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A primeira rodada do campeonato nacional do Chipre, uma república em uma ilha no Mar Mediterrâneo, com cerca de 1 milhão de habitantes, foi disputada no dia 23 de agosto. O Omonoia Aradippou enfrentou o Anorthosis Famagusta no estádio Antonis Papadopoulos, com capacidade para pouco mais de 9 mil torcedores. O duelo em questão, porém, não era apenas mais uma partida mundo afora. Aos 38 minutos do segundo tempo, o cipriota Andreas Dimitriou deu lugar a Júnior Tavares no Omonoia. O brasileiro voltou a disputar uma partida oficial após um ano e dois meses. Foi o retorno ao futebol após a recuperação de um tumor no cérebro.

Vestindo a camisa 12, o lateral-esquerdo jogou poucos e valiosos minutos. Revelado pelo Grêmio e com passagens por Joinville, São Paulo, Sport, Náutico e Ponte Preta, além de ter atuado na Sampdoria, da Itália, e no Portimonense, de Portugal, o atleta de 28 anos virou exemplo para os companheiros no Chipre. “Foi uma emoção muito grande [ver o retorno de Júnior Tavares]. Nunca duvidei dos propósitos de Deus na vida do meu filho. A conversa [depois do jogo] foi alegre, em ritmo de festejo e felicidade pelo retorno dele”, disse Simone Tavares, mãe do brasileiro, relembrando o clima após o empate por 0 a 0, à ESPN.

Técnico português se encantou com o brasileiro
Júnior Tavares estava na Ponte Preta, em junho de 2023, quando descobriu o tumor no cérebro. Precisou passar por cirurgia, fez radioterapia e menos de um ano depois, em março de 2024, pôde voltar a praticar esporte. Ele tinha um acordo encaminhado com outra equipe do Chipre, que não deu certo, e então teve a chance de atuar pelo Omonoia Aradippou. O técnico português Hugo Martins, de 46 anos, aprovou a contratação. “Com o currículo que ele tem e no nível em que jogou, não havia dúvida sobre a qualidade. Sabia que seria um jogador que acrescentaria e também não havia dúvida sobre a recuperação. Por ele ter jogado em Portugal e sermos portugueses, ficou fácil conseguir informações sobre o jogador e o caráter dele, que é fundamental. Tivemos ótimas referências”, contou, à ESPN.

A chegada do lateral ao elenco foi discreta — algo já pensado pela comissão técnica. Não houve um alarde aos outros atletas sobre a contratação marcar o retorno do brasileiro ao futebol. “Em um primeiro momento, nem todos os jogadores tinham essa informação (sobre Júnior ter recuperado de um tumor no cérebro). Quisemos preservar o jogador, se ele se sentisse confortável a falar disso aos colegas, tudo bem. Mas procuramos proteger de alguma forma, porque achamos que não era o momento”, disse Hugo Martins. “Alguns já sabiam, por serem brasileiros ou terem ouvido a informação, mas o momento em que toda a equipe soube, pelas dificuldades e para saudar a força que o Júnior teve, foi ao fim do jogo de estreia”, afirmou o treinador.

“Foi um momento muito emotivo. As pessoas ficaram bastante sensibilizadas, tanto quem não sabia como quem sabia, como eu, mas de uma forma geral o grupo ficou muito sensibilizado pela notícia e pela capacidade de superação que ele teve”, relembrou.

O brasileiro virou mesmo exemplo para o grupo. A inspiração não vem apenas da história de superação, mas também do amor ao trabalho que demonstra, com dedicação em todos os momentos. “Para nós, como equipe, ele é um exemplo daquilo que queremos ser dentro de campo. Apesar de haver dificuldades, de ser um campeonato duro, com diferenças de orçamento, temos de lutar e persistir no que acreditamos. E o Júnior é um grande exemplo disso, de superação, e isso para nós marca muito”, apontou o treinador.

“Ele é altamente profissional. É um dos jogadores ajudam os mais novos. Tem uma experiência diferente da maioria dos outros que temos aqui. Tem sido um exemplo no trabalho, na preparação antes do treino, no pré-treino, trabalho na academia. É bom tê-lo conosco no dia a dia, porque, além da qualidade técnica e tática, tem um enorme profissionalismo e isso ajuda a contagiar o ambiente que vivemos no clube”, completou.

A ideia, agora, é olhar para frente. O técnico Hugo Martins, o Omonoia Aradippou e Júnior Tavares esperam, juntos, continuar superando dificuldades e colecionando momentos importantes. “Nós sabíamos que teríamos de dar um tempo ao Júnior. Foi uma longa pausa na carreira. A realidade é que ele conseguiu recuperar, está dando grandes respostas para as nossas solicitações, mas também há uma particular atenção com ele, porque temos de dar tempo até ele poder aparecer no seu melhor nível. É uma questão de tempo. Fez os primeiros minutos, entrou bem, ajudou a equipe em um momento difícil do jogo”, analisou Hugo Martins.

“É dar um tempo. Foi o acordo que fiz com ele. Ele está à vontade, sabe que pode contar conosco, que acreditamos muito no potencial dele. É preciso ter o tempo natural para poder estar na melhor forma. Neste momento não está, mas sinto que ele estará mais perto da capacidade e qualidade que tem a cada dia que passar”, seguiu. “Acreditamos muito nele, pode nos ajudar muito pela experiência que tem, pelo homem que é. Estamos muito felizes de tê-lo conosco, de podermos estar junto a ele, porque sabemos que ele nos ajuda a competir. É um competidor, e a prova de superação dele é um grande exemplo que nós guardamos aqui dentro da equipe. As expectativas são muito animadoras. Não só pela qualidade dele, mas pelo caráter que tem e pela força que tem. É uma inspiração para todos nós”, completou. Por: ESPN


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