Zubeldía: dos “secadores” ao prazer de “estar certo” com o SPFC

O título é pretensioso, mas fica tranquilo, isso é proposital. Porque a avaliação do desempenho do técnico Luis Zubeldía no São Paulo ultrapassou as quatro linhas e as lindas arquibancadas do MorumBIS para se transformar em uma guerra nas redes sociais: ame-o ou odeio-o, preto ou branco, oito ou oitenta. Sem bom senso, sem meio termo. De um lado, “passadores de pano” para os erros do treinador; no outro canto aqueles que chegavam a torcer contra o próprio time. A torcida são-paulina chegou a extremos que lembraram até os tristes embates políticos recentes.
Antes de tudo, digo que estive ao lado da permanência de Zubeldía em todos os momentos. Cheguei a protagonizar embates neste site para argumentar. O tempo passou – e nem foi tanto tempo – e parece que, enfim, o argentino convenceu que merece a continuidade no comando tricolor. São 12 jogos invictos, com 5 vitórias e 7 empates. Isso no momento de mais desfalques importantes da temporada, e após derrota doída com roubo claro contra o rival do tapete de plástico. Além disso, temos atualmente a maior sequência invicta do São Paulo na vitoriosa história do clube na Libertadores.
Quem queria a saída de Zubeldía tinha argumentos válidos, como a falta de utilização da base. Vale lembrar, no entanto, que A DIRETORIA escolheu focar na Copa São Paulo, em janeiro, em detrimento à pré-temporada. Assim, os jogadores não conseguiram mostrar serviço e, naturalmente, conquistar espaço. O técnico poderia, sim, ter usado mais alguns jovens, como Ferreirão, Alves e Ryan Francisco, no estadual. Mas, novamente, A DIRETORIA definiu foco total na conquista do Paulista, exigindo rendimento, e não alternativas para o que realmente importava no ano. Além disso, Zubeldía tinha teimosias irritantes, como Luciano de camisa 10.
Mas esse período de guerra foi essencial para, internamente, Zubeldía se respaldar. Em campo, sem Lucas, Oscar e Calleri, pilares do time construído no início do ano, o argentino não teve alternativa senão usar a base. E foi o que salvou o semestre do São Paulo antes do Mundial, que tanto nos dói estarmos de fora.
Saímos da tempestade muito mais fortes. Lucas Moura voltou, Oscar e Pablo Maia estão próximos, e enriquecemos um elenco que parecia fadado ao meio de tabela. Zubeldía ganhou alternativas, inclusive táticas, ao efetivar o uso de 3 zagueiros fora de casa, além do zagueiro na lateral, que dá solidez ao time. Ferreirinha cresceu – infelizmente, não em inteligência –, André Silva conquistou seu espaço e os garotos farão o que devem fazer: dar um gás novo ao elenco, entrar para mudar jogos e serem parte importante das campanhas, mas sem o peso de serem os responsáveis pelo sucesso ou fracasso do gigante São Paulo.
Agora, voltando ao título do texto. Eu muito me questionei nestas últimas semanas. Ao mesmo tempo que é lamentável ver são-paulino atacando são-paulino por “estar certo” desde o começo, com ironias e risadinhas, é mais preocupante ainda que uma grande parcela dos torcedores não tenha entendido o real momento do São Paulo. Não há prazer em estar certo num momento tão importante – e assustador – da história do clube.
O treinador está longe de ser o nosso problema. O São Paulo vem de gestões desastrosas há mais de uma década e viu a dívida se multiplicar. A acertada decisão de estancar a sangria e colocar a casa em ordem – para no futuro voltarmos a ser quem sempre fomos – traz o remédio amargo: não podemos gastar. É com esse elenco que nós iremos. E, para que os resultados sejam potencializados, é essencial que haja continuidade. Um mesmo olhar sobre um grupo que pode – e deve – ser fortalecido a cada dia, seja com jogadores da base, seja com soluções táticas e anímicas ou até um empurrão das arquibancadas.
Além disso, nem os maiores retratores são capazes de questionar uma verdade: o time de Luis Zubeldía é consistente e muito difícil de ser batido. Mesmo com inferioridade financeira e algumas insistências bobas, o São Paulo briga de igual para igual com qualquer time da América do Sul, incluindo os clubes ricos do momento, como Palmeiras e Flamengo, e foi quem chegou mais perto de tirar o último campeão, Botafogo, da Libertadores de 2024. E uma certeza eu tenho: nós vamos brigar!
