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Em uma matéria recente, a manchete chamou atenção ao afirmar que o São Paulo e Atlético-MG empataram em um jogo “movimentado com chilique e expulsões”. A palavra “chilique”, um termo que remete a um ataque nervoso sem razão, foi usada para descrever o comportamento de Luis Zubeldía, técnico do São Paulo. Discordo veementemente da escolha dessa palavra, especialmente vinda de um profissional da imprensa que, em outra reportagem, minimizou a expulsão de Zubeldía e pediu o fim da pressão sobre o treinador.

Zubeldía não teve chilique. Ele protestou contra um erro claro da arbitragem, especificamente a não aplicação de um segundo cartão amarelo a Lyanco, zagueiro do Atlético-MG. Esse erro, que foi identificado por comentaristas de arbitragem como óbvio, poderia ter mudado completamente o rumo da partida, já que a expulsão do jogador do Atlético poderia ter aberto espaço para uma vitória do São Paulo no Mineirão.

O técnico, portanto, se revoltou com razão, não de maneira descontrolada ou sem fundamento. Ele demonstrou justa indignação diante de um erro que poderia ter impactado diretamente o resultado do jogo. Zubeldía agiu como qualquer treinador apaixonado e comprometido faria: defendeu seu time, sua instituição. E isso ficou claro na entrevista pós-jogo, onde o treinador destacou a situação e não teve receio de expor seu descontentamento.

A Direção do São Paulo e o Apoio Necessário

O curioso é que a diretoria do São Paulo, embora reconheça a falha da arbitragem e considere que a expulsão de Zubeldía foi exagerada, preferiu não se manifestar oficialmente. A postura omissa da direção é um reflexo de uma cultura de passividade que, infelizmente, permeia muitos setores de nosso futebol. Zubeldía, por sua vez, agiu de maneira exemplar ao defender o clube diante de uma situação adversa, mesmo que isso o colocasse em conflito com a arbitragem. A diretoria deveria fazer o mesmo, preocupando-se com o que é melhor para o São Paulo, em vez de se esconder.

O presidente da Torcida Independente, Baby, resumiu muito bem o comportamento de Zubeldía: “Como não respeitar esse cara? Vibra, pressiona em campo e não teme mostrar sua insatisfação.” E é exatamente isso que o técnico fez — defendeu o São Paulo com coragem, algo que muitos dentro do clube, principalmente na direção, parecem não fazer.

O Respeito que Zubeldía Merece

Portanto, Zubeldía não teve chilique. Ele demonstrou sua paixão e comprometimento com o clube, algo raro no futebol atual, onde muitos preferem manter uma postura “politicamente correta” e se omitir diante de situações como essa. A torcida do São Paulo, embora critique algumas de suas decisões, admira sua postura e se identifica com o comportamento do técnico, que não tem medo de mostrar sua insatisfação e sempre coloca o time em primeiro lugar.

Já a diretoria de futebol, que o contratou e o mantém no cargo, deveria seguir o exemplo de Zubeldía e, em vez de se esconder, apoiar publicamente o treinador e proteger os interesses do clube. O que se espera é que todos, jornalistas, dirigentes e torcedores, respeitem Zubeldía pela forma como defende o São Paulo, agindo com coragem e comprometimento, ao contrário de muitos que, ao longo dos anos, pouco fizeram pelo clube.


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