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Em entrevista ao Globo Esporte, o zagueiro que esteve na formação de Cotia, Matheus Vieira, fez um desabafo, veja:
O futebol europeu é a realização do sonho para a grande parte dos jogadores brasileiros. Mas, para Matheus Vieira, a chance de entrar em campo na Itália é um recomeço. Quase que da estaca zero. Formado nas categorias de base do São Paulo e do Cruzeiro, o zagueiro, que concedeu entrevista exclusiva ao ge, alega abandono do São Caetano em meio à grave lesão no joelho, que o fez perder toda a temporada de 2023. Aos 22 anos, está no Sangiustese, da 5ª divisão.
Nascido e criado na cidade de Santos, litoral paulista, Matheus iniciou a trajetória no futebol passando por Jabaquara e Portuguesa Santista. Destacou-se no clube da cidade natal e chamou atenção do São Paulo, que o contratou para o Sub-17.
Por lá, assinou o primeiro contrato profissional da vida e ficou por quatro anos, onde atuou ao lado de Beraldo, atualmente no PSG, e Pablo Maia e Wellington, atuais campeões da Copa do Brasil e da Supercopa. Chegou ao Cruzeiro em 2021.
Bem cotado no Sub-20 dos dois clubes e titular em boa parte da trajetória nessa categoria, Matheus foi observado em treinos do profissional com Fernando Diniz, no São Paulo, e relacionado para um jogo da Série B de 2021, por Luxemburgo, no Cruzeiro. Parecia questão de tempo a efetivação entre os profissionais, mas deixou a Toca em 2022, após a chegada de Ronaldo e a reformulação no clube. Ali, começou a busca por novos rumos na carreira.
Ainda naquele ano, surgiu a oportunidade de disputar a Copa da Federação Maranhense de Futebol, pelo Moto Club. Fez os primeiros jogos e o primeiro gol como profissional. Chamou atenção do São Caetano e encarou a oportunidade como uma boa chance para retomar a carreira na Série A2 do Paulista.
Mas, menos de dois meses após a chegada, houve uma importante lesão durante treinamento, iniciando os problemas na relação com o clube.
Matheus foi contratado pelo São Caetano em dezembro de 2022, iniciando os treinamentos. O clube optou por assinar o vínculo profissional com os atletas apenas em janeiro, antes de registrá-los para a disputa do Paulista. Uma conduta considerada “normal” dentro desses clubes, em relação ao meio do futebol. No entanto, antes que isso ocorresse, houve a lesão, e o zagueiro foi comunicado que não teria mais o contrato assinado, segundo ele mesmo relatou.
– Em dezembro (de 2022), todo mundo estava para assinar. Estava todo mundo treinando, mas ainda sem contrato. Eles estavam esperando chegar perto do início do campeonato para registrar todo mundo. Eu tinha recebido uma vez, por dezembro, porque trabalhei o mês todo. Quando estava prestes a chegar o campeonato, a gente ia assinar. Eu tinha mandado toda a documentação para registrarem, mas tinha machucado prestes a assinar.
“Quando machuquei, falei que ia assinar, porque havia sido prometido. E eles falaram: ‘Como você machucou, a gente não pode registrar, senão perdemos uma vaga, se quisermos contratar outro para o seu lugar’. Eu falei: ‘Isso não existe, estou aqui de palhaço, porque estou treinando e não posso assinar?’ Foi desgastante.”
Os problemas foram aumentando a partir de então. Ainda de acordo com relatos de Matheus Vieira, o São Caetano não o ofereceu condições para realizar a cirurgia em um hospital particular, como normalmente acontece. Desta forma, ele precisou passar pelo procedimento em um hospital público, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
– Eu precisava correr atrás. Foi onde eu consegui fazer minha cirurgia em um hospital de Jabaquara, pelo SUS. Sei que o SUS tem muita qualidade, mas a gente não sabe como vai ser a cirurgia. O clube não tinha o suporte para o pós-cirúrgico. Eu não tinha o suporte que deveria ter. Fica sempre a incerteza sobre o que ia acontecer. O clube tem que arcar com o que é prometido. Se você se lesiona e tem que passar por cirurgia, tem que ser em um hospital particular, onde tenha um suporte melhor. O SUS também tem, mas no particular é diferente, o auxílio é diferente.
O procedimento foi em março de 2023, após o jogador também realizar a preparação necessária em casos como aquele.
Matheus Vieira morava em Santos, junto com os familiares e, desde que fechou com o São Caetano, acertou que receberia um auxílio para se deslocar diariamente para os treinamentos. No entanto, o zagueiro alega que o pagamento parou de ser feito após a lesão. Havia mais dois atletas na mesma situação, que seguiram recebendo o que foi acordado.