E se…
Agora, imaginemos se Zubeldía tivesse sido demitido? Mais uma vez, um cenário de terra arrasada e de recomeço, como tantos que vimos na última década. E, pior, quem viria para substituir o argentino? Dorival Júnior, que nos deixou na mão uma semana antes da temporada e por um valor três vezes maior que do Zuba? Isso sem falar em multa e reforços pedidos. Ou Fernando Diniz? E não gastemos energia com sonhos distantes, como Hernán Crespo, que foi demitido por essa gestão e está na Justiça para receber valores antigos.
Desta forma, para mim sempre esteve claro que o melhor caminho era a permanência de Luis Zubeldía. Um treinador em ascensão, não tão caro, com sangue nas veias e um caráter futebolístico admirável, que não foge ou terceiriza responsabilidades. Foi um grande acerto da diretoria de Julio Casares – uma das poucas – e mostrou que 2025, que deveria ser apenas de sobreviver ao primeiro ano do FIDC, pode ser muito mais promissor, especialmente nas copas.
Mas, para isso, o São Paulo precisa contar com a união daquela que tem sido a sua fortaleza nos últimos anos: a sua torcida. Seja a organizada, os frequentadores do MorumBIS ou os apoiadores de redes sociais, com concordâncias e discordâncias. Espero, de coração, que o período de batalha interna tenha acabado e voltemos a ser a verdadeira torcida que conduz.
Vamos, São Paulo!
João de Andrade Neto
Jornalista e “comentarista” deste excelente blog antes da soberba do 6-3-3, que hoje está tão defasado.
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Muito bom texto.
Se o Zubeldia melhorar o desempenho no Brasileirão e a diretoria não fazer nenhuma besteira financeira até o final do ano, vou comemorar como se fosse um título!
A briga é para se manter bem e competitivo mesmo sem dinheiro até darem um jeito ou virar SAF.
Excelente texto, parabens!!
Torcer contra e tao execravel q nem vale comentario! Os defensores por seu lado tem enorme culpa na polarizacao, ao fazer vista grossa p coisas tao evidentes acabam jogando mais combustivel na fogueira, cara, o proprio Zubeldia admite seus erros as vezes!
O trabalho e de razoavel p bom, e num claro momento de evolucao
Já disse e repito: não tem dinheiro, não tem opção viável, não tem que trocar. Mesmo eu achando que deveríamos.
Os tempos mudaram, os critérios mudaram, o futebol mudou e o SPFC também, pro bem ou pro mal. A dívida aumentou, a incompetência da gestão e do conselho também. Ficar romantizando o SPFC do passado pra comparar com o atual seja treinador ou jogadores é bobagem. O que funcionava antigamente talvez não funcionasse hoje, nem os métodos do Telê de antigamente se duvidar e gênio como era com certeza já teria reciclado seu portfólio pros dias de hoje se tivesse a dádiva da vida com saúde eterna.
E todo mundo (incluindo eu) é culpado por essa merda de situação e a chatisse que virou interagir aqui. Enquanto a gente briga e fica de ironia, lamentando por um passado que já foi e reclamando todo dia o dia inteiro que Deus dá nessa porra, gol da Alemanha.
Passar bem e caiam na real que a gente tá fudido até a tampa.
Calma Renatão, respira.
O SPFC não pode ser mais um problema em nossas vidas.
Galera esquece disto.
Peguei ar, confesso ahahaha
Já passou. Na verdade eu adoro todo mundo aqui, os cornetas e os cornetas dos cornetas ❤️
Enquanto vc me respondeu, Gol da Alemanha! Kkkkkk
Não consigo imaginar o Renatão pegando ar.
Ótimo texto! Mas apesar de todo o ocorrido, continuo gostando do Dorival…penso que o curica vai fazer o salário dele baixar e depois voltar mais realista ao tricolor kkkkk Feliz….muito feliz pelo Diniz no Vaxco e que nunca mais esse seja um problema nosso…por fim, a questão principal sempre é o tricolor vencer…alguns querem o combo…vencer e convencer…outros como eu, basta vencer…e aí está a atual discussão…o time está meia chícara cheia e meia vazia…mas não sou do grupo que acha que tem quem torça contra…mas sim que aproveita qndo empata (porque paramos de perder rs) pra desabafar…não concordo com os tons irônicos…mas aí já é problema meu neh kkkk acho que o blog é bom por isso, os dispostos se atraem kkk e é isso…que tudo isso culmine com uma vitória domingo e VMSP.
Respeito a posição do autor do texto, mas discordo.
