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Jogador do São Paulo FC em coletiva de imprensa, com fundo vermelho e logotipos do clube e patrocinadores.

Entrevista completa do novo reforço do São Paulo

Então, dar início à entrevista coletiva e à apresentação oficial de Dória Zagueiro Volta a São Paulo após 10 anos, 11 anos, na verdade, saiu daqui em 2015 para reconstruir a sua história e continuar a história no São Paulo. E Costa, nosso executivo de futebol, fará a apresentação. Boa tarde.

Boa tarde, Felipe. Boa tarde a todos, a todos. Eu volto aqui com extrema satisfação para apresentar mais um atleta que se incorpora ao nosso grupo e que, desde o primeiro momento, me disse uma frase que me marcou muito.

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Eu quero voltar para o São Paulo. Para quem não sabe, eu fiz a negociação desde o início, e eu posso ser testemunha bastante presente em tudo o que eu vou dizer para vocês aqui. O Dória abriu mão de um valor muito importante, porque ele tinha um contrato até 2017, e ele tinha outros clubes, inclusive com negociações bastante avançadas.

E, quando nós entramos em contato pela primeira vez, ele me disse a seguinte frase. Rui, eu fiquei um período muito curto no São Paulo, eu queria ter estado mais tempo no São Paulo, mas o tempo foi suficiente para que eu criasse um vínculo com esse clube, que dura muitos anos, e eu precisava voltar para o São Paulo. Eu sempre digo aqui, e nunca disse a vocês, mas hoje diria a vocês, que, com todas as dificuldades que nós enfrentamos e temos, do ponto de vista de competitividade de mercado, o São Paulo sempre procura jogadores que tenham algo que o dinheiro não compra.

E é isso que tem feito a diferença, e é isso que fará a diferença nessa temporada. Então, seja muito bem-vindo, e eu te entrego essa camisa que tu tanto desejava vestir de novo, com muito prazer. Na temporada de 2015, Dória disputou 18 jogos pelo São Paulo, com dois gols marcados.

Ele volta após uma passagem marcante pelo futebol mexicano. Atuou também no futebol europeu, em ligas importantes. Utilizaram a camisa 4 no seu torno ao clube.

Vamos, então, dar início à entrevista coletiva. Peço que se apresentem a ele antes de fazer a pergunta. Dória, tudo bem? Nina Galhotti, do SVT.

Como ele disse, queria já embarcar no que ele falou, disse que você queria muito voltar ao São Paulo. O São Paulo vive um momento muito diferente do momento que você esteve aqui da última vez, agora com um momento político muito mais complicado, isso também refletindo dentro de campo. Queria que você explicasse, então, essa opção, por que voltar para o São Paulo neste momento.

Então, o clube de São Paulo me marcou demais, né? Cheguei aqui com 20 anos, eu vim emprestado do Marseille, e recebi a notícia que minha esposa estava grávida, a minha primeira filha também, aqui. Não pôde nascer aqui em São Paulo, terminou nascendo em Granada. E eu fiz seis meses aqui, que me marcou demais, e eu ia continuar, por questões, assim, burocráticas, de aumentar valor, de negociação.

O Marseille, que era o time que eu pertencia nesse momento, não quis deixar a negociação avançar. E toda a minha família, eu, a gente tinha uma vontade de terminar o campeonato, né? Tive que sair na metade do Campeonato Brasileiro, o time estava muito bem. E fiquei com esse gostinho, esse sabor de quero mais, queria continuar demais.

E, graças a Deus, hoje eu posso realizar o sonho de poder voltar a um clube gigante como é o São Paulo, dessa continuidade da minha história, né? E esse foi o motivo principal, né? Também mostrar a minha filha aonde eu recebi a notícia que ela ia nascer, né? É uma coisa bem bacana. E, cara, uma frase que me marcou durante esse tempo, né? Até conversei com o Filipe uma vez, ele falou pra mim, um assessor, ele falou, mano, São Paulo é São Paulo, não tem como você falar não para um clube como São Paulo. E essas outras questões não correspondem muito a mim.

