É muito triste termos que falar sobre este assunto pois preferia falar obviamente do São Paulo, de reforços, do jogo de hoje e coisas bacanas. Mas, é inevitável deixar passar batido.

Thiago Couto é um goleiro jovem, de 23 anos, elogiado por especialistas, pelo Ceni e por todos que o conheceram. Renovou recentemente, tem uma vida no São Paulo, veio da base, ganhou títulos, dedicou sua vida ao sonho de vestir nossa camisa. Quando podia sair, decidiu ficar e queria construir uma história.

Em poucos jogos, algumas pessoas decidiram que Thiago Couto não era goleiro, que não era digno do São Paulo e que sua carreira estava terminada. E os comentários, as postagens furiosas, jornalistas sedentos por sangue, começaram a destruir o garoto.

De forma vil, cruel e covarde, muitos decretaram que o garoto estava acabado. Quando o penalti foi marcado no jogo contra o América MG, se lermos as postagens, é algo selvagem, raivoso, odioso e que parecia que Couto tinha cometido crimes hediondos. Quando pegou o penal, Deus sabendo o que faz, ele conseguiu alguma redenção. Mas estava quase sacramentado que ele estava fadado a encerrar seu sonho.

Nós, torcedores, que sempre sonhamos com um time de meninos formados em Cotia, joia da coroa do São Paulo por anos, nosso orgulho máximo, vibramos ao ver garotos. Mas, achamos lindo nos outros times. No nosso, só existe apoio e ajuda quando o garoto arrebenta. Se falha, se oscila, se erra como qualquer outro profissional, é execrado.

Se vem um reforço de fora, a primeira questão é: “Como não tem ninguém igual em Cotia? Fecha o CT da base”. Quando vem um menino de Cotia: “Não está pronto, como não tem reforço na posição?”.

Isso quando não reclamam que só formamos garotos despreparados. E isto, porque o São Paulo é a maior base produtora e vendedora de jogadores do Brasil, uma das maiores do mundo, há quem chame de “Harvard do Futebol de Base”. E quando subimos, damos chance e preparamos, o resultado é um ódio sem fim, fúrias e descarrego emocional terrível das pessoas em que deveria ser apoiado.

Ao falar com um amigo, me contou que clubes americanos recebem aplauso de seus torcedores por entenderem que estão se dedicando ao máximo e se doando, que ninguém erra de propósito. A paixão não pode ser escudo para covardias morais e desvios de caráter. A paixão no dicionário representa um sentimento bom. A paixão não é motivadora de ódio e cegueira, isenção de honra e dignidade. Não é reflexo de hombridade e civilidade.

Couto é um menino, um garoto criado na nossa base. Suou, sonhou, se dedicou e trabalhou de criança até hoje, um jovem adulto com sangue Tricolor. Ele vive e respira o São Paulo há anos. Ele chorou, sorriu e entregou, entrega tudo pelo São Paulo por toda sua vida. E sua família? Amigos? O que sentiram ao ver uma vida destruída por quem sepultou seus sonhos ao pegar uma fogueira? Zaga improvisada? Jogos difíceis, desfalques, defensores poupados. E sim, teve seus deslizes. Mas e o Ceni não os teve no começo de carreira no São Paulo? Zetti não veio execrado? E vamos crucificar o Couto assim?

Couto merece sua chance, não pode perder seus sonhos. Que trabalhe, que cresça, que tenha oportunidades e aprenda a cada dia. É um baita goleiro, de taça na base sendo protagonista como pegador de penalti. O mesmo que o salvou do fim antecipado na 5a.

Não esmoreça, não desista, Couto. E você, torcedor de bem, não permita que o amor ao clube, te destrua como ser humano e se encha de ódio. Couto merece reconhecimento por tanto sacrifício, suor, sangue, lágrimas, anos de isolamento e preparação em Cotia.

Sejamos maiores que isso e apoiemos da melhor forma que pudermos o clube. Ele é feito de pessoas e Couto é uma delas. Ceni até pouco tempo, era hostilizado no Morumbi, o que denota a falta de limites. E está na hora do sentimentos maiores e mais nobres prevalecerem.

Força e fé, Thiago Couto!

Alexandre Zanquetta