Assim como o autor, tem muita gente falando que o Zubeldia “deu certo”, e podem me considerar vice-presidente do sindicato dos cornetas do blog do São Paulo (dessa vez não vou ser o presidente, porque o cargo é de um eleito por unanimidade), mas pra mim ainda falta muito arroz com feijão.
Eu concordei com a contratação dele, achei uma aposta válida e teve um começo muito promissor, mas foi só isso.
Depois do fatídico jogo contra o Vasco, ele claramente se mostrou refém do elenco e nos mata-matas, além de sair perdedor de todos, também foi um belo de um covarde, que não conseguiu um único resultado expressivo.
E nem estou falando apenas de ser campeão, estou falando de vencer um adversário mais forte, porque até aqui ele caiu pra Atlético Mineiro, Botafogo e Palmeiras.
Compreensíveis as derrotas? Com certeza. Mas se quem treinar o São Paulo hoje sempre cair pro time mais forte, estaremos fadados a fila de títulos.
E apesar de concordar que houve uma evolução esse ano, – quero estar errado, mas – acho que o Zubeldia deveria ter sido demitido ano passado e tenho honestas dúvidas se ele vai conseguir ser campeão aqui.
Então, se o pessoal do “estar certo” quiser me ver dar o braço a torcer, vai ter que esperar ele ganhar pelo menos um campeonato, porque a lambança – que ele mesmo concordou que fez – no 2×2 contra o Alianza, não me convence do contrário.
Vale dizer que sou casado, então não tenho mais vaidade e tenho grande prática em admitir que eu estou errado – estando de verdade ou não -, portanto, espero que dessa vez eu esteja mesmo e ele deixe pelo menos um caneco na estante.
Fom! Fom!
Vc é vice presidente dos cornetas do Zubeldia e presidente de honra do fã clube do Lucianjo!
Não pode acumular 2 cargos mesmo.
Abraço.
Na verdade, só podemos ser no máximo vice-presidentes do sindicato dos cornetas no geral, porque o presidente é o Paulinho da Corneta Sindical.
No caso do SINDICOCO (Sindicato dos Cornetas do Covardia), acho que seria no máximo presidente de honra porque considero ele apenas produto da eunucagem estrutural que impera na diretoria.
E tem gente que odeia de verdade o cara…
Porém, como natural de Osasco, e ex-vizinho do presidente da maior organização do Brasil, assim como o Ednaldo, também posso mexer meus pauzinhos para que o judiciário me autorize a ser presidente de vários sindicatos.
E se o nosso grande líder imperador deus-homem creca ou o João Plenário me autorizarem, não tem lei que desautorize!
Mas, até que isso aconteça, jamais renunciarei ao cargo de Presidente do SINDIHASNO (Sindicato de Haters do Luciasno).
Bem como, meu arqui-rival André Ricardinho, jamais deixará a presidência do fã clube, e o Palácio do (SINDIHCAL – Sindicato de Haters do Calleri).
Que belo texto! Não só bem escrito, mas de uma admirável e rara carga de inteligência e reflexão. O problema hoje é o extremismo, se errar uma ou duas vezes, vai pra forca. Quando acerta, é um deus ou ídolo. Não só no futebol, mas na vida também é assim, seja no aspecto profissional, familiar e até mesmo conjugal. O ser humano é inclinado a ver defeitos e murmurar, com ou sem razão!
👏👏👏
Excelente texto. As redes sociais incentivam a discussao, as pessoas estão frustradas com suas vidas pessoais e precisam desabafar (e terapia infelizmente não é algo que todos podem e fazem) então num mundo cada vez mais solitário, se sentir acolhido numa ideia, da conforto e pertencimento, e o ódio se alastra. O caso Zubeldia é só um sintoma de uma estrutura social presente e que cada dia se torna mais comum.
Hoje o mundo está chato, infelizmente com o nível dos “influencer’s” (muitos com Q.I. abaixo do de ostra), todo mundo quer reclamar de tudo, sem pelo menos se inteirar do assunto (pra ilustrar vi comentários sobre ser racismo sair a fumaça branca da escolha do papa – que absurdo).
PS – saudades do tempo que todo mundo era zoado e ninguém ficava deprimido pq sofreu bullying.
Hoje o mundo está chato, infelizmente com o nível dos “influencer’s” (muitos com Q.I. abaixo do de ostra), todo mundo quer reclamar de tudo, sem pelo menos se inteirar do assunto (pra ilustrar vi comentários sobre ser racismo sair a fumaça branca da escolha do papa – que absurdo).
PS – saudades do tempo que todo mundo era zoado e ninguém ficava deprimido pq sofreu bullying.