Minha questão é trabalhar, jogar futebol, me dedicar todos os dias no treinamento, ajudar meus companheiros e fazer o meu melhor para ter resultado positivo. Eu acho que no futebol tudo se resolve com resultado positivo. E a única maneira de conseguir é trabalhando muito forte.

Doriá, boa tarde. Lucas Herrero, TV Band. Seja bem-vindo de volta a São Paulo.

Muito obrigado. Você chegou a citar um pouquinho sobre a situação atual do clube, né? Mas o jogador pensa duas vezes antes de aceitar uma proposta, sabendo de toda a situação que vive o São Paulo, sabendo de tudo que envolve retornar a um clube que está muito diferente daquilo que você encontrou em 2015, né? Não só com relação ao aumento de dívida, mas nesses 11 anos que você ficou fora foram só três títulos conquistados. Então eu queria que você falasse, o jogador conversa com quem está aqui, poxa, será que vale a pena voltar? Você conversou com alguém do atual elenco? O que você pensou sabendo que o São Paulo está à beira, está prestes a ter uma votação de impeachment na sexta-feira? Então, cara, eu acho que se tem algum jogador no mundo que pensa duas vezes para vir para o São Paulo, ele está muito errado, está muito equivocado.

Se tivesse uma proposta, não sei, para o cara jogar na Índia, que não é um futebol tão vistoso assim, o cara pode pensar duas vezes, né? Poxa, vou me mudar com toda a minha família, como é que vai ser para falar, o idioma, a escola para as filhas, essas coisas. Pô, mas você fala, vai para o São Paulo, acho que qualquer pessoa, qualquer jogador, até mesmo se tivesse uma proposta para você agora no momento para vir para o São Paulo, não tem como pensar duas vezes. Vambora.

E tenho, graças a Deus, tenho muitos amigos aqui, né? Joguei com o Ender na seleção, com o Luciano, com o Alisson, em 2015 joguei com o Toloi, então, cara, você vê assim, você vê a rapaziada bem, jogando bem, é uma alegria. Então, vambora, é trabalhar, é trabalhar. Sinto que tudo se resolve com o resultado e mostrando dentro do campo, né? Eu entendo essas coisas que possam falar, que gera conteúdo até mesmo para vocês, eu entendo a função de vocês, passar para o torcedor tudo o que está acontecendo, mas isso, para a gente que é jogador, a gente tem que botar tudo dentro do campo.

Jogar, a única maneira de responder e dar resultado e dar alegria para a torcida é jogando e resultado positivo, e isso é dentro do campo, a gente não pode deixar se abalar por qualquer outra coisa que venham falar, né? No final é só, não sei se uma fofoca, mas ninguém nunca vai saber a verdade, vai ter muitas versões, para a gente como jogador é trabalhar e dar resultado e alegria para a nossa torcida. Boa tarde, Dória, aqui no centro. Rodrigo Fragoso, TNT Sports.

Dória, você é um jogador já bastante experimentado, um atleta que passou por vários países, criou raízes em algum clube, como, por exemplo, no México, no Santos Laguna, estava no Atlas, e pela tua experiência, pela tua vivência no futebol, eu queria entender como blindar o vestiário de uma situação que, no campo político, pode atrapalhar. Você viveu isso de um ambiente conturbado, fora de campo, em algum clube em que você estava e precisou lidar? E o que você aprendeu com isso que você pode trazer para o São Paulo? Obrigado. Boa tarde, mano.

Então, são coisas que acontecem e são normais no mundo do futebol. Aconteceu comigo quando estava no Botafogo, no último ano de eleição, acontece um monte de coisa assim. Eu acho que, repito, quem pode resolver isso são os jogadores, que é estar com a cabeça boa para trabalhar, se dedicar durante o dia de treinamento, dar resultado positivo, não usar isso como uma desculpa, um resultado negativo é porque tem alguma coisa acontecendo errado no clube.