– O São Caetano prometeu coisas para mim. Quando eu fui para lá, eu morava em Santos, assim como dois parceiros meus. A gente subia todos os dias, de carro, para treinar em São Caetano. O clube tinha prometido que ia pagar nossa condução.
“Quando eu sofri a lesão, eles prometeram, mas não cumpriram. Foi diferente, despertou isso em mim. Para eles (os outros dois jogadores de Santos), o São Caetano estava pagando. Só por quê eu machuquei? O atleta não tem culpa. Ficou a minha indignação com isso. Fui me virando.”
Posteriormente, Matheus Vieira passou a se hospedar no alojamento das categorias de base do São Caetano, realizando parte do tratamento no estádio do clube, Anacleto Campanela, cerca de 1,5km distante. No entanto, o jogador alega que, mesmo recém-operado, por vezes, precisava fazer o trajeto andando, já que não havia carro disponibilizado.
– Eles disponibilizaram isso para mim. Duas ou três semanas depois que eu tinha feito a cirurgia, eu tinha que ir a pé para o estádio.
“Eu subia ladeira, com o joelho inchado, tinha acabado de tirar muleta e fazia isso. Às vezes, chamava eles, não atendiam, falavam que não tinha carro para me buscar. Passei por coisas que eu nunca imaginei que passaria no futebol.”
Em função dos acontecimentos e da falta de pagamento – Matheus alega ter recebido apenas pelo mês de dezembro de 2022 -, o zagueiro ingressou com um processo trabalhista contra o São Caetano. A situação segue sem resolução.
– Por conta de todos esses fatores, que poderiam prejudicar minha carreira, eu falei que isso não podia acontecer e ficar barato. É minha vida, não sabia como seria. Entrei com uma ação, que é normal. Quero que o clube arque com o que é prometido. A gente não se machuca porque quer, aconteceram muitas coisas, por isso entrei. Se não fizessem o pagamento, mas com o auxílio depois da cirurgia, se arcassem ou me ajudassem com a fisioterapia fora do clube, por exemplo, eu não faria isso. Aconteceu tanta coisa, e eu tive que fazer isso. Eu queria só o justo. Está em andamento o processo.
No ano passado, o São Caetano teve uma mudança de direção. Em contato com o ge sobre o assunto, o clube ressaltou que a situação envolvendo Matheus ocorreu sob a antiga gestão. Por meio de nota, lamentou o ocorrido e desejou sucesso ao zagueiro na sequência da carreira.
– A diretoria do São Caetano Futebol vem por meio deste comunicar aos envolvidos que lamenta tais procedimentos ocorridos antes do início da operação profissional da atual gestão, que se faz desde novembro de 2023. Somos sabedores dos diversos problemas que o clube viveu nos últimos anos e entendemos que tudo deverá ser resolvido, mas dentro de um cronograma racional e de total entendimento dos profissionais que hoje representam o São Caetano. Desejamos que o atleta Matheus Vieira tenha tido sua total recuperação, estando apto para a sequência de sua carreira.
Campeão do Paulista há 20 anos, vice-campeão brasileiro e da Libertadores, o São Caetano passa pela pior crise em 34 anos de história. Neste ano, o time conquistou apenas duas vitórias em 15 rodadas da Série A3 do Paulista e foi rebaixado para a quarta divisão.
Recomeço na Itália
No segundo semestre do ano passado, logo após o nascimento do filho e em meio à recuperação da cirurgia no joelho, Matheus Vieira foi com a família da namorada – que tem cidadania italiana – para a Itália. Buscava um recomeço, mas sem a garantia de que seria no futebol. Meses depois, surgiu a oportunidade no Sangiustese, na 5ª divisão italiana.
– Antes de acertar com o clube, eu vim para morar na Itália. Como eu ainda estava na fase final de recuperação, era produtivo esperar mais um pouco pelo interesse de algum clube. Foi diferente, mas eu fui me adaptando, fazendo o meu papel fora. Tive alguns contatos, também. Um parceiro meu da época do São Paulo tinha contato com um empresário italiano que coloca jogadores em alguns clubes. Eu conversei com ele, ele me apresentou alguns clubes, e foi onde que eu tive a oportunidade de chegar aqui.
O amigo que ajudou Matheus a se realocar no futebol foi Danilo Mendes, que passou também por Coritiba e Real Brasília. Atualmente, Matheus Vieira acumula nove jogos pelo Sangiustese VP, da cidade de Morrovalle, a mais de 100km de Fano, onde reside com os familiares.
