algo em troca.

A revolução da internet nos mostrou que é possível estar em contato direto com seu público, sem intermediários. E, com isso, prestar um serviço de qualidade que gere engajamento, fidelização e retorno financeiro. Está tudo na nossa mão. Só falta fazer.
E que fique claro: não existe uma bala de prata para resolver a situação financeira do São Paulo. Se existisse, seria ótimo. Mas como não existe, vamos trabalhar em diversas pequenas ações, como essa, que podem ajudar o clube a construir novas fontes de receita.
Já pensou que o Barcelona pode ganhar mais no YouTube do que ganhamos com a venda do Matheus Alves? Há uma oportunidade clara aí. Concorda?
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É pedir muito para o marketing do Clube fazer isso!
Top!
Bom dia, se pegarem algumas de minhas falas há um tempo atrás, eu já tinha sinalizado sobre isso, mas falava sobre passar treinos (todos querem saber como está evoluindo o time), mas o SP parece que não quer ser vanguardista
Gestores desse clube tem alguns problemas gravíssimos, como a falta de autocrítica e estilo de governança paternalista. Não à toa eles preferem, na enorme maioria das vezes, mudar peças internas ao invés de buscar pessoas com histórico de sucesso confirmado. No marketing parece que a amizade pessoal é o que segura o diretor, que entrega um trabalho bem fraco, sem muita criatividade e inovação.
Essa questão do YouTube, ou mídia social, é só um desdobramento da ineficiência na condução de outros setores, como a (terceirizada) do programa ST que não decola mesmo com torcida batendo recorde no estádio. Claramente não há como falar de falta de engajamento pra pagar 350 reais/ano de um torcedor que gasta mais do que isso em ingresso na temporada. Falta iniciativa, vontade e alguém que seja pró-torcedor e não apenas pró-clube (lucro).
E o morumbi? cujo setor de arquibancada é aquela mesma coisa há anos. Sem área de venda de comida decente, sem setor de venda de produtos oficiais. Absolutamente nada. Não é o Casares que tem que pensar nisso. Ele paga pessoa pra trazer inovação e implementa-las. Mas a partir do momento que não fazem, a responsabilidade é dele e para um cara que navegou nesse setor boa parte da carreira, é uma vergonha. Mais uma.
Casares não é um profissional do Marketing?
O ST continua uma b&st@
E o post do Daniel é mais uma mostra.
E isso que o presida é da área… imaginem se não fosse.
Boa semana a todos.
Boas idéias são bem-vindas?
Não entendi sua colocação
Poderia explicar ?
A direção aceita ideias de fora de bom grado e pensa em implementar? ou seria muita ingenuidade propor idéias, sendo a 3a maior torcida do país.
E eu lá sei ?
Pergunte ao Zanca.
Aceitar, aceita. Praticar….
O problema é que nossos dinossauros de estimação que administram o clube gostam de andar de Maverick seis canecos tunado e acham que não precisam comprar outro …A mentalidade é fechada ao sistema de administraçao de venda de jogadores da base pra Europa como principal meio de gerar recursos pra se manter as despesas do futebol e do clube social (pois são eles que votam mesmo sendo subsídiados pelo torcedor comum que nunca foi ao clube social) .Enquanto essa geraçao de dinossauros que está lá no Conselho não for extinta ou sumir de lá de vez não vejo como o clube se modernizar pois a mente é fechada a um sistema que foi atropelado por outros clubes …..E não dá pra comparar com o passadofases ,ciclos ,como muitos sonhadores comparam.Hoje nossos adversários tem CTS ,Arenas ,Parcerias ,não decidimos jogos só em casa ou seja é muito mais difícil ser campeão ou ter sucesso E só comparar nossos adversários e vermos como eles evoluíram em estruta e nos a mesma coisa de vinte anos atrás e agora com dividas que todo clube tem…..E achar que o problema é dívida é ser inocente demais .Pois depois que paga dívida tem que investir e com competência ,temos isso????e vai gerar dinheiro de onde com esse sistema manjado e ultrapassado….
Monta o plano financeiro e o P&L da área e manda rodar. Acho ótimo. Só penso que, para o tamanho da operação do SP, isso seria uma receita de segunda importância. Também penso que o principal entrave é a falta de transparência. Essa gestão tem interesse em limitar a comunicação, um jeito velho, muito velho, e muito autoritário, de pensar.
Já pulando para outro assunto correlato. Vendo a Copa de Clubes, ficou claro para mim que o SP precisa virar SAF urgentemente. No mercado ultracapitalista que o futebol se tornou, maior jogo hoje é o jogo do dinheiro. Se vc não tiver grana, vc tá fora. Flamengo e Palmeiras vão voltar ainda mais fortes que o São Paulo só pela grana que entrou nesse Mundial. O fato de terem participado já fez a distância aumentar. Precisamos de uma mudança radical para continuar existindo. Ou virar um Juventus com torcida. Clubes grandes deixam de ser grandes. São Paulo precisa se ligar.
ideia excelente, mas na execucao nao pode colocar parentes de conselheiros, senao inverte o sinal!
Na verdade a resposta p/ essa pergunta é bem simples. O São Paulo lançou um app chamado SPFC Play, é por lá que vc tem acesso a conteúdo exclusivo dos bastidores entre outras coisas. Por isso eles não irão tornar o YouTube mais atraente, ele passou a ser um concorrente.
Daniel, parabéns!!
Tô aqui aplaudindo mesmo vc pelo Post.
A questão é:
Porque a diretoria, com um presidente “especialista” em Marketing, não toma uma atitude, realizando uma ação que, como vc mesmo disse, não é novidade prá praticamente qualquer pessoa….
Essas e outras medidas tem que ser, sim, cobradas da direção.
Isso que temos um Presidente que é especialista em Marketing, imagina se não fosse!!!!
Mas já temos o SPFC Play, que teria um potencial de muito maior crescimento e engajamento, sem precisar diretamente do YouTube/Google…
Parabéns pelo Post, muito bom!