Eu acho que não é por aí. Quem entra no campo e quem faz as ações, quem erra e quem acerta, no final das contas, somos nós. Temos que estar concentrados no nosso trabalho.

E vivi também isso lá no México, também. Teve um tempo, o dono do time lá, não é presidente, era dono, não podia nem entrar no México, porque estavam investigando coisas dele de imposto de renda e assim. No final das contas, tudo se resolveu, o time continuou trabalhando, continuou focado.

Vinham pessoas e falavam com a gente, igual fizeram aqui já no São Paulo, gente, continua trabalhando. A questão política não corresponde a vocês, vocês têm que trabalhar. Para mim, desde o dia que cheguei aqui, vi que não faltou nada.

Não faltou nada. A estrutura que tem o São Paulo é covardia, cara. Até comparando com o 2015 que tive aqui, a melhora que fizeram dentro do clube, o vestiário, as instalações aqui, pode ser igual para qualquer time da Europa.

Para a gente, cara, não falta nada. Tem as condições, a comida aqui é maravilhosa, o cara não precisa nem ir para casa para comer, nem ir para restaurante, tem tudo. É só se concentrar e jogar futebol, na verdade.

Acho que a minha resposta para tudo isso é nós, jogadores, que a gente esteja concentrado em jogar futebol. Oi, Dória, tudo bem? José Paes, da TV Gazeta. Muito foi falado aqui sobre a parte política, mas dentro de campo também o São Paulo não vem tendo, não teve um primeiro resultado interessante diante do Mirassol, e a torcida já fica preocupada.

Eu queria saber como que você, especificamente, pode ajudar o São Paulo dentro de campo com a tua experiência, com tudo que você viveu, especialmente em uma disputa ali na zaga com outros jogadores importantes que o São Paulo tem também, Sabino, Alafranco, enfim, Arboleda. Como que você se vê nesse elenco? Exatamente, isso também aproveitando, foi um dos motivos que o cara aceita voltar para o São Paulo, é ver o plantel, é ver o grupo. Tem muitos jogadores de muita qualidade, e eu acho assim, foi o primeiro jogo, gente.

Teve pouco tempo de pré-temporada, tem gente chegando, gente saindo. Eu acho que não pode se arrastar alguma coisa do ano passado e estar falando, gente, vai ser um ano difícil. Não é assim, primeiro jogo, estamos encaixando, o pessoal está meio que em ritmo de pré-temporada ainda, está pegando o ritmo.

Eu sinto que vai ser um ano muito bom, o São Paulo está jogando um campeonato até internacional também, vai jogar a Sul-Americana, que às vezes tem time que nem vai jogar isso, e tem que se valorizar, gente. Temos uma estrutura muito boa para trabalhar, temos quatro torneios aí para jogar, tem muita coisa para acontecer. Eu estou encarando, acho que encarando cada jogo como uma final e sempre querendo melhorar dia após dia.

Boa tarde, Otávio Rocha da Vável Brasil, seja bem-vindo de volta a São Paulo. Analisando um pouco os últimos anos pelo Atlas, é um esquema muito parecido com o que usa o Crespo, os três zagueiros, você lá no Atlas jogava mais como um zagueiro central. Aqui no São Paulo, como você enxerga? Você tem alguma preferência pelo lado esquerdo, pelo centro? E se der, não sei se já deu tempo de você conhecer um pouco do trabalho do Crespo, se dá para comparar um pouco com o futebol que você praticava lá no Atlas? Muito obrigado.

De nada. Lá eu já joguei com vários treinadores que também jogavam com a linha de três, e tem várias maneiras de jogar com a linha de três, às vezes só três e o resto do time atacando, às vezes uma linha de cinco bem parada, tem muitas maneiras que eu fui aprendendo ao largo da minha carreira. Também já joguei pelo lado esquerdo, e agora por último, no último campeonato, como tinham mais zagueiros canhotos, eu joguei por dentro, joguei no centro.