É um trecho percorrido pelo zagueiro diariamente, com baldeação entre uma linha de ônibus e duas de trem. O trajeto dura cerca de duas horas e meia.
– Uma rotina diferente. Eu estava acostumado a ficar alojado, o clube pagava uma casa para eu ficar mais perto em dias de treino para ir andando, ou ia de carro com outros atletas. Hoje, eu tenho que acordar 8h, pegar ônibus até a estação de Fano, que é onde eu moro. Depois, pego o trem até Ancona, depois outro até a região do clube, Morovalle. Tenho que fazer isso todos os dias. Só no sábado que não precisa ter a volta, é só na parte da manhã. Sábado a gente concentra em um hotel, para mim é melhor, porque não tem o desgaste da viagem de volta.
“Vamos acostumando, uma experiência diferente. Estou indo como um trabalhador mesmo. Estou recomeçando, quero conquistar grandes coisas por aqui.”
Ainda que tenha atrasado a transição para o profissional, considerado o momento mais importante para um jogador se firmar após a base, Matheus Vieira ainda mantém o sonho que tinha lá atrás, quando conseguiu destaque por São Paulo e Cruzeiro.
– Quero poder terminar a competição bem, jogar, que é o mais importante, depois do ano de 2023 que eu passei. Quero poder conquistar grandes coisas pessoais, que eu sempre sonhei. Quero escrever minha história na Europa. Sempre foi meu sonho. Posso conquistar isso ainda. Posso ter um bom nome aqui na Itália, quem sabe na Europa, conquistar grandes coisas, chegando numa Série A, Série B. É o meu objetivo.
Em meio ao recomeço na Itália, Matheus Vieira tem se firmado entre os titulares do Sangiustese. Disputou nove partidas, sendo sete como titular, com uma assistência anotada.
Outras respostas de Matheus Vieira
- Passagem pelo São Paulo
– Foi muito importante para a mim. Saí da Portuguesa Santista e fui para o São Paulo, com 16 para 17 anos, e fiquei até os 19. Fiquei quatro anos no clube, sem comparações o CT de Cotia, a estrutura que dão para um moleque. Tem uma formação diferente, uma das melhores da América. Depois, vou para o Cruzeiro, onde o processo estava um pouco complicado, por conta de tudo que aconteceu, mas é um clube grande, gigante, no Brasil e fora. Sabia que alguma hora ia sair da situação. Fui com o intuito de buscar minha história lá. Joguei uma Copinha, foi muito importante para mim esse processo de formação.
- Treinos com Fernando Diniz
– Tive contato com o Diniz. É um treinador que gosta de trabalhar com os jovens de 16, 17 anos. Sempre integrava a gente ao profissional. Quando você tem um cara assim, é sempre importante, porque você ganha confiança. Na época não tinha tanto disso, hoje tem mais. A rapaziada que eu joguei no São Paulo hoje está no profissional, o Pablo Maia, o Diego Costa. No Cruzeiro, a mesma coisa. É muito importante passar por esse processo. Uma transição, que é sempre muito difícil, hoje é um pouco mais natural.
- Passagem pelo Cruzeiro
– Em 2021, estava o Luxemburgo, e ele tem essa ideologia de sempre aproveitar a rapaziada nova, treinar os jovens junto com o profissional. Ele sempre teve isso na carreira. Graças a ele, subi ao profissional, treinei com o time, muitas vezes nem voltava para a base. Tive uma oportunidade de ir para um jogo de última hora, porque eu estava integrado ao profissional. Fiquei muito feliz. Ele me dava essa oportunidade, havia conversado comigo que a Copinha de 2022 eu iria jogar, mas depois seria aproveitado com ele. Mas houve mudança de diretoria, após a Copinha. Chegou a diretoria do Ronaldo, onde mudou tudo. Ele quis aproveitar os moleques mais novos, e quem era mais novo seria emprestado ou rescindiria. Eu esperei essa resposta, treinei à parte, e acabamos rescindindo o contrato. Não houve acordo. Foi uma rescisão unilateral.
- Estreia como profissional no Moto Club
– Eu estava treinando por minha conta, depois de sair do Cruzeiro, e surgiu a oportunidade de jogar a Copa FMF com o Moto Club. Foi onde eu joguei como profissional, fiz meu primeiro gol e surgiu a oportunidade e a proposta do São Caetano.
