Em tempos de Natal, o São Paulo vive um Halloween em um setor específico do time: a lateral direita. Recém-contratado, Rafinha desembarcará no Centro de Treinamento da Barra Funda com a missão de exorcizar fantasmas. Os antecessores Juanfran e Daniel Alves chegaram badalados ao clube, tiveram altos e baixos e saíram pela porta dos fundos, sem deixar um pingo de saudade na memória do exigente torcedor tricolor.

O São Paulo vive escassez de laterais-direitos há quase 17 anos. O último grande dono da posição foi Cicinho, ex-Brasiliense. Em 2005, ele conquistou a Libertadores e o Mundial de Clubes pelo tricolor, até ser negociado com o galático Real Madrid de Ronaldo, Roberto Carlos, Beckham, Zidane, Rául e tantos outros astros. Brilhou no bi da Copa das Confederações em 2005 e foi reserva de Cafu na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

De lá para cá, muitos jogadores assumiram a posição. Nem mesmo na trajetória vitoriosa do tricampeonato nacional consecutivo, em 2006, 2007 e 2008, a equipe de Muricy Ramalho deixou de ser carente no setor. Naquele período, Ilsinho, o equatoriano Reasco, Jeancarlos e outras peças sentiram o peso da lateral direita tricolor.

Em 2012, o então jovem Douglas assumiu a responsabilidade e foi uma das peças para a conquista inédita da Copa Sul-Americana. Ele vestiu a camisa tricolor até 2014, quando chamou a atenção do Barcelona e embarcou para a Catalunha. Por lá, disputou apenas oito partidas oficiais até ser emprestado para outras equipes do Velho Continente.

Douglas foi embora e levou consigo aquele que seria o último título do São Paulo até 2021. A equipe do Morumbi viveu um jejum incômodo de conquistas por nove anos, retratando bem a época de vagas magras na lateral direita.

Insatisfeita com improvisações e peças que não rendiam, a diretoria ousou. Buscou Juanfran, experiente defensor espanhol consagrado no Atlético de Madrid. No mesmo período, apostou na contratação de Daniel Alves, lateral de origem e são-paulino assumido. Veterano, Juanfran chegou com boas expectativas ao Centro de Treinamento da Barra Funda. Prometeu que não deixaria o clube enquanto não conquistasse um título com a camisa tricolor. A declaração, porém, não foi sustentada. O espanhol deixou o clube após duas temporadas. Foram 56 partidas e nenhum gol marcado. O buraco no setor continuou.

Daniel Alves distanciou-se da posição e escolheu o papel de camisa 10, articulador da equipe. A relação começou com juras de amor, mas não foi muito longe. Mesmo com a conquista do Paulistão contra o Palmeiras, os desgastes com a diretoria e, principalmente, os vencimentos atrasados, fizeram com que o experiente defensor deixasse a capital paulista e retornasse ao Barcelona, onde marcou época. Vem aí mais uma virada de ano.

O drama da lateral direita tricolor permanecerá? Para mudar o cenário recente, Rafinha é o nome da vez. Mesmo com os títulos da Liga dos Campeões de Europa pelo Bayern de Munique e da Libertadores pelo Flamengo no currículo, o novo desafio de Rafinha terá um gosto ainda mais especial.

“Todo mundo sabe que sou são-paulino, e sempre tive o desejo de jogar no clube. Sou de Londrina, mas tenho familiares em Suzano. E eles sempre me presenteavam com a camisa do São Paulo no Natal”, revelou nas redes sociais depois de ser oficializado como reforço tricolor.

Memória

Da Era Cicinho a Rafinha, passaram pela lateral direita do São Paulo: Mauricinho, Reascos, Jancarlos, Éder Sciola, Wagner Diniz, Adrian González, Saavedra, Douglas, Piris, Caramelo, Luis Ricardo, Bruno, Buffarini, Juanfran, Daniel Alves e Orejuela. Isso sem contar as crias da casa.

Comparação entre as três últimas apostas do São Paulo:

Juanfran: 56 jogos, nenhum gol e nenhum título

Daniel Alves: 95 jogos, 10 gols, 14 assistência e a conquista do Campeonato Paulista

Rafinha no Grêmio: 43 jogos, nenhum gol, nenhum título, 8 assistências e queda para a Série B 

*Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

https://www.correiobraziliense.com.br/esportes/2021/12/4973262-o-lado-mais-sombrio-como-o-sao-paulo-encara-os-fantasmas-da-lateral-direita.html