Onde me colocar? Eu estou bem. Até joguei pela direita também. Teve um torneio que tinha dois canhotos, e teve uma vez que machucou um com a perna direita, e foram quase três canhotos na zaga, e eu joguei pelo lado direito.

A área da defesa pode me colocar em qualquer lugar que eu estou para ajudar. Onde o treinador escolheu, eu estou para ajudar. Eu acho que é uma formação que às vezes as pessoas acham que é só defensiva, mas eu aprendi que não.

Eu também achava isso em algum momento da minha carreira, e ganhei muitos jogos jogando com três zagueiros, e o time era ofensivo demais. Eram três zagueiros, o volante ajudando na contenção, e o resto do time era tudo ofensivo. Eram puros jogadores de meio campo para frente.

E vi que não é só isso de o time é defensivo. É questão de muita comunicação. É uma formação que às vezes pode complicar algum jogador ou outro, mas comunicando se resolve tudo.

Dória, bom dia. Alexandre Salvador, canal Arnaldo e Tironi. Os colegas aqui falaram muito sobre a questão política, mas a gente vê que os próprios jogadores do São Paulo às vezes falam algumas coisas.

O próprio Luciano falou na saída de campo do jogo contra o Mirasol, pedindo muito apoio da torcida. O Luiz Gustavo, que não está mais aqui, mas era um líder do grupo até pouco tempo atrás, também falou a respeito dos problemas do clube na saída do campo. Numa derrota contra o Fluminense.

Eu queria saber como você vê essa questão dos problemas financeiros que o clube passa, até mesmo atrasos de salários. Como isso não passa para dentro do campo? Eu entendo a questão política que você deu as suas respostas, mas o clube também passa por questões operacionais de dificuldade. Isso chegou a ser tema da sua conversa com o Rui.

Como é que é isso para você? Eu, particularmente, os problemas internos eles resolvem aqui dentro. Eu penso desse jeito. Você pegar um jogador com uma revolução altíssima depois do jogo e fazer uma pergunta que por aí o cara tem engasgado, vai falar um monte de coisa que às vezes vai até se arrepender.

É difícil. Depois do jogo eu prefiro não falar nada. Você perde um jogo, está estressado, você sai xingando gente que depois você se arrepende, você vai pedir desculpa.

E tem momentos que não tem como. Já vazou toda a informação. É igual quando você briga com a sua esposa em casa, você vai resolver em casa, você não vai sair falando besteira aí para fora.

Então, os problemas internos se resolvem internos e unidos. Acho que juntos é a única maneira de resolver qualquer coisa. A única maneira que as pessoas podem mudar essa situação, repito, vou ser repetitivo, é dentro do campo.

Porque podem passar aqui reuniões e as pessoas estão estressadas, passar duas horas conversando, tentando resolver problemas. No final das contas, quando entra no campo o resultado positivo, ninguém vai saber o que está acontecendo. Não adianta gerar uma polêmica em uma coisa e achar que perdeu o jogo contra o Mirasol por motivos diferentes.

Perdeu porque não conseguiu fazer as coisas que a gente vinha treinando e não saiu como a gente queria. Perdeu. Não perdeu porque o clube tem problemas políticos.

Então, tem que saber diferenciar isso muito bem. Dória, boa tarde. Gabriel Sark, bancada Tricolor.

Bem-vindo novamente aqui ao São Paulo. É claro que, quando a gente ouve você, a gente percebe que você está falando muito desse contexto. Está sendo perguntado, por óbvio, em relação a isso.

Mas a gente percebe uma liderança natural da sua parte. Que fala do tema, fala da blindagem, fala da capacidade. Eu queria que você falasse um pouco, porque você volta após 10 anos e a gente percebe que você é mais experiente.