- Chegada e adaptação à Itália
– A família da minha namorada já tinha, assim como ela, e facilitou a gente tirar. Graças à família da minha namorada, a gente conseguiu ter o trâmite de tirar a cidadania, com isso eu tenho acesso ao “Permesso di Soggiorno”, que, por conta do meu filho, eu consegui ter acesso livre à Itália e à Europa. Consigo viajar, ser inscrito e jogar. Está sendo muito produtivo. No começo, quando eu cheguei, estava sendo um pouco diferente, com adaptação e a língua, que eu só conhecia o básico. Depois, quando você tem muito convívio, você se adapta, fala um pouco da língua. Meu início no clube está sendo muito produtivo, independemente da situação do clube no campeonato. É importante, para mim, estar entrando em campo, depois do ano de 2023 que passei. Para mim, está sendo um bom incentivo para crescer aqui no futebol europeu. Quero começar bem e conquistar grandes coisas na Itália e no futebol europeu.
Globo Esporte
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Esse zagueiro Luisão do Novorizontino cabe no SPFC. Joga mais que o Diego Costa
Comigo foi o contrario… (desculpa pelo textão).
Já mencionei aqui que joguei na base e times do ABC, mas não consegui me profissionalizar. Passei na peneira do Santo André (Onde nasci e onde moro hoje em dia) com 16 anos… Queria ser volante, mas acharam que eu tinha perfil de zaagueiro, era bom na marcação e deficiente na armação e no ataque. Fiquei 1 ano e 4 meses mais ou menos no Santo André. Era titular, mas entrou FDP de treinador que me encostou, me achava muito baixo pra ser zagueiro e não importava se eu jogava bem ou não, se eu treinava bem ou não, como eu não tinha altura ideal (1,77) ele me deixava como ultima opção, por alguns meses eu só treinava.
Me repassaram para o São Caetano. Onde inicialmente tive dificuldades de me adaptar mas depois foi de boa. A estrutura do São Caetano era melhor pra base. Aos poucos conquistei meu espaço. Com 18 anos recem completados rompi os ligamentos do meu joelho direito (eu era destro, depois virei ambidestro). Fiz cirurgia, fisioterapia, tive acompanhamento… todas as coisas necessárias pagas pelo São Caetano. Mas quando estava tentando voltar, descobri que negligenciaram meu caso, tive a mesma lesão no mesmo joelho. Dessa vez enfrentei problemas, mas consegui que eles arcassem com os custos de uma nova cirurgia. Fiquei praticamente 2 anos parado e perdi um periodo importante da base ou até de subir para o profissional. Eu desisti de jogar futebol, mas com 22 anos, um amigo me convenceu a fazer um teste pelo Gremio Mauaense que é um time semi amador da região. Eu até consegui passar no teste, mas estava inseguro demais de machucar meu joelho de novo. Minha insegurança era tão grande que passei a jogar mais com a perna esquerda do que com a direita. Não cheguei a ir pra jogos oficiais, fiquei só um periodo treinando e abandonei de vez o futebol.
Meu caso é o contrário desse cara aí. O São Caetano pagou meu tratamento das duas vezes. Não vi o erro médico como culpa do clube, porque operei em uma clinica boa da região, foi falta de sorte mesmo. Da segunda vez não queriam arcar com os custos porque faltava pouco pra terminar meu contrato… mas eu estava no meu direito, consegui fazer valer meus direitos. São Caetano virou meu segundo clube do coração, tenho um carinho grande, apesar da péssima administração dos ultimos 14 anos e de toda roubalheira. Mas no tempo que passei por lá era diferente (2003, 2004 e 2005). Tempo que parecia que o São Caetano se tornaria um time de elite!
Obrigado por seu relato.
Isso, muito frustante pra uma atleta o que ele,relata aconteceu comigo no São Paulo. Esperei por uma oportunidade depois de ser emprestado tinha 19 anos . Quando retornei do empréstimo havia vários clubes interessados. Não quiseram negociar. Me colocaram no elenco, falando iriam me dar oportunidade. Começar cobrar o do treinador por ele , não me dava oportunidade. Ele,falava que eu, não treinava bem. Tinha voltado do empréstimo com 9 gols e treze assistência. Diseram a ele que eu, era jogador de jogo e não treino. Mas, mesmo assim ele ,não cedia. Até que um dia depois ,de testa seu esquema tático e não deu certo .. Resolveu me colocar .no primeiro jogo ganhamos de um zero eu, fiz gol. Pra resumir a história e muito extensa. Eu, fui vice artilheiro do time fiquei atrás só do Raí com cinco jogos menos por lesão. Depois meu contrato acabou o treinador veio falar pra eu, não pedir muito.. Depois um, diretor , me pressionou pra assinar .. Terminei não aceitando.. Me emprestaram pra IX de Piracicaba, terminei me lesionando gravemente. Depois arrumaram um.medico de cotovelo pra fazer cirugia de joelho rejeitei. O São Paulo me abandonou. Isso e normal nos clubes ninguém assume.