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Em tempos de tanta divisão, em que as pessoas defendem suas opiniões cegamente e relutam em ouvir o outro, discutir futebol ficou ainda mais desafiador. Debater um lance de jogo, uma falta marcada pelo árbitro, um frango do goleiro ou um chute preciso do artilheiro já gerava discussões homéricas. Com o advento das redes sociais, onde proliferam comentaristas, ex-jogadores e jornalistas que abandonam a imparcialidade em busca de audiência, essas discussões ganharam contornos de guerra de narrativas. Hoje, parece ter razão quem acumula mais likes ou seguidores.

Nesse cenário, jornalistas e comentaristas tornaram-se influenciadores. A torcida, antes formada por leitores de jornais esportivos ou telespectadores de programas de debate, agora é composta por seguidores. Tudo se mistura em busca do hype: da TV aos jornais, as discussões se assemelham a posts no X. É nesse contexto que a torcida do São Paulo se divide entre influenciadores a favor e contra o técnico Zubeldía. Essa polarização se espalha das redes sociais às conversas entre amigos, familiares e até às arquibancadas do Morumbi. Afinal, ou você ama o Zubeldía, ou o detesta.

Não há espaço para análises jogo a jogo, discussões sobre escalações ou estratégias. Se o time não vence, logo se conclui que o técnico não presta. Surgem clamores por nomes como Dorival, Crespo ou até Diniz. Ceni e Carpini, por exemplo, foram demitidos por menos. Por que tanta paciência com Zubeldía? Por outro lado, há quem defenda que ele é o técnico ideal para o São Paulo em tempos de vacas magras, extraindo o máximo de um elenco limitado.

Nem oito, nem oitenta. Zubeldía é o técnico do São Paulo, com contrato até dezembro de 2025. Parece ter o apoio dos jogadores, evita expor a diretoria ou o presidente em entrevistas e demonstra compreender as limitações financeiras do clube. Trabalha com o que tem à disposição, sem contar com peças importantes como Lucas, Oscar, Calleri e Pablo Maia. O time apresenta boas estratégias na maioria dos jogos, mas também comete erros, como substituições questionáveis — algo comum a outros técnicos. A diferença é que Zubeldía erra com poucas opções no elenco, adaptando-se a um time longe do ideal que talvez tenha em mente.

Com o tempo, Lucas, Oscar e Pablo Maia devem retornar. Jovens como Mateus Alves, Lucas Ferreira e Ryan Francisco podem ganhar confiança e espaço. Jogadores como Luciano, Wendell, Ruan podem evoluir como vem evoluindo o Ferreirinha e o Marcos Antônio, antes criticados.

Após um ano à frente do São Paulo, Zubeldía enfrentou inúmeros obstáculos: lesões, saídas de jogadores, pouco investimento e janelas de transferências modestas. Ainda assim, o time teve boas participações na Libertadores e na Copa do Brasil de 2024, alcançou a sexta colocação no Brasileirão e chegou às semifinais do Paulista, sendo eliminado por um pênalti polêmico. Esse desempenho pode credenciá-lo a continuar até o fim da temporada, em 2025?

A nós, torcedores, cabe torcer em vez de nos deixarmos influenciar pelas narrativas das redes. É hora de apoiar o time, independentemente do técnico, e nunca torcer contra. Deixemos a torcida contra para jornalistas e ex-jogadores que buscam se manter relevantes no hype das redes sociais. Opinar, discutir e seguir são atitudes bem-vindas, desde que com educação e respeito. Torcer contra? Isso deixemos para os rivais.


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