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Quando li a notícia pela primeira vez, minha reação foi quase imediata: “Cagada!” Pensei comigo mesmo: “Por que fazer um contrato longo desse jeito agora? Não estamos fortes o suficiente para negociar um acordo de maneira adequada.” Eu estava tão convencido disso que quase escrevi um texto criticando a decisão. No entanto, ao deixar a euforia passar e analisar a situação de forma mais calma e estratégica, percebo que este pode, na verdade, ser um passo interessante. Explico o motivo.

A princípio, pode parecer um grande risco fechar um contrato de longo prazo sem garantir que ele seja sempre vantajoso para o clube, especialmente quando o cenário financeiro do São Paulo não é o melhor. Contratos como o da Sportsbet.io, por exemplo, que foram celebrados como grandes marcos, rapidamente se mostraram desvantajosos. Isso leva a um ponto crucial: num cenário dinâmico como o do futebol, ficar defasado em termos financeiros pode ser um grande problema. Portanto, é essencial incluir cláusulas que permitam reajustes regulares, acompanhando o crescimento do mercado de patrocínios e a valorização dos contratos no decorrer do tempo.

Entretanto, ao refletir mais a fundo, vejo que um contrato com a Superbet no valor de R$ 650 milhões fixos, que tem sido mencionado, não é apenas uma fonte de receita futura, mas pode ser um grande ativo financeiro. Esse tipo de contrato tem valor de mercado. O São Paulo poderia, por exemplo, antecipar esses valores via FIDC, com algum deságio, claro. E é aí que mora a grande oportunidade: a antecipação de parte desse valor traria caixa imediato, o que poderia ser usado para quitar as dívidas do clube.

Com uma previsão de receita de R$ 860 milhões em 2025, sendo que apenas em torno de R$ 60 milhões provêm do patrocínio máster, a despesa financeira do São Paulo de R$ 86 milhões por ano se torna um peso significativo. E aqui está um ponto chave: a despesa financeira projetada para 2025 é, na verdade, maior que o valor do patrocínio máster. Se conseguirmos liquidar nossas dívidas, ou ao menos a maior parte delas, essa despesa financeira de R$ 86 milhões anuais reduzirá drasticamente.

Esse é um benefício superior a qualquer valor de patrocínio. Com a redução da despesa financeira, o clube ganharia uma margem de recursos muito maior, que poderia ser direcionada para outras necessidades estratégicas, como garantir o pagamento dos jogadores em dia, investir no time e na estrutura do clube, ou até mesmo se reerguer financeiramente de forma mais sustentável.

Portanto, em um cenário de aperto financeiro como o que o São Paulo vive atualmente, o contrato com a Superbet traz um ganho adicional muito importante: ele pode, sim, representar uma entrada significativa de caixa, mas mais do que isso, ele pode ajudar a reduzir as dívidas e despesas financeiras anuais, disponibilizando mais recursos para outros fins cruciais para o clube. Esse movimento pode ser o ponto de partida para um processo de recuperação financeira que permita ao São Paulo retomar o controle das suas finanças e, com o tempo, voltar a ser um clube mais forte e competitivo.

Em resumo, ao invés de focarmos apenas no risco de um contrato longo, devemos olhar para o ganho estratégico que ele pode trazer. Esse contrato não é só sobre os valores do patrocínio em si, mas também sobre o potencial de reestruturação financeira do clube. Ele pode ser a chave para uma redução significativa das despesas financeiras, liberando mais recursos para investir no futuro do São Paulo e garantir uma recuperação sólida.

Peço desculpas por qualquer imprecisão nos valores mencionados no texto; o mais importante aqui é a ideia que estamos discutindo.


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