Em matéria emocionante, Rato conta sua reviravolta na carreira em que deixa a Série D e quase abandonar o futebol para hoje ser reconhecido como titular e um dos nomes mais importantes de 2023 até aqui no São Paulo. Veja detalhes do Globo Esporte:

“Wellington deu o pulo do gato na carreira. Ou melhor, o pulo do Rato. Quem vê o meia-atacante de 30 anos se destacar neste início de trajetória com a camisa do São Paulo mal imagina que, há pouco mais de três anos, a carreira quase terminou diante de desilusões com o futebol.

Hoje líder de assistências do Tricolor, com três passes para gol no Paulistão, o atual camisa 27 são-paulino enfrentou dificuldades comuns da maioria dos jogadores profissionais.

Era 2019, Rato quase desistiu da carreira. Após atrasos de salário no Joinville, na Série D, a família se separou por um instante. Desiludido, o jogador deixou o clube e permaneceu seis meses distanciado da bola.

– Pensei em parar. O pior momento foi em 2019. Tive uma lesão na coxa e outros fatores pesaram. Estava com atraso de salário e sem moradia. Aquilo bateu um desânimo, porque tive que colocar minha esposa e meu filho de volta para o Rio de Janeiro e passei a morar no alojamento do clube, sem nada – contou.

– Fiquei até junho e voltei para o Rio de Janeiro. Não quis saber de futebol por seis meses, mas depois veio o ano da transformação e pensei que poderia dar a volta por cima. Hoje estou realizando o sonho de estar em um clube como o São Paulo â€“ acrescentou Rato, detalhando os problemas ocorridos no clube catarinense.

Do Joinville na Série D para seis meses sem atuar, Rato reiniciou a busca pelo sucesso no Ferroviário-CE, antes de se destacar no Atlético-GO. O meia-atacante rodou todas as divisões do Brasileirão e saiu da Série C com a equipe cearense para defender o tricampeão da Libertadores em um espaço de três anos.

No Morumbi, tudo é superlativo na comparação com o encontrado anteriormente na carreira. Mesmo experiente e calejado por anos de futebol nas divisões inferiores, Rato revela que se sentiu intimidado ao chegar ao São Paulo neste início de ano.

– Pela grandeza, fiquei intimidado. Vai passando pelos corredores, nos quartos, você vê as fotos dos títulos. Fica passando filme na cabeça vendo de fora, e agora, fazendo parte do clube, espero botar uma foto minha com título de expressão – comentou.

O sonho de Rato pode se realizar mais rápido do que o imaginado. Afinal, o São Paulo chega à reta final da fase de classificação do Paulistão com números expressivos no ataque. São 17 gols marcados em nove jogos.

Parte desta responsabilidade pelo sucesso ofensivo está nos pés de Rato, que, além das assistências, assumiu uma função fundamental nas bolas paradas.

Leia a entrevista com Wellington Rato:

ge: Dar assistência ou fazer gols?
Wellington Rato: 
– Prefiro o time vencendo, é o mais importante. As coisas vêm acontecendo com o trabalho do dia a dia. A vitória do time é o mais importante para a gente seguir nessa pegada e brigar por coisas grandes.

Qual é a origem do apelido?
– O apelido veio do meu irmão, na época do Audax do Rio. Ele estava lá e tinha o apelido Rato. Fiz o teste e acabei ficando. Com a saída dele, ficou o Rato para mim e está até hoje. Não me preocupo com o apelido, cheguei com ele até aqui e ficarei até o fim da carreira.

Qual aprendizado trouxe das divisões menores?
– Não desistir. De batalhar, persistir, e querer o melhor. Rodei todas as series e sei o quanto é difícil. É muita pegada, jogo competitivo. Jogar uma Série A é diferente, tive essa oportunidade em 2020 e agarrei. Disse que não desperdiçaria, agora terei a chance de disputar a Série A com o São Paulo. É honrar essa camisa.

Como se deu o “pulo do Rato”?
– Transformação de vida, caráter de pessoa, de querer melhorar, trabalhar. Sabia que minha oportunidade iria chegar, agarrei com unhas e dentes. Sabia que seria a oportunidade da minha vida. Quando ela caiu no colo, decidi me dedicar, correr e conseguir.

O que foi fundamental para a virada na carreira?
– Foco, dedicação, mudança de hábito, dormir mais cedo, viver o clube, trabalhar diariamente e usar o que o clube tem para você. E no campo mostrar o potencial. Mostrar o que quer, aonde quer chegar, isso foi fundamental para estar hoje.

A torcida do São Paulo tem gostado do seu desempenho…
– Venho recebendo carinho grande da torcida. Estou muito feliz desde a minha chegada. Fiquei muito feliz, tenho confiança da comissão e da direção. Venho me entregando e me empenhando para o torcedor continuar apoiando. Espero fazer história com essa camisa.

Por que o São Paulo se a proposta do Fortaleza era até melhor em alguns aspectos?
– O presidente Julio Casares, o Rui Costa e o Carlos Belmonte (diretores) me ligaram nas férias. Isso me deu uma segurança grande. Da história e grandeza, o fato de ter jogado no Audax. Eu conhecia a história do clube, não pensei em outro. Hoje tenho certeza que foi a melhor decisão que poderia tomar na vida. Espero poder retribuir e ser feliz.

É a maior chance da carreira?
– Com certeza. Não é para qualquer um, por isso venho aproveitando as oportunidades. Espero conquistar títulos, neste ano, dar alegria ao torcedor.

Qual o segredo da rápida adaptação?
– Pelo fato de ter sido tão bem recebido e por todos. Quando cheguei no primeiro dia, fui muito bem recebido. Isso te deixa mais aliviado. Chegar em um clube grande, fica se perguntando: “Será que vou conseguir render? Será que vou conseguir me adaptar?”. Por esse contato ser bom, funcionários, direção, isso me deixou mais tranquilo, por isso espero seguir desempenhando um bom futebol.

Relação com Ceni
– Relação muito boa. Ele procura ajudar no dia a dia, deixa à vontade, mas orienta muito na parte tática do dia a dia. Venho em uma crescente nos jogos por isso, especialmente na parte tática, de lado, de centro de campo. Isso me faz crescer. Espero aprender muito com eles aqui para continuar dando alegria.

Você vem tendo sucesso na bola parada…
– Estamos trabalhando bastante com o Charles (Hembert, auxiliar de Ceni) e por isso vem saindo bastante jogadas de perigo com escanteio ou falta lateral. É continuar nessa evolução de treinamento, que às vezes é mais curto pelo acúmulo de jogos e para não ter desgaste e lesão.

– Na conversa também resolvemos, mesmo com poucas repetições. Com período mais aberto vamos aprimorar e aprender com Rogério, especialmente na falta de entrada da área.

Tem algum segredo?
– Particularmente, gosto de pôr o bico da bola para onde vou chutar, não no meu pé. Gosto de deixar sentido ao gol, vem dando certo e vou continuar fazendo assim.

https://ge.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2023/02/21/da-serie-d-ao-sao-paulo-wellington-rato-quase-desistiu-da-carreira-e-viu-a-vida-mudar-em-tres-anos.ghtml