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Oswaldo de Oliveira, ex-técnico do São Paulo, revelou detalhes dos bastidores de sua demissão em entrevista ao programa “Resenha” da ESPN. Ele comentou que sua saída do clube, onde comandou a equipe entre 2002 e 2003, envolveu fatores políticos e interesses de dirigentes, além de um episódio curioso que prejudicou sua imagem.

“Teve muitas outras coisas que eu não gosto nem de falar. A gente sabe que sempre acontecem interesses políticos, de pessoas que até já faleceram, então não quero nem falar por isso, que é covardia. Mas houve uma trama muito especial para me derrubar no São Paulo”

Oswaldo relembrou uma situação em que, após um treino matinal, foi ao shopping ajustar as lentes de seus óculos e aproveitou para comprar CDs, sendo posteriormente acusado pela imprensa de ter cancelado um treino para ir às compras. Essa manchete, segundo ele, foi exagerada e contribuiu para criar uma narrativa desfavorável.

“Apaixonado por música, eu comprava muitos CDs nessa época. Entrei e estou vendo as novidades. O telefone toca, era um repórter me perguntando se tinha treino à tarde. Disse que não. Ele perguntou onde eu estava, respondi que no shopping Iguatemi, expliquei a situação. Manchete do dia seguinte: ‘Oswaldo cancela treino para comprar CD’. É brincadeira, né? Isso foi o montante daquilo tudo”

Além disso, o técnico contou que entrou em conflito com a diretoria por discordar da contratação de certos jogadores e por resistir a pressões para afastar atletas específicos do time. Esses atritos culminaram em uma reunião com dirigentes que, segundo ele, o consideravam “íntegro demais para o futebol”, o que precedeu sua demissão.

“Eu contrariava (a diretoria). ‘Ah, vamos contratar tal jogador’, eu dizia para não contratar. ‘Já está contratado’, eu dizia: vai treinar fora do meu horário. Esse tipo de coisa criou um atrito muito grande. Um dia, acabou o treino e me chamaram para uma reunião. Ficou um diretor na minha frente, um de um lado e outro atrás.

E eu sentado”O diretor virou para mim e disse: ‘Ontem, reunimos quatro cardeais do São Paulo e decidimos que fulano, fulano e fulano não podem mais jogar no time. Você vai ter que tirar os três’. Eu respondi que o primeiro já ia sair, o segundo estava se recuperando de uma contusão e não ia sair e nem o terceiro. Só que um dos diretores virou para mim e disse: ‘Oswaldo, você é íntegro demais para trabalhar no futebol’. Fui obrigado a ouvir isso. Algum tempo depois, é claro, eu fui demitido”

Apesar desses desafios, Oswaldo conquistou o Supercampeonato Paulista de 2002 e teve uma campanha destacada, com 57 jogos, 31 vitórias e 12 empates. A derrota para o Santos nas quartas de final do Brasileirão de 2002 e a perda do Paulistão de 2003 para o Corinthians aumentaram a pressão sobre seu cargo.


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