Vai ser uma missão sua virar um líder desse vestiário e virar um líder desse grupo em um ano tão complicado para o São Paulo? Eu acho que isso é uma coisa natural. Não tem que ser nada forçado. Eu não venho com essa missão de ser o líder e vou ser o salvador da pátria.

Tudo vai mudar. Não é assim. O que eu puder ajudar meus companheiros, eu vou fazer.

Eu gosto muito de mostrar o exemplo. Eu sou um cara que chega cedo. Gosto de ir tarde.

Gosto de usar todas as coisas que o clube pode proporcionar para mim em termos de recuperação, alimento. Qualquer 1% que eu melhorar durante o meu dia a dia, com as coisas que o clube pode me ajudar, pode me oferecer, eu vou usar. Sinto que eu posso pegar uns 5, 6 caras que vão estar olhando esse exemplo e vão querer fazer igual.

Muitos exemplos que você faz e vê o resultado dentro do campo, você vai arrastando companheiros que querem fazer as coisas corretas, de tal maneira, descansar, dormir cedo, comer bem, chegar cedo no clube, fazer o trabalho preventivo. São coisas que, com o tempo que eu venho jogando, eu estraiei muito cedo, com 17 anos, com todo esse tempo eu pude ter uma conclusão. E só assim você pode resolver problemas.

É uma parada que parece ser clichê, mas no futebol tudo se resolve trabalhando. Às vezes você está em um mau momento, perde um monte de jogos, todo mundo vai fazer reunião, olha um para a cara do outro e a gente se pergunta como é que a gente vai sair dessa situação? Trabalhando. E é dessa maneira que acho que posso ajudar meus companheiros também.

Dória, tudo bem? Mariana Capra, da ESPN. Você falou que já jogou com alguns dos companheiros que tem hoje no São Paulo, já encontrou com eles em algum momento. Eu queria saber como foi essa sua recepção aqui no São Paulo e como você se sentiu voltando ao clube depois de 11 anos, como foi o momento em que entrou aqui de novo e se, de alguma maneira, essa pressão política afetou os bastidores dessa recepção.

Cara, foi muito legal. Uma sensação que eu não sabia que precisava até sentir, até chegar aqui e ver esse cara que já está aqui há 50 anos. Sou muito feliz de chegar ali no restaurante e ver os cozinheiros, o chefe pessoal da segurança, o fotógrafo que está ali atrás.

E poder abraçar eles, cara, é uma felicidade tremenda. Não sabia que precisava sentir isso até chegar aqui no São Paulo. Estou muito feliz, estou orgulhoso da rapaziada, do trabalho que eles fizeram todo esse tempo, da melhoria que o clube recebeu aqui dentro.

Eu só quero treinar. Fico até com vontade. Já treinei duas ou três vezes.

Quero treinar, entrar no campo, sentir aquela emoção do Morumbi, que agora é Morumbis. E vamos embora. Estou feliz demais.

Acho que foi uma escolha muito acertada do pessoal, do staff e do Rui, que me buscou. Uma coisa que eu também até conversei com ele. Durante a minha carreira, joguei em vários times, em várias carreiras, e nunca tive essa sensação, essa proximidade com o diretor de um time, que possa te fazer uma videochamada, conversar com você cara a cara, explicar como está a situação.

São coisas que batem no coração assim, e você não tem como falar. E volta a pergunta dele, pensar duas vezes. Quero já estar dentro do campo, ajudar meus companheiros e sentir essa emoção de vestir essa camisa, que é a melhor coisa que um atleta pode ter.

Dória, bem-vindo. Isabela Janalado Lance aqui. Você passou os últimos 11 anos jogando fora do Brasil, com um calendário completamente diferente, principalmente pensando na Liga Mexicana.

