“Não perder e, se der, ganhar!” – A Filosofia Zubeldia, por Rodrigo Perrucci

Treinador Luis Zubeldía do São Paulo, com expressão focada, em ambiente de estádio durante a noite.

Talvez seja esse o mantra do professor Luis Zubeldía aos seus comandados no São Paulo. E, ao que tudo indica, o time tricolor assimilou muito bem essa filosofia – se é que ela realmente existe.

Sob o comando do técnico argentino, o São Paulo se consolidou como um dos times mais difíceis de serem batidos no futebol brasileiro. Que o diga o Botafogo, atual campeão da Libertadores, que encontrou no Tricolor Paulista seu maior obstáculo rumo à glória eterna. Ou o poderoso Palmeiras, que sabe o quão complicado é superar o time de Zubeldía. Aliás, este foi o último a conseguir esse feito, na semifinal do Campeonato Paulista de 2025, em 23 de março, em um jogo equilibrado, decidido por um gol polêmico que ainda divide opiniões entre os torcedores.

No Brasileirão, onde a regularidade é essencial para alcançar o topo, a mentalidade de “não perder” pode ser um desafio, já que empates não contribuem para uma melhor posição na tabela. Ainda assim, nas competições mata-mata, como a Libertadores e a Copa do Brasil, essa característica se transforma em um trunfo. Um time que raramente é derrotado tem potencial para ir além do esperado, especialmente quando os jogadores começam a acreditar no projeto. E, pelo que temos visto, o elenco do São Paulo parece cada vez mais convicto dessa força coletiva.

Na Libertadores de 2025, a estratégia de Zubeldía tem sido cristalina: não perder. Nos três jogos fora de casa, o Tricolor surpreendeu, conquistando vitórias improváveis e pontos cruciais que o colocaram em posição privilegiada no grupo. Agora, com dois jogos decisivos no Morumbis, o São Paulo tem a chance de não apenas garantir a classificação, mas também terminar a fase de grupos na liderança, assegurando a vantagem de decidir as oitavas de final em casa. E todos sabemos o peso da torcida são-paulina quando o assunto é Libertadores – um caldeirão que transforma o Morumbis em uma fortaleza.

Para isso, o São Paulo precisará se reinventar em casa. O time que tropeçou em empates contra Sport e Fortaleza no Brasileirão precisa ceder lugar a uma versão mais próxima daquela que, em 2023, reverteu a vantagem do Corinthians na Copa do Brasil, com garra, mas também mais agressivo no ataque. A marca de Zubeldía é evidente: a prioridade é não perder, evitar tomar gols e, a partir dessa solidez defensiva, construir as vitórias como consequência.

Seja por convicção tática ou por adaptação às circunstâncias, o trabalho de Zubeldía já rendeu frutos expressivos neste um ano de comando técnico: uma semifinal de Libertadores, quartas de final na Copa do Brasil em 2024 e a vaga direta para a fase de grupos da Libertadores de 2025. Resultados que, para um clube que convive com tantas turbulências – como a venda de dezenas de jogadores, desfalques de peças-chave e lesões de estrelas como Lucas Moura e Oscar –, estão longe de serem triviais. Com a continuidade dessa comissão técnica, o futuro pode ser ainda mais promissor.

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A campanha do São Paulo em 2025 é uma história em construção, mas o enredo é, no mínimo, intrigante. O protagonista, Luis Zubeldía, que ainda convive com a desconfiança de muitos torcedores, agora tem a chance de escrever um capítulo épico. E os ingredientes para isso estão todos aí: superação diante de um elenco desfalcado, a pressão de um ex-treinador, agora rival, e a divisão de opiniões entre a torcida sobre a qualidade de seu trabalho. Mesmo assim, Zubeldía não se abala. Ele não culpa a falta d’água da piscina ou a exige reforços. Pelo contrário, mantém um foco absoluto no trabalho.

O São Paulo de hoje é um time que, mesmo diante de adversidades, não se entrega. Essa resiliência começa a ressoar até com os torcedores mais céticos, que, aos poucos, voltam a acreditar em voos mais altos. A história ainda não tem um desfecho, mas cabe a nós, torcedores, apoiar e acreditar que o final pode ser surpreendente, afinal a moeda já caiu em pé outras vezes. Com Zubeldía no comando, o São Paulo parece pronto para lutar até o último minuto – e, quem sabe, transformar essa jornada em uma redenção histórica, digna dos maiores momentos do clube. Por Rodrigo Perrucci


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