E volta para o futebol brasileiro, que um dos grandes assuntos dessa temporada é justamente um calendário mais apertado. Na última temporada, o São Paulo teve alguns problemas com o departamento médico, alguns problemas recorrentes, desde lesões mais sérias, até desgastes de jogadores. Eu queria saber como você está lidando com essa adaptação a um calendário que é mais apertado, totalmente diferente, e pensando também nessa preocupação, olhando para a parte física.

Uma das coisas que eu conversei com o staff, o pessoal que cuida de mim, da minha alimentação, da recuperação, a diferença maior que tem aqui do Brasil para o México, que eu fiquei lá quase oito anos, lá o tema é você trabalhar para ter muita intensidade nos jogos. Então, como eu tenho a semana cheia de trabalho, buscam muita intensidade para você estar bem. Lá acontece muito que no minuto 80, até acabar o jogo, sai dois, três gols, porque o time está bem fisicamente.

Essa é a diferença de um time para o outro lá. E aqui eu sinto que é a recuperação, porque tem jogo a cada três dias, e chega quem está melhor recuperado, melhor fisicamente e recuperado. Então, tenho planejado trazer meu fisioterapeuta para estar morando aqui, ser meu vizinho, e estar me cuidando a temporada inteira.

A comida do clube aqui é perfeita, essa alimentação tem que estar sempre em dia, acabar o treino, você alimentar uma hora já depois, isso ajuda muito. E o descanso, dormir cedo, dormir de tarde, o cochilinho da tarde salva. E é isso, acho que é a diferença de uma liga para a outra, e já estou ciente dessa situação e vou trabalhar nisso.

Dora, na frente, Bruno Gilfrida, do GE. Na sua apresentação aqui, nas últimas perguntas, senti que você é um cara que se preocupa muito com a tua condição, com a tua forma física, e um cara muito maduro. É claro que aos 31 anos você já viveu muita coisa no futebol, mas ainda não é um cara de 35, 36, e muitas vezes a gente vê essa maturidade chegar um pouco depois.

Você sempre foi assim? O que te transformou nesse cara? E se você acha que isso também pode ser um diferencial teu para brigar por posição no elenco que já tem diversos zagueiros e que já está formado há algum tempo? Eu acho que isso vai um pouco da minha educação familiar, porque eu estreei com 17 anos e, graças a Deus, peguei jogadores que tinham muita qualidade, muita experiência e que puderam me ajudar. No time que eu estreei tinha o Jefferson, goleiro, que era o goleiro da seleção naquele momento. Joguei com o Seedorf, com o Loco Abreu, o Bolívar, que é até meu padrinho de casamento.

São pessoas que tinham muita experiência. Um tinha ganho mundial, o outro tinha ganho três Champions League, o outro era o goleiro da seleção do momento. Tinha muitos jogadores que eu pude ir observando e pegando um pouquinho de cada um para ver o exemplo bom de cada um que eu fui pegando.

E também vai um pouco da minha educação familiar. Eu acho que, desde os 16 anos, eu ajudo meu pai a cuidar da minha mãe e meu irmão. E eu acho que vai um pouco daí.

Eu tive uma educação bem rigorosa e meio que tive que ser adulto antes de qualquer pessoa da minha idade. Normalmente, com 16 anos, o pessoal está indo para a festa e essas coisas, e eu, com 16 anos, tinha que dormir porque tinha que jogar e trabalhar. Foi um pouco daí.

Com 17 anos, muitas pessoas estão terminando as escolas e eu estava tendo que treinar e jogar. Às vezes jogava no Engenhão e, no outro dia, tinha aula. Então, acho que foi um pouco daí.

Eu tive que ficar maduro, vamos dizer assim. Antes do tempo. Não curti muito a adolescência.

Então, vai um pouco daí. Me sinto velho antes dos outros, mas ainda tenho 31 anos. Encerramos, então, a apresentação e coletiva Zagredor.

Obrigado a todos pela presença. Uma boa tarde. Valeu, gente.

Boa tarde. A gente pediu a Dória só para que levante e agora faça algumas fotos com a camisa, por gentileza, mostrando…

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